<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378</id><updated>2012-02-13T21:38:28.823-08:00</updated><title type='text'>Travessia</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>53</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-2400335906377074383</id><published>2011-12-21T18:42:00.001-08:00</published><updated>2012-01-26T14:41:32.123-08:00</updated><title type='text'>81 Casamentos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span lang="pt"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há um preço para o conforto, a estabilidade e o bom salário de um juiz da vara da família. O bairro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, fez-se responsável por esta salutar contrapartida dos magistrados aos cofres públicos estaduais. Mas tem detalhe: uns sempre pagam pelos outros.&amp;nbsp; Sobrou para o dileto Alberto Kirchoff, morador da distante Barra da Tijuca, pai de três filhos e dois casamentos no currículo. Lembrou-se do compromisso dominical enquanto tomava um licor digestivo na varanda e observava o caçula circular entre os brinquedos. Logo pensou que graças a deus já acabara o campeonato brasileiro. Deus, aliás, deu esta colher de chá, mas mandou a conta. Santa Cruz exigia sua convocação no time titular. Telefonou para o primo paulista, filho de um falecido pastor presbiteriano que adorava celebrar matrimônios. Tem algum material? Tinha. Estava parcialmente resolvido o problema, realizar uma cerimônia pública onde oitenta e um casais deixariam a praça comprometidos. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="pt"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No domingo, um coquetel de ansiedade com pitadas de medo da hipocrisia. O juiz entrou no carro e jogou no banco do passageiro as anotações inconvictas. "Senhor, este é um momento soleníssimo na vida destes teus filhos que hoje constituem uma família". O caminho da linha amarela, depois vermelha, cheio de janelas, dentro de cada uma um contubérnio, ironizou-se. A partir daquele dia oitenta e uma novas gavetinhas estariam diferentes, abençoadas, desgraçadas, chanceladas. "Senhor, Tu tens sido nosso refúgio de geração em geração". Assim passou pela estrada de ferro Central do Brasil, andou mais um bocado e avistou a multidão que o aguardava ansiosa na praça da paróquia.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: justify; text-autospace: none; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span lang="pt"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ali do púlpito improvisado, já suando em bicas, o juiz Alberto surpreendeu-se com a organização dos futuros cônjuges, respeitando sem tumulto o espaço alheio em clima de confraternização. Os convidados se comportavam como se Vasco e Flamengo fossem um time só, Dinamite tocasse de calcanhar para Zico, o campo só tivesse uma trave e o jogo já estivesse ganho. Só admirando de longe. As meninas eram daminhas-de-honra à distância, sem perder a pose. Os meninos, inconscientemente solidários ao juiz, também agradeciam pelo fim do campeonato brasileiro. Após certa acomodação, Santa Cruz viveu o Carnaval às avessas, um silêncio esquisito, todos os ouvidos voltados ao meritíssimo.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="pt"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Convicto ou não, a hora estava lá, e começou. Houve um ponto, no auge do calor e das lembranças do primeiro casamento, em que resolveu apelar para a benção inconteste: "Coroa dos velhos são os filhos dos filhos e a glória dos filhos são seus pais". Justificou a atitude pela experiência rotineira e pessoal: casamento bagunçado era todo dia, filho indesejado não. Ao dizer o trecho final - "Perdoem sempre um ao outro, respeitem-se mutuamente e que, acima de tudo, esteja o amor, vínculo da perfeição" - percebeu a diferença entre citar o dito cujo para duas e para cento e sessenta e duas pessoas. Lágrimas, abraços e cumprimentos retomaram a rotina carnavalesca do subúrbio carioca e ninguém era de ninguém. Exceto para o magistrado Alberto, esse era exclusivo da fila caótica que se formava para cumprimentá-lo pela cerimônia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="pt"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assim foi o domingo deste preclaro funcionário público carioca. Um dia para mudar a vida dos outros, pensar a própria ou talvez para nada. A corrida de volta fez um pouco mais de sentido, as pequenas luzes das linhas não eram as mesmas, a música aleatória do rádio causou alguma emoção, sua profissão, um pouco mais feliz, saiu da rotina e tirou férias. Em casa, deparou-se com os mesmos filhos, as mesmas alegrias e os mesmos problemas. Mas ainda teve a vontade de ir ao computador, escrever ao primo paulista e colocar no campo do assunto: “Sucesso”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-2400335906377074383?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/2400335906377074383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=2400335906377074383' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2400335906377074383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2400335906377074383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2011/12/81-casamentos.html' title='81 Casamentos'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-2625078347924900319</id><published>2011-12-04T07:37:00.000-08:00</published><updated>2011-12-10T17:58:09.770-08:00</updated><title type='text'>Obrigado Doutor</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-nT-9vSDqsoA/TtuTnUTkGtI/AAAAAAAAAOI/dN2fDJE9-Co/s1600/socrates.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-nT-9vSDqsoA/TtuTnUTkGtI/AAAAAAAAAOI/dN2fDJE9-Co/s1600/socrates.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;h6 class="uiStreamMessage" data-ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:1}" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="messageBody" data-ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:3}" style="font-size: small;"&gt;Doutor  Sócrates, vá com Deus, e obrigado por ter ajudado e me contaminar com  esse maravilhoso virus da paixão pelo Corinthians, sem contar a paixão  pelo futebol-arte, pela democracia, pela inteligência, pelo senso  crítico aguçado, pela sinceridade e, também, por que não?, por uma  cervejinha bem gelada!&lt;/span&gt;&lt;/h6&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-2625078347924900319?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/2625078347924900319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=2625078347924900319' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2625078347924900319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2625078347924900319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2011/12/obrigado-doutor.html' title='Obrigado Doutor'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-nT-9vSDqsoA/TtuTnUTkGtI/AAAAAAAAAOI/dN2fDJE9-Co/s72-c/socrates.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-7719287686783886258</id><published>2011-11-29T20:08:00.000-08:00</published><updated>2011-11-29T20:08:23.294-08:00</updated><title type='text'>O sentido da vida</title><content type='html'>Algumas coisas que lemos nem são assim tão geniais, mas às vezes pelo próprio fato de óbvias e até então despercebidas serem, ficam marcadas para sempre. Minha vida nunca mais foi a mesma depois de ler um livrinho (livrinho por ser pequeno, não por ser ruim) do Rubem Alves chamado "O que é religião?". Não consigo fazer uma postagem do meu blog sem falar do meu pai e já desisti de tentar fazer diferente. Quando li este livro, ainda estava numa luta interna para tentar aceitar a religião dele, um pastor presbiteriano dedicado, genuinamente apaixonado e, acima de tudo, dono de uma fé autêntica, sincera e pródiga de resultados. Resultados práticos, sim senhor. Mais de uma vez o vi passar um dia terrível, cheio de problemas, fazer uma oração, virar para o lado e dormir como um anjo. Sua frase típica era: "O Senhor proverá, meu filho. O Senhor proverá.". O fato é que infelizmente nunca me convenci. Sempre achei a igreja presbiteriana um lugar agradável e lá me senti muito bem. Acredito que os valores cristãos que meu pai me passou contribuiram para me fazer uma pessoa legal e honesta hoje. Mas não acredito em Deus da maneira como formula a Bíblia cristã, nem como formula nenhuma outra religião.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A idéia do livro do Rubem Alves a que me refiro certamente não foi formulada por ele, algum ou alguns filósofos já deveriam ter o crédito. Se ele tem um grande mérito, é o de de escrever coisas supostamente complexas de uma maneira simples. Esse para mim é o segredo do grande professor e do grande escritor, um talento raro. Ele diz que a diferença entre os seres humanos e os animais, como já citei anteriormente neste blog, é que nós temos consciência da própria existência e, por isso, vivemos vinte e quatro horas por dia, ou melhor, vivemos algumas horas por dia, uns mais outros menos, em busca de prover água e comida para não morrer, e as demais buscando dar a esta existência algum sentido. O único e óbvio problema é que este sentido não existe. Aqui vou começar a minha pequena confissão pessoal. E isso me preocupa: se estou assim com 35 anos, morro de medo pensar no que me passará pela cabeça quando tiver 80. Antes que meus leitores, amigos e parentes (como se houvesse alguma diferença!) pensem que eu estou deprimido ou com pensamentos suicidas, já deixo de antemão o tranquilizante: não é o caso. Aliás, pelo contrário. Como disse antes, o que me preocupa é o que fazer com os cinquenta anos pela frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há algum tempo um certo paradoxo me persegue. Se buscar um sentido decente para a vida me faz inexoravelmente infeliz, para que serve buscar um sentido para a vida? Várias vezes me peguei desejando ser ignorante, sem educação, pobre de dinheiro e de espírito, ser capaz de passar duas noites seguidas bêbado numa micareta ouvindo Ivete e Chiclete no máximo volume, no meio de uma multidão ensandecida e voltar para casa feliz, realizado, pleno de sentido! Mas não, não pode. Minha mãe me falava ainda criança que sexo está "na cabeça". Meu pai lia Camões, José de Alencar e Machado de Assis para mim na cama. Me fizeram aprender, junto à saudosa Dona Marlene, a sonata em Dó Maior de Mozart no piano com doze anos. Tive que estudar nos melhores colégios de São Paulo para aprender a ter senso crítico e ler nas entrelinhas. Na verdade é um certo fardo. Ainda adolescente, já tinha plena consciência de que a galera do Edifício Ajaccio poderia até ser mais burra, mas certamente era mais feliz.&amp;nbsp; Depois dessa educação, tudo fica difícil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Certamente já estou parecendo pedante. Mas, tarde demais. A partir de agora só vai piorar. Fato é que o paradoxo também perpassa a economia e a política brasileira. Todos os dias me pego fascinado pela nossa atual pujança financeira. A brasileirada invadindo Miami, Buenos Aires, Paris, comprando tênis, Blue-Ray, camisa de grife. Acho lindo esse Brasil pós-Lula e pós-PT. Ninguém está preocupado com o sentido da vida. O negócio é aproveitar a expansão do crédito, fazer faculdade, virar doutor e vamos que vamos. Estamos rumo a uma nação feliz. Eu tento criticar, mas cada dia mais não consigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O suprassumo do Brasil pós-Lula, para mim, é passar algumas horas no saguão de um aeroporto. Minha referência de viagem longa sempre foi a do terminal rodoviário Tietê, onde esperava o ônibus verde da Penha a caminho de Lages para visitar a vó Waltrud e vô Jadão, de saudosíssimas memórias. Hoje, para meu deleite, o padrão é o aeroporto de Congonhas e o JK. O que dizer? Talvez que a experiência me tenha feito criar o conceito de "pobre com dinheiro". Pessoas falando alto no celular, furando filas, atrasando os voos como se todo mundo tivesse a obrigação de esperar, enfim, um espetáculo circense de brasileiros para os quais o mundo atual faz todo o sentido. O melhor de tudo nos aeroportos, dizem que quem formulou foi o Antonio Prata. Pela genialidade deve ser. Quando um avião pousa e o comissário de bordo pede, sempre inutilmente, que todos os passageiros permaneçam sentados até a total frenagem da aeronave, a sensação que se tem é a de que estamos naquelas brincadeiras de acampamento em que o monitor diz: "Quem ficar sentado é BI-CHÁ!", e todo mundo levanta ao mesmo tempo. Como se não bastasse, todo mundo liga o celular. Eu não sou especialista em aviação mas, por um mínimo de bom senso, se a companhia aérea me pede para só ligá-lo no saguão, não vejo por que não fazê-lo. Quando um cidadão liga o celular assim que o avião pousa, tenho que me controlar muito para não perguntar: "Por gentileza, o senhor é o Ministro da Fazenda? É o presidente da Vale do Rio Doce?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ainda nesta toada de pensar sobre o sentido da vida, preciso contar uma conversa que tive com a minha querida amiga Ju Buchaim. Velha colega de Colégio Bandeirantes, ela esteve em Brasília para um reunião no Banco Central e me ligou um pouco antes para a gente colocar o papo em dia. Duas coisas que nós conversamos vêm me martelando desde então. A primeira foi um comentário: "Eu acho o Facebook a coisa mais estúpida do mundo, mas não consigo deixar de entrar nessa desgraça de meia em meia hora". Em outro momento, enquanto nos inteirávamos sobre a situação dos amigos em comum, ela fez o seguinte comentário: "Estou preocupada com o [Eduardo] Bodra. Ela não se interessa mais pelas pessoas. Ele me disse um dia desses: 'Eu não tenho mais interesse pelas pessoas. Ninguém agrega nada'". Os dois comentários, aparentemente dispersos, me marcaram porque tenho pensado muito sobre isso também. O Facebook, entendido num sentido mais amplo, de democratização da informação, de liberdade de expressar opiniões, divulgar idéias, etc... realmente deveria ser uma coisa mais interessante do que é. Cada vez que entro no Facebook, me perdoem todos, acho as pessoas cada vez mais desinteressantes. E me solidarizo com meu amigo Eduardo Bodra&amp;nbsp; que, apesar da fachada durona, sempre foi um sensível e irônico filósofo na mesma busca&amp;nbsp; insensata pelo tal do sentido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fato é que comigo existe alguma coisa extremamente errada ou extremamente certa. Todos os dias quando acordo (para citar o Renato, que era chato, afinal de contas estou em Brasília e passeio no Parque da Cidade, onde a Mônica ia de moto e o Eduardo de camelo), busco um sentido nas árvores e nos gramados da capital, nas músicas do Rush e do Milton Nascimento que ouço obsessivo em busca de inspiração, chego feliz ao prédio imponente do BC, onde me sinto acolhido e tento, sem muito sucesso, ter alguma idéia genial para revolucionar o monitoramento do risco de mercado nos bancos brasileiros. Não tenho mais grandes pretensões de carreira ou de sucesso financeiro. Sexo para mim não tem mais&amp;nbsp; do que 40% da importância de dez anos atrás. Tenho um certo senso de aposentado a trinta anos de me aposentar. Me lembro de um dos sermões do velho reverendo Roberto Lessa, em alguma igreja presbiteriana da periferia de São Paulo, onde ele dizia, inflamado, para uma audiência de no máximo vinte pessoas, que os valores do sucesso, do dinheiro e do poder eram prepoderantes nas "igrejas" atuais e explicava como isso não tinha nenhuma relação com o que Jesus havia pregado. Talvez o fantasma dele me persiga mais do que eu imagino. Talvez o meu ateísmo seja o Deus dele escrevendo certo por linhas tortas.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-7719287686783886258?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/7719287686783886258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=7719287686783886258' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/7719287686783886258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/7719287686783886258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2011/11/o-sentido-da-vida.html' title='O sentido da vida'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-3499682787881746390</id><published>2011-09-25T13:26:00.000-07:00</published><updated>2011-10-29T12:10:32.934-07:00</updated><title type='text'>As cores de Machado</title><content type='html'>Esta semana me irritei com a notícia: a Caixa Econômica Federal retirou do ar uma campanha publicitária onde o ator que representa Machado de Assis é branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/10P8fZ5I1Wk" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Mas, antes de entrar no mérito da discussão, fiquei pensando sobre o porquê da minha birra com qualquer tipo de "esquerdismo" estar cada dia pior. Quando me atacam estas ziquiziras, logo me vêm à mente memórias da campanha de Lula em 1989, da campanha para vereador do meu pai e suas idéias, sua história contra a ditadura dentro da igreja presbiteriana, da minha paixão adolescente e sincera pelas "causas sociais". Dizem alguns que todo cara inteligente é comunista na adolescência e ultra liberal quando cresce. Assim de cabeça me lembro de Pérsio Arida (Obs: ver seu depoimento em recente edição da revista Piauí - imperdível), Maílson da Nóbrega e&amp;nbsp; - o clássico - Paulo Francis. Eu deveria estar orgulhoso, talvez, não preocupado. Fato é que estou, e os trinta anos pela frente no Banco Central certamente só me farão piorar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Um certo fato me assombra: o famigerado elitismo dos Themudo Lessa. A consciência plena da existência deste mal sutil na família do meu pai surgiu por acaso, durante uma feijoada, batendo papo com meu tio Renato, irmão mais velho do papai. Foi uma epifania. Após mais uma de nossas longas e inúteis discussões sobre a superioridade de Corinthians ou São Paulo, perguntei ao meu tio como ele tinha virado sãopaulino. Para minha surpresa, veio uma história ironicamente fantástica. Acontece que na rua Cardeal Arcoverde, lá pelos anos quarenta ou cinquenta, circulava um lixeiro negro em sua carroça. O pequeno Renato Themudo Lessa veio a ficar amigo do filho deste senhor e se divertia à beça circulando por Pinheiros na companhia dos dois. E este lixeiro negro era são paulino doente e foi o responsável pela mais terrível mácula de nossa família até os dias de hoje. Brincadeiras à parte, fiquei fascinado pela história e perguntei, não sei por que: "Mas e aí, que fim levaram os dois?". E o tio Renato respondeu: "Não faço a menor idéia. A tia Hermínia, com aquele elitismo típico dos Themudo Lessa, um dia me pegou circulando com o lixeiro e meu deu uma sova daquelas!".&amp;nbsp; Minha imagem de infância da tia Hermínia é a de uma doce velhinha, professora aposentada, simpaticíssima e muito culta (uma imagem provavelmente justa, diga-se de passagem). Contudo, não tenho nenhuma dificuldade em imaginá-la reprimindo um sobrinho por circular lépido e fagueiro com lixeiros negros pela Cardeal Arcoverde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Nos raros momento em que me reúno com esta família, sinto uma alegria enorme, sincera. Admiro todos, pelas pessoas que são, existe um amor sincero entre nós, uma coisa rara numa família tão grande. No entanto, é muito difícil negar a força do nosso elitismo. Não necessariamente pela riqueza financeira, mas por serem todos saudáveis, bem-sucedidos, competentes profissionais, morarem em bairros nobres, conversarem sobre qualquer assunto e coisas do tipo. Um membro militante do PSTU classificaria minha família como um bando de neoliberais. Nenhum de nós se casou com um negro ou uma negra, assumiu-se homosexual ou sofreu qualquer tipo de discriminação (Ainda. Espero sinceramente que qualquer dos eventos um dia aconteça). Talvez assim sejam as famílias de classe média alta de São Paulo. E, com certeza, essa experiência de alguma maneira me "auto-descredencia" para exprimir argumentos claros como água na minha cabeça.&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Voltando, finalmente, à campanha publicitária da Caixa Econômica, confesso estar sem paciência para escrever de novo minhas opiniões sobre como a questão racial é tratada no Brasil. Já falei sobre o assunto neste mesmo blog &lt;a href="http://www.blogger.com/%28http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/04/o-racismo-e-as-palavras-magicas.html"&gt;(http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/04/o-racismo-e-as-palavras-magicas.html&lt;/a&gt;). Considerando que isto é um blog e não uma tese de mestrado, prefiro contar o que me passou pela cabeça desde o evento do comercial, muito mais engraçado e interessante. A primeira coisa foi um episódio, aliás o primeiro da primeira temporada, do seriado americano "Boston Legal". Uma mulher negra aparece querendo contratar o escritório de advocacia para processar os produtores de uma peça de teatro que não escolheram sua filha de oito anos para o papel principal. Alegava que a menina era a melhor candidata e só não fora escolhida porque o papel, no roteiro original, era de uma menina loira de olhos azuis. No final, o juiz dá ganho de causa aos protagonistas. Contudo, e isto faz da série muito interessante, não fica claro ao longo do episódio se o juiz deciciu pelo fato da menina ser negra ou pelo fato dela ser a melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;E a melhor parte (o clímax é sempre interessante quando, ainda que na tentativa,&amp;nbsp; é levado à música ou ao texto) deixei pro final. Tenho a sorte de sentar numa baia rodeada de pessoas interessantes no Banco Central. Uma delas, João Rodrigues, ouviu minhas lamúrias sobre o comercial da Caixa e começamos a conversar sobre o assunto. Após uma interessantíssima discussão, sem discordar ou concordar, ele me encaminhou este texto do crítico literário americano Harold Bloom sobre Machado de Assis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;i&gt;"Machado de Assis is a kind of a miracle, another demonstration of the autonomy of literary genius in regard to time and place, politics and religion, and all those other contextualizations that falsely are believed to overdetermine human gifts. I had read and fallen in love with his work , 'The Posthumous Memoirs of Brás Cubas' in particular, before I learned thar Machado was a mulatto, and the grandson of slaves, and this in a Brazil where slavery was not abolished until 1888, when he was almost fifty. Reading Alejo Carpentier, I first wrongly assumed that he was what we call 'black'. Reading Machado de Assis, I first wrongly assumed that he was what we call 'white' (...). Carpentier, in 'The Kingdom of This World', writes from what we now regard as a black perspective. Machado, in 'Posthumous Memoirs', ironically adopts a rather decadent Portuguese-Brazilian white perspective." &amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Com severa falta de integridade intelectual e irresponsabilidade, típica da esquerda, o site do PSTU (&lt;a href="http://pstu.org.br/opressao_materia.asp?id=13380&amp;amp;ida=18"&gt;http://pstu.org.br/opressao_materia.asp?id=13380&amp;amp;ida=18&lt;/a&gt;) comparou a campanha publicitária da Caixa às bizarras teorias do final do século XIX e início do XX que atribuíam à raça negra um fator de depreciação à evolução da humanidade. Mas foi curioso, ao ler esse site, a menção de que o comercial da Caixa estava "radicalizando a conhecida negação que Machado fazia de sua própria negritude".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao falar sobre a influência do escritor irlandês Laurence Stern sobre Machado, Bloom ressalta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;" (...) This is not to deny originality and criative zest to the Brazilian master, but only to remark that Stern's spirit freed Machado from any merely nationalistic demands that his Brazil might have hoped to impose upon him". &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Não conheço a biografia de Machado de Assis suficiente bem para afirmar se ele negava ou não sua "negritude". Aliás, "negritude" é uma palavra que me remete ao fato de alguns negros tentarem imitar tudo o que os brancos fazem de pior: editar revistas idiotas de moda nas bancas, participar de "Reality Shows", ter bandas toscas de pagode, um protagonista na novela das oito&amp;nbsp; ou - o supra sumo - candidatar-se a senador pelo PT. Suponho que Machado tivesse preocupações um pouco maiores. Talvez ele fizesse parte de uma espécie de elite negra, a mesma que comprava escravos logo após conquistar a alforria, fato comum e convenientemente esquecido da história do Brasil. Ou, o mais provável: ele foi um mestiço, como somos todos nós brasileiros desde antes de 1500, cuja obra fala de questões humanas e universais e faz sentido em qualquer tempo ou lugar. Se ele estivesse no céu e assistisse um comercial da Caixa onde um anão japonês albino com cabelo tingido de loiro o interpretasse, viraria para São Pedro e daria uma boa risada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-3499682787881746390?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/3499682787881746390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=3499682787881746390' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3499682787881746390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3499682787881746390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2011/09/as-cores-de-machado.html' title='As cores de Machado'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/10P8fZ5I1Wk/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-5180453536429162644</id><published>2011-07-13T21:09:00.000-07:00</published><updated>2011-07-13T21:33:50.939-07:00</updated><title type='text'>Paty nula</title><content type='html'>&lt;i&gt;(Preclaros leitores, isto é um conto, uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes ou fatos reais, culpem a mente perturbarba deste que vos fala, ninguém mais. Sem mais, o autor)&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro da primeira vez que conheci Paty. Mas era com "y". Fundamental. Pode ter sido na cantina, no pátio, nos intervalos das aulas, sei lá. Sei que foi. Quando vi ela estava lá, aparecia nas festas, nas fotos, ria das conversas de bêbado. Paty não era feia, nem bonita. Paty era paty. Em São Paulo a mobilidade era limitada pela boa vontade dos pais, pela idade adolescente. Perversão era beber, na falta de mais mulheres aptas a ouvir e curtir Metallica e Megadeath. Talvez os pais destas mulheres as mantivessem presas, presas de nós, das nossas vontades daquela época. Eu faria o mesmo hoje, velho suficiente para lembrar da Paty, se filha tivesse. Imagine deixar minha pequena imaginária nas mãos daqueles com quem eu andava, de jeito nenhum, ou talvez não, talvez eu já estivesse alto com algumas latinhas e elas fossem suficientes para deixar, vai filha, agrade um menino como eu, naquela época não tive quase ninguém. Talvez injusto. Eu era bonitinho lá, tive aventuras com meninas mais interessantes que Paty. Mais sensuais, mais inteiradas, mais mulheres, tinham sorrisos mais cativantes. Para parar com isso, posso dizer que eram mais gostosas. Gostosa vai além da gostosura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vira e mexe cruzava Paty no recreio. Dava um beijinho forte, às vezes um abraço. Ela tinha um cheiro bom, uma mistura de colônia de vó com batom. Quase dava tesão. Era um colégio rigoroso, só os mais aptos sobreviviam. Três recuperações era o máximo permitido. Sabíamos desde o primeiro bimestre quem eram os prováveis degolados. De Paty nunca soube. Sei que se formou. Creio que fez administração com ênfase em alguma coisa. Mas isso não importa agora. Estou ficando velho, cotando planos de previdência, o Facebook está bombando com recordações. Preciso de Paty ali, na escola. Se um dia souber com quem ela se casou, quantos filhos teve, o cargo e o salário, tudo vai por água abaixo. Não, nada disso. Quero ficar estanque nos salões de festa da classe média, cheios de cabeludos que não pegavam ninguém e saíam chapados cantando "from whom the bell tolls!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Essas memórias de Paty são no fundo falta de espelho. Quem sou eu, afinal?&amp;nbsp; Dos amigos antigos a gente costuma fazer agrupamentos, como no messenger. Só que não é por faculdade, escola, firma ou família. É pelos brothers, os brothers que foram para o lado negro da força, as pérolas e os nulos. As pérolas têm uma escala que varia dos que foram brothers por um curto período até os que eram conhecidos dos corredores, não amigos, mas interessantes. E os nulos são os nulos. É mais que zero. São como as barras de ouro do Silvio Santos.&amp;nbsp; Valem mais do que dinheiro.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Encontros de amigos antigos, virtuais ou não, são deliciosos e cruéis. Algumas gostosas continuam gostosas, outras barangaram. Algumas feinhas melhoraram e lamentamos as chances perdidas. Tem espaço até para amores autênticos, livres de julgamentos, não prosperaram. Cheios de antigos namoros e beijos hoje constrangedores na rede. Piadas internas mil. E quem lembrou da Paty? Meu Deus! Hoje basta alguns cliques no curtir e adicionar! Onde está você, Paty, que não respondes, não tuíta, no reply? Morro de curiosidade de saber como estão aqueles cabelos, nem lisos nem crespos, nem presos nem desarrumados. Hoje posso dizer sem medo: queria ter a Paty, sensual e peladinha, mais do que sempre quis a Daniela morena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois de meio velho, visto quase tudo, as taras ficam mais exigentes. Queremos surpresas, reações inesperadas. Se Daniela morena aparecesse aqui hoje, na minha casa, por um milagre, cheia de recordações e de tesão, eu provavelmente não teria nada a oferecer. Um pinto médio, uma carreira razoavelmente bem sucedida, um apartamento meia-boca, um carro com quatorze prestações a pagar e uma vontade de conhecer Rondônia e tocar clarinete tão grande quanto a te trepar.&amp;nbsp; Sabe quem eu quero de verdade? A Paty. A Paty nula. De sutiã rosa, calcinha roxa de rendinha, brinquedos eróticos, lubrificantes e sabe-se lá o que mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E o pior. Falta a revelação. (Seria no meio do orgasmo, prolongando-o). Paty nula não veio à Terra para anular. Veio para nos redimir de dois mil e onze anos de fé. Nunca entendi a mensagem de humildade do cristianismo, de um Deus nos enviando seu filho carismático, milagreiro, popular. O meu verdadeiro Deus enviaria a Paty nula. Comum, insignificante, despercebida, sem ambições. Eu, por um milagre, lembraria dela como hoje. E faríamos de tudo, na cama, na mesa, no banho, sem pudores, até a a grande revelação. Eu, Paty nula, sou quem você sempre quis. E você, Paty nula, é o verdadeiro filho de Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-5180453536429162644?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/5180453536429162644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=5180453536429162644' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/5180453536429162644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/5180453536429162644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2011/07/paty-nula.html' title='Paty nula'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-4252066591845768994</id><published>2011-06-30T19:05:00.000-07:00</published><updated>2012-01-26T14:45:13.708-08:00</updated><title type='text'>Os gênios também vão ao banheiro</title><content type='html'>&lt;div&gt;Sabe aquele velho chavão do "se você se sente inferior à Gisele Bunchen, imagine que ela está no banheiro fazendo um cocozinho?" Pois é, todo mundo faz uma cagada de vez em quando. Esta idéia está no meu colo desde a compra de um livro no aeroporto do Rio, antes de voltar pra casa no último feriado. Chama-se "Guia politicamente incorreto da história do Brasil", do jornalista Leandro Narloch. Quase deixei de comprar quando vi que ele era ex-repórter da Veja, mas a orelha me convenceu. O livro é divertido especialmente para um neoliberal como eu. Vai na toada "Zumbi também tinha escravos", "Santos Dumond não inventou o avião", "João Goulart favoreceu as empreiteiras". Mas o capítulo lido ontem me proporcionou uma deliciosa epifania. Nunca antes na história deste blog eu colei um trecho de outro autor. Mas ele traduziu em palavras com perfeição um incômodo presente desde minha infância: o ódio por desfiles de escola de samba. Finalmente entendi o porquê. Foi a formiguinha tirando o espinho do pé do elefante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"(...) Na maior parte da história do Brasil, o carnaval foi uma algazarra deliciosamente sem noção. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas suponha que, de repente, um ditador bem metódico, militar e fascista, um ditador como o italiano Benito Mussolini, (...), tivesse o direito de regular essa bagunça para torná-la orgulho da nação. Como seria o Carnaval organizado por Mussolini?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagino que não haveria personagens trocados, arremessos de bola de cera ou guerrinhas d'água. Como em um desfile patriótico, os carnavalescos marchariam em linha reta, com tempo metodicamente marcado para cada evolução. Passariam diante das autoridades do governo e de jurados que avaliariam a disciplina, o figurino e a média de acertos dos grupos, dando notas até dez. A organização do Carnaval permitiria apenas músicas edificantes e patrióticas. Para ressaltar a pátria e deixar de fora a influência estrangeira, a melodia só poderia ser executada por instrumentos considerados da cultura nacional."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa fiquei pensando como seria se eu escrevesse o "Guia politicamente incorreto do cinema americano". Pegaria meus diretores favoritos (Kubrick, Spike Lee...) e sairia em busca de panos para manga. O capítulo mais fácil seria o de Tim Burton. Ainda sou fã, seus acertos superam os erros de longe na balança. Mas ele conseguiu, com a ajuda da Disney, avacalhar duas das histórias mais queridas da minha infância. A primeira é o filme "A fantástica fábrica de chocolate" ("Willy Wonka &amp;amp; The Chocolate Factory" - 1971). Quando era pequeno, lá no velho edifício Ajaccio, no Paraíso, tinha um amigo chamado Guilherme. Sua família passava por vacas gordas e foram os primeiros do condomínio a ter computador e vídeo-cassete. Naquele aparelho de duas caixas, do tamanho da estante inteira da sala, provavelmente assistimos juntos esta versão original do filme, gravado da Sessão da Tarde, estrelado pelo genial Gene Wilder, umas trezentas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5624432420144759554" src="http://3.bp.blogspot.com/-lI69Bn8GMJ4/Tg3_fJHrQwI/AAAAAAAAAMY/K3NHzTtm7_k/s400/fantastica_fabrica.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 286px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 360px;" /&gt;&lt;i&gt; Gene Wilder e os Lumpa-lumpa&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;De fato, a magia do filme começa pelo próprio Gene Wilder. Ele me lembra da diferença entre um comediante e um cômico. Quando Ronald Golias morreu, o fato foi comentado na rádio CBN por Herédoto Barbeiro, Xexéu e Carlos Heitor Cony. Este explicou a diferença. Um comediante é um ator que, para fazer comédia, depende de um ótimo texto e dos companheiros de cena. Já o cômico é engraçado por si só, basta aparecer. É o Chaplin. Para mim, basta lembrar do Didi com peruca de Maria Bethânia para rir sozinho. Ou de Gene Wilder pelado no quarto com Kelly LeBrock, cobrindo o pinto com o travesseiro de seda branco, em "A dama de vermelho" ("The woman in red" - 1984) . Sem contar sua interpretação no romance com a ovelha em "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar". Dispensa comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/SCK45UJjjDQ" width="425"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dididibetânia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas outras coisas fazem da "Fantástica fábrica" um filme inesquecível. Sempre me fascinou a quantidade de mistérios que ficam em aberto. Quem era Willy Wonca e como criou a fábrica mágica de chocolate? Quem são os lumpa-lumpa, anões de cabelo verde, antipáticos e transmissores de lições de moral musicadas? O que vai acontecer com as quatro ciranças mimadas? Morreram, ficaram aleijadas para sempre? O que vai acontecer com a fábrica quando Charlie assumir? O filme termina com todas essas maravilhosas questões em aberto, cumprindo o papel primordial de um filme infantil: dar asas à imaginação, provavelmente o chavão mais repetido e menos (decentemente) cumprido da história da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que Tim Burton foi mexer com o que não se mexe. Ele deveria ter feito como meu amigo Fábio Simplício, o "Minas", quando dizia com seu jeito de mineiro do brejo: "Não vou mexer com isso não...". Quando um cidadão como Milton Nascimento grava uma música como "Beatriz", qualquer outro cantor tem que pensar quatorze vezes antes de gravar a dita cuja. Pena que o mundo seja cheio de Anas Carolinas. Burton, não satisfeito em criar uma versão mais chata, vomitando tecnologia e com músicas piores, resolveu acabar com o melhor da primeira versão: os mistérios. Primeiro, Burton teve a brilhante idéia de explicar a origem dos lumpa-lumpa. Criou um país ridículo e inúmeras justificativas. E colocou a cereja no bolo. Depois do sofrível Willy Wonca de Johnny Deep entregar a fábrica para Charlie, o diretor resolveu explicar a origem do personagem. O criador da fábrica dos chocolates mais gostosos do mundo só surgiu porque seu pai era um dentista neurótico que nunca o deixou comer doces. Gênio! Esfaqueou meu filme preferido de criança com uma dose letal de psicologia de botequim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor do que ler tudo o que escrevi, é perceber que Burton esqueceu de prestar atenção na letra da música do vídeo abaixo. Chama-se "Pure imagination".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Hold your breath, make a wish, count to three&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Come with me&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;and you'll be&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;in a world of pure imagination&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Take a look&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;and you'll see&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;into your imagination &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;We'll begin &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;with a spin &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;traveling in the world of my creation &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;what we'll see&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;will defy EXPLANATION&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RZ-uV72pQKI"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=RZ-uV72pQKI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A melhor cópia do youtube não deixa incorporar no blog)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Disney e Burton ainda não estavam satisfeitos. Afinal, avacalhar um filme relativamente bem-sucedido de 1971 não era lá essa coisas. O pessoal resolveu mexer com a mais notória obra de magia e loucura da literatura infantil. "Alice", obviamente. Confesso que comecei a ver o filme empolgado, principalmente depois de descobrir que a atriz principal era a australiana de origem polonesa (segundo o Wikipedia) Mia Wasikowska. A primeira vez que a vi foi na série da HBO "In treatment" (recomendo fortemente). Confesso que ela me fez chorar muito mais do que um machão de trinta e muito poucos anos deveria. Mas, eis que senão quando (como dizia o velho Lessa), a história me vem com mais uma explicação. Aquela Alice mais velha cresceu pensando que sua primeira aventura, aquela do livrinho de Lewis Carroll, não passou de um sonho e agora ela voltou com a missão de liderar as forças do bem do país da maravilhas contra as forças do mal. Gênios! Gênios duplos! Lewis deve ter virado um peão no túmulo. Burton e a Disney transformaram sua obra no supra-sumo da mediocridade: o maniqueísmo estadunidense. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5624435717011523954" src="http://2.bp.blogspot.com/-bEeShy1w8P8/Tg4CfC59yXI/AAAAAAAAAMg/5Y2QmugpXL0/s400/84463.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 307px;" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Nem mesmo a linda e talentosíssima atriz Mia Wasikowska salvou a "Alice" de Tim Burton.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que deu por hoje. O primeiro capítulo deste compêndio já está pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Saquei momentos depois de publicar. O filme faz 40 anos este ano! Então fica um parabéns duplo para duas pessoas que eu amo muito e que se tornaram quarentonas este ano: Willy Wonca e minha irmã, Juliana Lessa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-4252066591845768994?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/4252066591845768994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=4252066591845768994' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/4252066591845768994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/4252066591845768994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2011/06/os-genios-tambem-vao-ao-banheiro.html' title='Os gênios também vão ao banheiro'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-lI69Bn8GMJ4/Tg3_fJHrQwI/AAAAAAAAAMY/K3NHzTtm7_k/s72-c/fantastica_fabrica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-1234310291285315934</id><published>2011-04-14T19:58:00.000-07:00</published><updated>2011-04-14T20:00:12.505-07:00</updated><title type='text'>Avatares no poder</title><content type='html'>Estou me convencendo de que o segredo da felicidade é ficar sem notícias. De todos os tipos, do jornal nacional, do Realengo, da Líbia e do vizinho. Até da família. Invejo tanto hoje os filmes onde um cavaleiro destemido saía pelos Pirineus para levar ao  barão  a notícia  da tragédia. Vinte dias ou mais. Estou com fobia de ligar a televisão de manhã, enquanto passo o café. E de ligar o rádio do carro no caminho ao trabalho. Cada vez mais não quero saber quem morreu, quem foi estuprado, quem roubou, quem chacinou crianças. Prefiro fingir que vivo numa fazenda no meio do nada e o Banco Central é simplesmente a vaca que tenho de ordenhar para prover meu suste­­­­nto. Quem sabe assim tomaríamos menos remédios, teríamos menos dor de cabeça e teríamos mais tempo para apreciar o genuinamente inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    E a carência afetiva, que em mim cresce irônica com o tempo, se confunde com a consciência da liberdade, a certeza de que, uma vez superadas as restrições financeiras, praticamente não existem limites, mesmo com as restrições ao crédito impostas pela instituição em que eu mesmo trabalho... O crédito é a mágica de pagar um preço para usufruir hoje o prazer antes possível apenas no futuro. Mesmo custando 11,75% ao ano (mais o spread bancário), parece baratíssimo diante do bombardeio diário de notícias. Quem vai se preocupar com o endividamento diante da possibilidade de ser esfaqueado no meio do supermercado, enquanto se escolhe a marca do macarrão? Ou diante da constatação óbvia de que, ao ver a Dilma reunida com os outros quatro represantantes das economias emergentes, nosso planetinha não vai aguentar o tranco de mais dois bilhões e meio de pessoas comprando Ipads, carros e comendo três hambúrgueres picantes por dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Dizem que Deus deu resignação ao meu pobre coração, mas ela não me consola, e acordo ansioso todos os dias, querendo uma coisa que não existe e não sei o que é. Não passo um dia sem viajar que o que eu vejo na verdade não existe, eu sou um software controlado em algum lugar por um outro perdido como eu que também liga seu videogame e foge da própria realidade. Talvez seja um Deus apenas, ou talvez ele empreste o jogo a um amigo do lado e esse outro Deus decida mudar o rumo da missão. Essa troca seria o livre arbítrio. Um pensamento terrível, mas que pelo menos me isenta de responsabilidade pelo noticiário diário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Morar em Brasília, mesmo que a pessoa seja apenas um motorista de ônibus ou um mendigo, passa a sensação intensa de estar mais próximo do poder. Poder é a capacidade de alterar a realidade de maneira mais intensa, mudar de um jeito que transcende a própria vida. Ter poder é alterar a vida das outras pessoas. Quando visitei o Congresso Nacional, fiquei profundamente decepcionado com o tamanho da sala da câmara dos deputados. Desde pequeno, quando acompanhei pela televisão a vitória de Sarney sobre Maluf, tinha a imagem de uma sala circular colossal, imponente, onde multidões de debatedores decidiam o futuro do país. Quando lá entrei, vi uma saleta de merda, cheirando mofo, com botões com cara de década de setenta nas bancadas. Pensei: "Porra, foi aqui que o Ulysses falou 'Viva a democracia, viva o Brasil!'"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Talvez seja a mesma sensação da criança que acha um lugar enorme e, depois de lá voltar anos depois, acha normal ou pequeno. Essa foi a sensação que tive ontem, quando acompanhei minha amiga Louise no lançamento da autobiografia do Maílson da Nóbrega, escrita por ela em parceria com o biografado. Quando José Sarney chegou para pegar seu exemplar, fiquei surpreso ao ver aquele velhinho, frágil, sozinho, chegando na livraria Cultura para pedir seu autógrafo. Claro que era ilusório. Mas Sarney é um tremendo dum avatar. Aquela carcaça é frágil, mas ele consegue operar corpos, mentes e todo tipo de movimento para fazer o que quer. Brasília torna mais clara a constatação de que as pessoas que estão no poder são tão medíocres e frágeis quanto qualquer um de nós, provavelmente muito mais... E acho que não é tão difícil assim chegar lá. Concordo com meu amigo Rennó quando diz que os que não gostam de política estão fadados a obedecer aos que gostam. Só por isso não perco a esperança na internet e mantenho este blog. Ao mesmo tempo que me bombardeia de neuroses, acredito que seja um instrumento para se chegar ao poder, e para desmistificar essa caminhada a ele. Mesmo que seja tudo uma ilusão, uma passagem do software de um jogador para outro, que por suas vezes são avatares de outros e assim pode ser que seja o Universo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-1234310291285315934?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/1234310291285315934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=1234310291285315934' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/1234310291285315934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/1234310291285315934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2011/04/avatares-no-poder.html' title='Avatares no poder'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-5228949292764722183</id><published>2011-02-27T16:37:00.000-08:00</published><updated>2011-05-16T11:55:21.274-07:00</updated><title type='text'>Rush</title><content type='html'>A música faz parte torta da minha vida. Desde pequeno aprendi a gostar de tudo. Minha mãe sempre tocou violão de uma maneira muito pessoal, espontânea, intensa, amplificada por sua voz grave e poderosa. Uma das memórias mais fortes da minha infância é uma gravação linda que ela fez da música "Folhetim" do Chico. A frase "Se acaso me quiseres sou dessas mulheres que só dizem sim" me assombrou de uma maneira saudável por anos a fio. O velho Lessa também era músico, tinha ouvido absoluto. Reza o papeado familiar que a Dona Marina Mendes Leite, uma das mais conceituadas professoras de piano de São Paulo, quis tirá-lo da escola ainda pequeno para que ele se dedicasse exclusivamente ao instrumento. Meu avô não deixou. Talvez a repressão familiar ao exercício das artes inflingida aos dois em algum, ou alguns, pontos da vida me deram a oportunidade de conhecer as mais diferentes formas de música na coleção de vinis que até hoje habita o armário de cortiça da rua Afonso de Freitas. E também de estudar o instrumento que quisesse, na hora que bem entendesse. Passei por inúmeros professores, instrumentos e escolas, todos excelentes. Mas, como diria Salieri ao crucifixo pregado na parede de seus aposentos num dos meus filmes preferidos (Amadeus, de Milos Forman), Deus não me presenteou com o talento de Mozart. Aliás, com o talento de ninguém. Pelo menos para a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" src="http://www.youtube.com/embed/-ciFTP_KRy4" frameborder="0" width="640" height="390"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amadeus é um filme de 1984. Portanto, Salieri me ensinou muito cedo o quanto é doloroso abrir mão de algo que se ama e que não te ama de volta. Tal como ele , não esmoreci e fui em frente. No Colégio Bandeirantes fiz os amigos que tenho perto até hoje. Muitos gostavam de música e tocavam também. Tocamos muito violão no "borrachão", o antigo pátio da escola onde um dia se dormiu durante aulas cabuladas e tocou-se Metallica e Red Hot Chilli Peppers. Hoje a admistração tucana transformou o borrachão numa quadra de futebol de salão como outra qualquer. Sorte dos pais leitores da Veja. Tive bandas durante e depois desse tempo. Hoje finalmente desisti. Conversei sobre isso com o Rennó recentemente, quando ele me visitou aqui em Brasília no final do ano passado. Ele é baterista e fez parte dessa história toda. Disse a ele que chegou a hora da resignação. Que na minha opinião, daquela turma, só Giana e Alan foram abençoados pelo talento. Nós outros somos, em maior ou menor grau, Salieris. Aí o Rennó retrucou com razão que isso não era motivo pra parar de tocar. Concordei. O mundo não é feito de Mozarts. Não é à toa que o filme "Amadeus" termina com Salieri abençoando e redimindo todos os medíocres do mundo. O mundo pertence a eles, quão melhor estaríamos se assim não fosse? Parar de tocar pra mim foi, antes de um exercício de vaidade, uma tentativa de encontrar o que me faz feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegar na explicação do titulo desta postagem, preciso dizer que deixar de tocar instrumentos não significa deixar de gostar de música. Mais especificamente de ouvir música. No mundo de hoje a música virou um "fundo". Uma coisa que fica atrás, segundo plano. Mesmo tendo sido sempre um músico medíocre, ficava puto naqueles momentos da festinha ou do churrasco em que um amigo bêbado sacava um violão e gritava "Aí, galera, agora o Iatã vai tocar um violão pra gente!". Dez segundos depois tava todo mundo berrando, xavecando a mulher do lado e ignorando completamente o que eu estava fazendo. Em resumo, queriam que eu ficasse fazendo "fundo musical". Pô, se é assim, bota um CD. Sempre que eu dizia isso me tachavam de estressadinho e estrela. Eu respondia: Ou você senta aí de perninha cruzada, fica escutando ou canta junto, ou não me encha a paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de comportamento me faz entender porque só hoje, com quase trinta e cinco anos, eu começo a entender, com profundidade, algumas músicas que eu escuto desde a adolescência. A gente não foi educado pra entender música, só pra ouvir, preferencialemente de fundo pra outra atividade. Isso vale pra qualquer forma de arte, obviamente, mas no meu caso a música deu a epifania. Tenho ouvido muito Rush, uma banda de rock progressivo canadense que o George, o Peter e a Giana me fizeram gostar nos tempos do Bandeirantes. Nunca me esqueço de um dia na casa da Giana, eu devia ter uns dezesseis anos, estávamos estudando para alguma prova e num dos inúmeros intervalos para descansar, o irmão dela nos chamou para ouvir um disco do Rush. Ela, com seu talento Mozartiano, me mostrava como cada parte tinha um andamento diferente, as mudanças de intensidade, como a bateria respondia a cada momento da proposta da música. Esse dia não saiu da minha cabeça porque, quando fiz um curso de escrita criativa em São Paulo, a professora colocou alguns vídeos e trechos de filme para explicar a importância (ou não, para os modernosos) da fórmula introdução-desenvolvimento-clímax-conclusão num conto ou romance. Nessa hora eu lembrei da "YYZ" do Rush, dos meus amigos, da adolescência e de como aquele final de solo da música, para quem sabe apreciar, pode ser um clímax maravilhoso. Dependendo da parceira, até melhor do que o do sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" src="http://www.youtube.com/embed/3-2fKi9Zu5o" frameborder="0" width="480" height="390"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Postagem em homenagem ao amigo Caio Macedo Carvalhal, um dos maiores fãs do Rush que o Colégio Bandeirantes já conheceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-5228949292764722183?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/5228949292764722183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=5228949292764722183' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/5228949292764722183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/5228949292764722183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2011/02/rush.html' title='Rush'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/-ciFTP_KRy4/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-8207869959957213006</id><published>2011-01-22T16:40:00.000-08:00</published><updated>2011-01-28T10:59:25.890-08:00</updated><title type='text'>Epístola ao Sr. Lovric</title><content type='html'>Prezado Sr. Lovric,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho por meio desta, humildemente, mandar um muito obrigado.&lt;br /&gt;Nesta noite solitária de sábado, aqui na região nova-rica da capital federal, finalmente encontrei a serenidade para me suportar, abrir meu novo lap-top, devidamente financiado pela generosidade do governo federal, e ler as coisas que realmente importam. Leia-se a leitura: o meu próprio blog, o seu, as letras de música do Rush e do Pink Floyd, o Tchecov, o Shakespeare, e tantas outras manifestações de pessoas que emprestam sua testa ao que dá a esta nossa existência um mínimo de sentido.&lt;br /&gt;Você, Sr. Lovric, tinha tudo para ser um mero amigo de um amigo. Como naquele episódio do Seinfeld em que o George se desespera ao perceber que teria de ir sozinho ao cinema com a Elaine. Alguns amigos de amigo só funcionam com a presença do amigo. Sem o dito, desespero certo. Felizmente, ao invés de pedirmos um sanduíche de atum numa cafeteria e ficarmos falando mal do Mendes (como fizeram Elaine e George com o Seinfeld), construímos uma grande amizade baseada em poucos encontros e enorme empatia.&lt;br /&gt;Seus personagens, o Capitão São Paulo, o Gílson e, especialmente o Jimmy Jazz, seu alter ego, papel de parede deste meu lap-top, me mostraram que é muito fácil soltar nossa criatividade para o mundo. Requer um esforço espiritual, é certo, mas poucos recursos materiais. Eu vi o óbvio, por sua causa: é quase uma obrigação fazer isso. Com tanta gente, com tanta grana, fazendo tanta merda, plantar nossas hortinhas certamente fará o mundo respirar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais, subscrevo-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iatã Lessa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendeu? Entre no túnel do tempo do Blog Show: &lt;a href="http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/03/mudanca-de-proposta.html"&gt;http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/03/mudanca-de-proposta.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A réplica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fala.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Muito me alegra, a epístola, por motivos diversos. O primeiro, por aprender que lograste êxito em conceber a simples equação da paz de espírito: fazer o teu negócio, independente de qual seja e de resultado. Em rápida análise, qual energia pode fazer melhor ao universo que a de um corpo que faz bem o seu trabalho?  Pode-se discutir que alguns destes corpos ou desse trabalhos sejam caóticos, mas ainda assim, o universo não é ying e yang, como antigos perceberam há incontáveis milênios? Logo, a única energia realmente negativa provém da inação, que em nosso tempo, se apresenta em forma de submissão à sociedade de massas e sua intolerável boçalidade.  Já  houve outro demônio que excercesse seu domínio entre tantos, em simultâneo ?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; Muito me alegra também saber que Larry David e Jerry Seinfeld fizeram seu trabalho bem a ponto de permitir que alguém nascido no Paraíso e residindo no planato tomasse a obra como paralelo para sua vida. Nada mais claro para demonstrar que apesar dos nosso azares, a sorte também sorri, e nos afasta de nos tornarmos Constanzas, destino ao qual a maioria, pela pequenez de espírito, também sucumbe. É difícil conhecermos almas dotadas de empatia, mas todos as havemos, e saber cultivá-las é que faz a diferença.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; Segue trabalho inédito do Capitão São Paulo. Não imagino ninguém cuja opinião pudesse ser mais valiosa. Importante que saiba que,estou disposto e esperar o feedback tanto quanto necessário. Dias, meses ou anos. Temos tempo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; Asseguro tudo está sendo feito para dar vida ao Capitão, Gilson e Jimmy o mais breve possível. Acontecerá. Talvez em meses ou anos. O importante é que o comprometimento seja diário, como tem sido.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como dizem mais ao leste de onde nascemos: "É nóis! "&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;L&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-8207869959957213006?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/8207869959957213006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=8207869959957213006' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8207869959957213006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8207869959957213006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2011/01/epistola-ao-sr-lovric.html' title='Epístola ao Sr. Lovric'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-2424821171840133125</id><published>2011-01-15T14:24:00.000-08:00</published><updated>2011-02-27T14:04:19.995-08:00</updated><title type='text'>Brasília, segundas impressões. E as praças</title><content type='html'>Aqui da minha nova janela se vê uma praça. Quando aluguei esse apartamento tive uma sensação ruim de estar alugando uma coisa brega e cara. Mas em Brasília tudo é muito: a gasolina, o aluguel, os imóveis, o supermercado, o almoço e o descaso. O preço aqui independe do bom gosto. Para um paulistano convicto, filho de um maluco que adorava levar o filho pequeno ao centrão e mostrar ao vivo toda aquela realidade "blade runner" da praça da república, Brasília causa um estranhamento. Ao contrário de São Paulo, Brasília não surgiu da economia, não evoluiu das fazendas de exportação de café. Foi evocada pela política, com muito cimento e nenhuma calçada. Pedestre aqui é barata. Uma das minhas neuroses desenvolvidas após os 34 anos é o medo de ser atropelado e ser obcecado por atravessar somente nas faixas de pedestre. Isso talvez explique o fato de eu ainda não ter visitado o memorial do Juscelino, aqui pertinho de casa. Tenho preguiça de pensar no caminho a seguir a pé e medo de pegar carrapato nos resquícios de cerrado que ainda sobrevivem no Sudoeste, a Barra de Brasília. É isso mesmo, o Sudoeste está pra a Asa Sul assim como Ipanema está para a Barra. E como a Barra Funda está para o Paraíso. E como o meu leitor está para quem implora pelo fim de analogias citadinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A praça do meu condomínio ainda é o que o mais me fascina. São Paulo não ajuda a incorporação das praças no imaginário. A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim só fariam sentido se fossem o mesmo cheiro de mijo, os mesmos canteiros toscos, o mesmos mendigos e o mesmo correio fechado com portas de aço rolante. A minha praça é a de Lages, em Santa Catarina, onde meu avô caminhava diariamente para encontrar seus pares e comprava o Estadão, que só chegava depois das três da tarde. No dia em que eu passei no vestibular ele desfilou aquele jornal até cansar. Justo, para isso servem as praças. Para encontrar os amigos, os vizinhos, conversar e sorrir. Quando anunciei que me mudaria pra o Sudoeste me alertaram: aí é lugar de madames e seus encontros de cachorrinhos de estimação. Talvez seja mesmo. Mas por enquanto estou gostando de ver a criançada brincando da janela. Fazem pouco barulho, como todo mundo em Brasília. Aqui o silêncio é mais valorizado. Um sonho que em São Paulo não existe mais. E as crianças, de longe, me dão uma paz duvidosa. Ao mesmo tempo que ajudam a esquecer a frustração de não ter tido filhos, também me lembram que criança de longe é uma delícia. Vai criar pra ver o que é bom. E aí me iludo achando que a minha vida é boa como está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As praças de Brasília transcendem o conceito. Aqui dá pra ver o horizonte e tudo pode virar uma praça. Pena que num lugar que teve quatro governadores em seis meses fica óbvio o descaso. As gramas altas, o descuido com o lixo. Por mais lindo que seja ver o eixo monumental -  essa foi a minha impressão ao visitar Brasília nos tempos de faculdade, num ônibus cheio de molecada chapada e curtindo a balada - agora como novo cidadão brasiliense, não posso deixar de ter uma certa raiva do Niemayer e Lúcio Costa. Estou determinado a ler mais sobre o assunto, tentar entender o que pensaram na época. Será que a empolgação do Juscelino com a indústria automobilística foi suficiente para convencê-los de que todo peão de obra teria um fusquinha em 2010? Nos primeiros dois meses por aqui estava sem carro e escrevi para o meu primo Edison: "Andar a pé em Brasília é como dirigir um Galaxy naqueles calçadões do centro de São Paulo. Pelo menos não dá multa. Ainda.".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, talvez eu esteja sendo injusto com os idealizadores de Brasília. Pensar uma cidade ampla, com espaço entre os prédios e as coisas longe umas das outras não é nada mal. Falta transporte público decente. É muito legal vir pra casa e ver um gramado sem fim dos dois lados da avenida. Especialmente pra mim que vivi num bairro onde cada centímetro era disputado a tapa. Já escrevi nesse blog a origem do meu ódio pelo barulho. Sempre houve uma obra por perto da minha casa, um barulho insuportável e um total desrespeito pelo descanso alheio. Mais legal ainda é pegar o carro e ir pra Goaiânia ou para Alto Paraíso, uma das cidades da Chapada dos Veadeiros. O GPS fica branco à esquerda e à direita. Totalmente vazio. Dá uma sensação maravilhosa, ver que o mundo ainda tem lugares vazios, a música da Terra ainda tem pausas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS1: Não tinha conseguido escrever nada desde que cheguei aqui. Esta postagem não está lá grande coisa, mas pelo menos saiu. O planalto central está começando a tomar conta de mim. Me lembrou do que a minha irmã me disse. Da importância de criar uma relação afetiva com tudo, com os lugares, com as pessoas, com as ruas, com as histórias. E com as praças, que espero nunca ver dar lugar aos arranha-céus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS2: Postagem em homenagem ao tio Bilo, uma das pessoas mais queridas que já conheci e que talvez não leia essa postagem hoje, mas certamente lerá em breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-2424821171840133125?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/2424821171840133125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=2424821171840133125' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2424821171840133125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2424821171840133125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2011/01/brasilia-segundas-impressoes-e-as.html' title='Brasília, segundas impressões. E as praças'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-4774891568460350926</id><published>2010-08-08T23:45:00.000-07:00</published><updated>2010-08-17T20:30:58.214-07:00</updated><title type='text'>O "amor" e o Doce de Côco</title><content type='html'>Ah! O “amor”. Quando eu saí de casa para “morar sozinho”, vivi várias histórias. Eu pus estas aspas porque o morar sozinho é irônico. E o amor também. Óbvio que quem bancava no final das contas ainda era o velho Lessa. Este pai querido que sempre me assombra nas crônicas deste blog. Mas hoje ele tem direito, é dia dos pais e eu senti saudade daquele que insistia na tese de que as datas comemorativas são uma conspiração das Casas Bahia. Se vivo estivesse, estaria em seu quarto lendo o Estadão, criticando o governo, a carga tributária, o Edir Macedo e fingindo não saber que dia é hoje. Uma assombração justa. Esta história de morar sozinho começou na rua Capote Valente, em Pinheiros, o primeiro apartamento que o velho comprou ainda jovem, financiado pela Caixa em não sei quantos anos. Ali começaram as minhas estripulias estudantis. Ali tomou corpo o sonho de sessão da tarde. A Capote tem várias histórias interessantes, mas vão ficar para outro dia. O tema de hoje é o “amor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos amigos que compartilharam comigo aquele espaço auspicioso foi o Rodrigo Barros, popularmente conhecido como Portú. Uma figura ímpar, inteligência inata, nada intelectual. Um cara com quem se conversa profundamente sem a necessidade de livros ou referências. O Portú, assim como muitos outros amigos, me chamava de “Tai”, abreviação de “Taiwan”, corruptela dantesca de meu maravilhoso nome Tupi-Guarani. Uma das inúmeras piadas internas por nós desenvolvidas nos anos de convivência foi a “Teoria da crença no ‘amor’”. Vira e mexe o Portú me perguntava: “E aí, Tai, o pessoal continua a acreditar no ‘amor’?”. Era uma pergunta retórica, humorística, cotidiana, mas vinha grávida de um conteúdo filosófico e perturbador. Como se o “amor” tivesse virado Coelhinho da Páscoa. No fundo ele perguntava se valia a pena colocar em risco tudo aquilo que nós estávamos tentando construir, trabalhando dez horas por dia e chegando em casa exaustos, sem contar as tentativas de resolver à noite as pendengas da família, por um “amor”. A palavra perdeu a poesia, perdeu a literatura. O “amor” virou um gráfico de risco x retorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Portú se foi, seguiu sua vida, eu fiquei na Capote por mais um tempo e lá vivi o meu grande “amor”. Uma história extraordinária, renderia quatrocentas páginas se eu fosse o Flaubert. Eu poderia descrever o deslizar lânguido das camisolas rosadas, o perfume inefável dos travesseiros amassados, só que eu nasci em São Paulo e o barulho dos vizinhos e o meu vício em videogame acabaram impactando o “amor”. Isso entre tantas outras coisas que não são para se escrever em blogs, coisas que são das nossas histórias e das nossas neuroses. Mas o fim da relação me fez voltar à pergunta capciosa do Portú muitas e muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica fácil não acreditar mais no “amor” após alguns meses de terapia. Lá destrinchamos todos os motivos, todas as incompatibilidades intelectuais, todos os egoísmos, todas as incompreensões. Obtemos as justificativas. Me lembro do tempo que morei em Jaguariúna. Sempre que estava voltando pra lá ouvia o programa do Doutor Gikovate na CBN. As questões sobre relacionamento faziam o maior sentido. Realmente vivemos num mundo muito individualista e as aspirações egoístas tem que ter seu espaço, sua voz, essa foi a opção que eu fiz e eu tenho todos os argumentos do mundo para ficar sozinho e feliz. Tudo isso é muito legal, mas esqueceram de avisar os poetas e os cantores. A gente às vezes chega em casa meio bebum e escuta uma música assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8gknccVn7B4?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8gknccVn7B4?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Doce de Côco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Venho implorar&lt;br /&gt;Pra você repensar em nós dois&lt;br /&gt;Não demolir&lt;br /&gt;O que ainda restou pra depois&lt;br /&gt;Sabes que a língua do povo&lt;br /&gt;É contumaz, traiçoeira&lt;br /&gt;Quer incendiar, desordeira&lt;br /&gt;Atear fogo ao fogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu, sabes bem&lt;br /&gt;Quantas portas tem meu coração&lt;br /&gt;E os punhais cravados pela ingratidão&lt;br /&gt;Sabes, também, como é passageira essa desavença&lt;br /&gt;Não destrates o amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o problema é pedir, implorar&lt;br /&gt;Vem aqui, fica aqui&lt;br /&gt;Pisa aqui neste meu coração&lt;br /&gt;Que é só teu, todinho teu&lt;br /&gt;E o escorraça e faz dele de gato&lt;br /&gt;E sapato&lt;br /&gt;E o inferniza&lt;br /&gt;E o ameaça pisando, ofendendo&lt;br /&gt;O desconsiderando,&lt;br /&gt;O descomposturando, com todo vigor&lt;br /&gt;Mas se tal não bastar&lt;br /&gt;O remédio é tocar&lt;br /&gt;Este barco do jeito que está&lt;br /&gt;Sem duas vezes se cogitar&lt;br /&gt;Doce de côco,&lt;br /&gt;meu bom-bocado&lt;br /&gt;meu mal pedaço&lt;br /&gt;De fato, és um esparadrapo&lt;br /&gt;Que não desgrudou de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Música de Jacob do Bandolim / Letra de Hermínio Bello de Carvalho)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interpretação é da Giana, uma amiga muito querida com quem eu estive essa semana e me inspirou essa postagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-4774891568460350926?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/4774891568460350926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=4774891568460350926' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/4774891568460350926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/4774891568460350926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/08/o-amor-e-o-doce-de-coco.html' title='O &quot;amor&quot; e o Doce de Côco'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-2783280151206671299</id><published>2010-07-25T14:20:00.000-07:00</published><updated>2010-07-26T23:14:16.761-07:00</updated><title type='text'>Jornalismo do futuro</title><content type='html'>O alvorecer de nossa sociedade democrática e pujante na economia terá, além do sol e da lembrança de um galo distante, programas femininos recheados de salsinha, mandioquinha e entrevistas ao vivo com parentes de advogadas assassinadas. Algumas vezes darão indigestão, mas logo nos acostumaremos e entenderemos, gratos, o privilégio de estar vinte e quatro horas por dia em busca da verdade. Vivendo o intenso processo investigativo, verificando provas eletronicamente em três dimensões, olhando nos olhos do assassino e comprovando seu cinismo, parando um pouquinho para anotar a receita do salmão italiano, assistindo acareações on-line e - o supra-sumo - emitindo nossos pareceres nos micro blogs e redes sociais. Logo abaixo, cinco minutos depois desta  twitada: “Hum! O salmão está ó-te-mo!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalismo tornará obsoleta a idéia do confinamento, esta experiência incipiente dos programas de entretenimento. É simples: nós todos seremos tudo. Não apenas chefs ou magistrados. Jornalistas também. A busca da verdade sobre todos requer a investigação universal. Seremos todos tratados como celebridades. Liberdade, igualdade e (uma certa...) fraternidade. Não importa se é um goleiro assassino ou um tirador de meleca do nariz. Fez? Nós saberemos, publicaremos, comentaremos e retwitaremos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seremos tudo, exceto censores. Alguns anos à frente a memória da ditadura militar estará menos fresca. Contudo, não menos contundentes serão seus descendentes. Politicamente corretos, religiosos, moralistas ou mesmo cidadãos sensíveis a um pouco de humilhação pública. Os novos cerceadores brigarão inutilmente contra a tão esperada e brigada  redenção latino-americana. Os tentáculos comunicativos e libertários  crescerão e criarão novos profissionais aptos a comentar tudo sem a ameaça da medição de conseqüências. Todos serão suscetíveis: ex-comunistas, liberais, esquerdistas, direitistas, diagonais, indecisos, dilmistas, indiodacosistas. Enfim, a liberdade de expressão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalismo do futuro renderá humildemente suas homenagens a George Orwell, este visionário equivocado. Não apenas pecou na escolha do ano (imaginem que em 1984 as televisões ainda tinham uma roda pra trocar o canal e os computadores pessoais tinha telas verdes e pretas!), mas deve sorrir aliviado em seu túmulo ao constatar que imaginou um governo totalitário como requisito para a existência do Grande Irmão. Esta fera nasceu sozinha e andará sempre com as próprias pernas. Conversará conosco todos os dias, de manhã à noite, nos informando e nos aproximando do mundo real. Nem uma catota sequer ficará impune.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-2783280151206671299?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/2783280151206671299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=2783280151206671299' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2783280151206671299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2783280151206671299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/07/jornalismo-do-futuro.html' title='Jornalismo do futuro'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-7766661381942189538</id><published>2010-07-01T20:59:00.000-07:00</published><updated>2011-07-20T20:09:35.122-07:00</updated><title type='text'>Crise existencial, política e econômica</title><content type='html'>Um ano e quatro meses de ócio depois, me baixou hoje uma crise existencial. Não sei como a ciência define este tipo de crise. Eu entendo como aquele momento em que a gente olha os carros passando na rua, as árvores, as pessoas andando na Paulista, baixa um exu socrático e nos perguntamos: o que é o mundo, afinal? Quem sou eu? O que estou fazendo aqui? Nesta toada entediante vai minha vida: do videogame para o livro, do livro pro videogame, do videogame pra Copa, da Copa pro site do Banco Central que não me chama e eu, para evitar o enlouquecimento precoce, sem querer me voluntariar para a campanha do Celso Russomano ao governo, só para encher o saco dos meus amigos de esquerda que me enchem o saco porque vou votar no Serra, vou escrever alguma coisa sobre estas coisas todas e rezar para que haja alguma conexão entre elas. Como diria Jerry Seinfeld em um dos meus episódios favoritos: “Prognosis negative”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relendo uma das apostilas concedidas durante o curso de formação em Brasília, uma compilação de notícias de jornal envolvendo o Banco Central, achei algo interessantíssimo que na época me passou batido. Num dos picos da crise financeira internacional, após a quebra do Lehman Brothers, o governo Lula cogitou seriamente demitir Henrique Meirelles e substituí-lo por Luiz Gonzaga Belluzzo. A julgar pela situação do glorioso Palestra, chega a dar arrepios pensar no que teria acontecido, mas isso é o de menos. O de mais é o motivo: o embate entre os “desenvolvimentistas” do Ministério da Fazenda e os “neoliberais” do Banco Central. Uma rixa antiga, longe de ser exclusividade do atual governo. Menos ainda do Brasil. Apesar do meu santo estar em pé de guerra com os santos do Nosso Guia desde que ele chegou ao poder pela primeira vez (como o meu voto, diga-se de passagem), não posso deixar de reconhecer que o cara é extremamente inteligente. Já dizia o Socrátes, safo é quem sabe que não sabe porra nenhuma. Lula voltou atrás na última hora e manteve Meirelles no cargo porque ele, além de 99% dos jornalistas brasileiros, e no mínimo 90% dos economistas, não fazem a menor idéia de que lado está mais certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés de vomitar minha opinião sobre o tema, prefiro seguir na busca de um blog o menos jornalístico possível. Quero ser anti-cagação de regra (como se isso fosse possível). Prefiro tentar um exercício parecido com o que fazem os economistas: filosofar sobre o assunto simplificando o modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Estudo de Caso A - Cauã e a família neoliberal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cauã era filho de Margarida, doutora em antropologia pela USP, e Jan Malbec, francês naturalizado e naturalista apaixonado pela Mata Atlântica.  Aos quinze anos já não suportava ouvir falar de Marx, de Levi Strauss, da anistia, do LP “Transa” do Caetano. Comprou um ventilador com cinco velocidades para dispersar a marofa do apartamento. Pediu aos pais, de joelhos, que o tirassem do Equipe o deixassem estudar no Bandeirantes. Margarida chorou de decepção, mas Jan entendeu que o filho deveria escolher seu caminho. Com vinte e dois Cauã estava formado na GV e efetivado numa multinacional de consultoria. Aos vinte e oito casou-se com Diana, psicóloga, paixão remanescente dos tempos do Equipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro conflito do casal foi por conta do apartamento. Sua linda esposa queria morar em Perdizes, ou na Vila Beatriz, mais chique e mais alternativa do que a Madalena. Cauã bateu o pé.  Comprou um apartamento de setenta metros quadrados e dois dormitórios na Vila Mascote fundamentado em cinco planilhas detalhando, entre outras coisas,  o percentual ideal de endividamento de um casal em começo de carreira e um estudo comparativo do potencial de valorização imobiliária dos bairros de São Paulo. Antes das bodas de algodão, já tinham seguro de vida, plano de previdência complementar e um fundo especial para a faculdade dos futuros filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filhos vieram e foram denominados Carolina e Ricardo. Nada de nomes alternativos de filho de psicóloga. A gestão do lar passou a ser executada por Adjane, uma moça de vinte e três anos formada em Turismo na UNIBAN. Diana disse nunca ter visto na vida uma empregada doméstica com curso superior. Cauã deu de ombros e a apelidou carinhosamente de “État”. Explicou que os dois deveriam estar focados em suas atividades profissionais, com o mínimo possível de intervenção ou mesmo interrupção. Para isso precisavam de uma pessoa qualificada para executar poucas atividades, todas essenciais, de maneira eficientíssima. Adjane tinha um excelente salário, mas o benefício tinha como condição a freqüência e o desempenho exemplar em cursos técnicos do SENAC como: “Culinária refinada e saudável”. Não satisfeito, Cauã contratou mais um auxiliar. Seu Alberto, contador e economista, passou a ser o responsável pelo planejamento financeiro e tributário do lar. Logo ficou conhecido como “nosso pequeno bundesbank”. Diana passou a ser a primeira psicóloga de São Paulo a emitir nota fiscal e recolher imposto de renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Best Case Scenario&lt;/span&gt; (Este título tem que ser em inglês - afinal, a família é neoliberal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cauã e Diana se aposentam felizes, ambos referências em suas áreas de atuação. Compram um bela casa em Miami, onde passam a maior parte do tempo. Ricardo segue o rumo do pai e também se forma na GV. Carolina não se adapta direito ao colégio, sonha ser bailarina e, graças ao fundo de investimento dos pais, realiza seu sonho e muda-se para Praga. Adjane termina seu mestrado em Turismo na PUC e monta uma pousada na Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Worst Case Scenario&lt;/span&gt; (Idem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diana entra em crise existencial devido a absoluta ausência de problemas domésticos. Foge com um paciente de vinte e cinco anos, bipolar, viciado em jogo e sexo. Seu Adalberto, advogado, primo do seu Alberto, manda bem na vara da família e Diana leva mais da metade do patrimônio. Cauã passa a achar que não curtiu a vida o suficiente, compra uma BMW conversível para passear com Adjane e Carina, melhor amiga de sua filha. Esta por sua vez se revolta com pai, termina o curso de História na PUC e se candidata a vereadora pelo PSOL. Ricardo muda de nome e endereço: mora no México, integra uma banda de música havaiana e é conhecido como “Humaikê”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Estudo de Caso B – Luis Felipe Vasconcelos e a família desenvolvimentista&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Felipe era filho de Ana Beatriz Coelho Neves, membro ilustre de uma família de fazendeiros de Ribeirão Preto, e Luis Carlos Vasconcelos, industrial. Aos quinze anos já não suportava mais ouvir falar da falta de uma reforma tributária decente nesse país, de bolsas Louis Vuitton e do LP “Ida e Volta” do príncipe Ronnie Von. Aturou as aulas e os colegas do Santa Cruz até o vestibular. Optou pelo curso de economia da UNICAMP, saiu de casa e procurava visitar os pais somente nas datas imprescindíveis. Com os colegas de república fundou o grupo INICEPAL (Iniciantes da CEPAL. O nome original, CEPAL Júnior, foi vetado e considerado coisa de imperialista). Apaixonou-se perdidamente, depois de uma balada farta de maconha, cerveja barata e músicas do Gil, por Tatiane, morena alta e charmosa, garçonete do “Gordão” de Campinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo se casaram. Adquiriram boa renda mensal quando Luiz Felipe passou no concurso público do IPEA e Tatiane tornou-se técnica da Justiça do Trabalho de Campinas, graças às aulas caseiras do marido. Mal recebera o segundo holerite, Luiz Felipe decidiu pela compra de uma ampla casa de quatro dormitórios em Sousas, financiada pela Caixa em quarenta e oito anos. Tudo pela qualidade de vida dos três filhos que logo vieram: Lua, Tupã e Aquiles. Para cuidar da casa, trouxe a família de Alcebíades, um dos filhos do velho capataz da fazenda de seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças todas, filhos de Luiz Felipe e Alcebíades, foram educadas na mesma escola particular, de orientação artística, livre e democrática. À tarde cada criança estudava o instrumento musical de sua escolha. Em seguida, um trabalho coletivo de expressão corporal solta e teatro, sob orientação de um filósofo finlandês radicado em Campinas. A esposa de Alcebíades tinha completa autonomia da gestão da casa. Cuidava de tudo. Não era lá muito eficiente, mas sempre sorria carinhosa e se destacava no tempero caseiro. Vira e mexe comprava demais no supermercado e as coisas estragavam. Alcebíades supostamente controlava as contas numa mesinha e num arquivo daqueles de ferro cinza, tudo no quartinho debaixo da escada. Tatiane, na verdade, nunca entendeu muito bem o que era aquela coisa toda, mas gostava de papear com as amigas do Tribunal do Trabalho e de fazer compras no Shopping Dom Pedro todo fim de semana. Uma vez por ano a família decidia, por sufrágio em dois turnos, a viagem internacional que fariam nas férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melhor Cenário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Felipe descobre, absolutamente surpreso, que está completamente falido aos quarenta e oito anos. O contador contratado a contragosto para substituir Alcebíades demonstra na ponta do lápis que suas dívidas são equivalentes ao salário somado dos cônjuges, trazido a valor presente, nos próximos quinze anos. Mas neste mesmo dia, numa reunião familiar onde todos debatem os problemas de forma informal e em círculo, ponderam que para tudo se dá jeito. Lua já é professora de Antropologia na universidade, Tupã é violista da OSESP e até o pequeno Aquiles está bem preparado para o concurso iminente da Petrobrás. Os filhos de Alcebíades, também todos encaminhados, se prontificam para o que der e vier. Tatiane sorri com lágrimas nos olhos e propõe uma comemoração em família no “Rei do Bacalhau”, desde que Lua possa pagar a conta no cartão de crédito, com vencimento no dia 30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pior Cenário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Felipe descobre, absolutamente surpreso, que está completamente falido aos quarenta e oito anos. O contador contratado a contragosto para substituir Alcebíades demonstra na ponta do lápis que suas dívidas são equivalentes ao salário somado dos cônjuges, trazido a valor presente, nos próximos quinze anos. Lua se revolta ao saber, afinal não conseguia entender como ninguém se interessava em patrocinar sua exposição de fotografia das tribos de Rondônia. Contava com o dinheiro do pai. Como assim não vai rolar? Tupã ainda não tinha se decidido entre a gaita em lá menor e o oboé quando recebeu a notícia. O pobre Aquiles usava o dinheiro do cursinho de concurso público para comprar fumo com a galera de Vinhedo. Os três filhos crucificam os pais sem dó: a falta de grana veio do financiamento dos filhos do caseiro. Estão todos morando em São Paulo, trabalhando em bancos e empresas fabricantes de soja transgênica! Tatiane fica com medo de não ter mais dinheiro para freqüentar o Shopping e foge com o dono do “Gordão”. Alcebíades pede demissão e vai trabalhar ali com o pessoal do condomínio. Luiz Felipe muda-se para uma quitinete no centro de Campinas onde, no lugar da televisão, guarda com carinho os escritos completos de Marx e Keynes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;De volta ao “Prognosis Negative”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, neste ponto a pergunta fundamental é por que eu escrevi este besteirol todo. No fundo são projeções das famílias que eu esperava estar construindo se não tivesse me divorciado há cinco anos. E também projeções do que eu vou fazer da minha vida a partir de agora. O mais irônico é que, na curta duração do meu casório, eu estava mais para Luiz Felipe do que para Cauã. Fazer o que. A gente nem sempre consegue fazer no cotidiano o que a razão dos livros nos convence a fazer. “De momento” meu coração está mais seco do que o ataque da seleção paraguaia. Projeto pra mim um neoliberal solteiro, saradão aos cinquenta e dois anos, cheio da grana e focado no trabalho, nas leituras, nas crônicas e contos. Até me aparecer alguma perdida, amiga do Messi e do Maradona, para me dizer: “Relaxa amor... No longo prazo estaremos todos mortos!”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-7766661381942189538?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/7766661381942189538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=7766661381942189538' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/7766661381942189538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/7766661381942189538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/07/crise-existencial-politica-e-economica.html' title='Crise existencial, política e econômica'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-585567846180714979</id><published>2010-05-25T22:22:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T09:36:49.889-07:00</updated><title type='text'>Brasília, primeiras impressões</title><content type='html'>Antes de embarcar para a capital federal, depois de cruzar o Mauro Silva nos corredores de Congonhas – ele mesmo, o “Gigaaaaante” do Galvão Bueno na Copa de 1994 – quase perco o vôo. Estava a conferir mentalmente pela quatrocentésima vez o chéquilisti de documentos, peças de vestuário e higiene. Não percebi minha solidão no portão 11 enquanto a GOL já transferira, sem avisar, o embarque para o portão 12. Não pude nem desopilar o fígado na funcionária, o avião inteiro me esperava. Consolo foi lembrar que o psiquiatra me concedeu o atestado de sanidade mental sem perceber que sou uma versão mais jovem, e com um pouco mais de cabelo, de Jack Nicholson em “As good as it gets” (em português o filme se chama “Melhor impossível” e figura altivo entre o 0,5% de títulos de filme adequadamente traduzidos no Brasil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vôo tranqüilo, pousamos em paz num dia ensolarado com céu de Brasília, aquele típico, da música do Djavan. Não foi suficiente para o pequeno Jack (como estamos em tempo de Copa do Mundo, me permito me referir a mim mesmo na terceira pessoa). O disco rígido só abria o vídeo da sensação de sufoco e tontura no palácio do Itamaraty, há uns dez anos. Ou a umidade do ar estava abaixo de 10% ou eu tive um efeito retardado das atividades lúdicas do ônibus da faculdade de Relações Internacionais da PUC-SP. Enfim, a lembrança era desagradável, inútil e perdeu a batalha para Brasília que estava muito bem, obrigado, com umidade, temperatura e amigos queridos suficientes para apaziguar um paulistano neurótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, como diria minha vó Dinda, o mundo gira e a Lusitana roda. A vida nos presenteia com ciclos. A cada quatro ou cinco anos a rede Globo evoca uma novela com o sotaque italiano de proveta. Mais ou menos no mesmo ritmo eu encontro alguns amigos e, ao contrário das novelas, fico feliz de ver que tudo continua igual. No último domingo estive com o Josino tomando uma cerveja no Beirute, o mesmo amigo da PUC que me acompanhou na primeira visita. Lá pelo final dos anos 90 fomos representantes do Brasil no simulado do Conselho de Segurança da ONU promovido pela faculdade de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Se eu soubesse as presepadas que “Nosso Guia” faria para dar ao assento um certo relevo no mundo real futuro, provavelmente teria escolhido representar o Chipre, cadeira injustamente alocada a uma faculdade particular do interior do Paraná.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras voltas de carro por Brasília são como um carrinho da Casa do Terror no Playcenter. As tesourinhas e as quadras parecidas dão a sensação de estar rodando, indo e voltando sem sair do lugar. Parece um pouco com Alice no País das Maravilhas também. As portas e trilhas parecem todas iguais de fora, mas se você tem coragem de entrar, a personalidade das pessoas faz os lugares, as coisas e as conversas diferentes. E os nomes das ruas e das quadras? SQN 216, SQS 418... Faço até questão de reproduzir o endereço do meu curso de amanhã: BRASIL 21, SHS, QUADRA 6, LOTE 1, CONJUNTO A, BLOCO G. Jesus... Por que não incluir o TERCEIRO ANDAR, SALA 419, LADO ESQUERDO, CADEIRA 1247? George Orwell... Mega amador. O pior para um discípulo do Bexiga (e imagino que para um de Copacabana também) é perder aquela sensação de circular e morar em nomes de vultos, data históricas, desembargadores com sete sobrenomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto só sei o seguinte. Estou na casa da Isadora, uma amiga querida que me recebeu com o maior carinho. A casa também é da Mafalda, não é a mesma do Quino, apesar de inspirada nela. Uma pastora alemã legítima, apesar das madames invejosas, mulheres de deputados, a acusarem de ter um pé na cozinha. E também sei que não poderia faltar um final filosófico cabeça no blog do pequeno Jack. A culpa é de vocês, seguidores. Ninguém mandou menosprezar meus geniais contos e dar ibope apenas a estas crônicas cotidianas de madrugada entediada. Os contos estão guardados a sete chaves e só poderão ser lidos quando a Cia. das Letras me descobrir (Comentário 1: Esperem sentados. Comentário 2: Chorei! Diria meu amigo Peter). Mas vamos ao final cabeça. O mais incrível de Brasília, para o pequeno Jack, é comprovar a idéia de Niemayer e Lúcio Costa. Por aqui, não importa o que aconteça, sempre dá pra ver o horizonte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-585567846180714979?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/585567846180714979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=585567846180714979' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/585567846180714979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/585567846180714979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/05/brasilia-primeiras-impressoes.html' title='Brasília, primeiras impressões'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-456295799021200066</id><published>2010-05-12T22:24:00.001-07:00</published><updated>2010-05-12T22:43:41.480-07:00</updated><title type='text'>Barracos</title><content type='html'>Quais são os sonhos, frustrações, ideologias, taras, rotinas comuns da pessoa barraqueira? Hoje deu vontade de sentar perto, de entrevistar, sei lá, de tomar um chope, de conhecer os recônditos de uma alma sem medo de externar o alvoroço. Os tempos morando no interior me distanciaram destes espetáculos metropolitanos gratuitos. Um barraco em Jaguariúna, centro regional em ascensão, trinta e cinco mil habitantes para o alto e avante, talvez repercuta. Aqui na terra da garoa, tirem o cavalinho da chuva. Hoje uma mendiga urrava impropérios enquanto eu entrava no banco. Até o segurança encaixado nas paredes de vidro blindado alongou a vista. Passado o susto, para mim e todo mundo uma virada de rosto era o limite de crédito. Atravessei a Paulista e entrei na Fnac. Enquanto eu olhava uns DVDs, uma senhora marchou para trás em minha direção. A avó demonstrava à neta o estilo da música clássica no telão. A velha educava e a neta alertava, cuidado!, tem uma pessoa atrás de você. Eu sorri amarelo, fugi fingindo para a sessão de sertanejos. Mais gritos: onde está o atendente dessa sessão? Que absurdo! Fugi de novo e encontrei uma menininha de uniforme, sentada, olhando pro teto, brincando de esconde entre os lançamentos da Beyoncé. Aí lembrei. Ali pertinho, mais pro Centro Cultural Vergueiro, meses atrás, fui comer um salgado entre a primeira e a segunda prova do concurso. Mais pra matar o tempo do que por fome. O movimento era surpreendente no boteco, os atendentes de avental azul sem cara de dono português não filosofaram o porquê, não dava tempo. Até uma senhora meio grisalha se aboletar. Passou um minuto e a vitamina não veio. Apelou para o histórico do gabarito do atendimento do estabelecimento. Passou mais um e a voz passou a decibéis detectáveis. Mais outro e a fulana referiu-se, histriônica, ao estatuto do idoso. Meu estômago repuxou. O semblante do chefia não. Nem se abalou. É uma injustiça. Eu também quero bradar minhas frustrações aos quatro ventos! Gritar, soltar a voz! Fazer um panelaço à Argentina! Acho que fiz mal em colocar Belém do Pará como última opção de lotação no meu concurso. Os povos da floresta certamente me ouviriam melhor. Eita, Adoniram. São Paulo faz de barraco saudosa maloca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-456295799021200066?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/456295799021200066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=456295799021200066' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/456295799021200066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/456295799021200066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/05/barracos.html' title='Barracos'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-8540222212294756632</id><published>2010-05-07T22:11:00.001-07:00</published><updated>2010-06-09T19:34:23.728-07:00</updated><title type='text'>Criadouro de perdedoures</title><content type='html'>Um dia meu amigo Jader me disse uma frase que nunca esqueci. “Nossos amigos são todos muito inteligentes. Mas ninguém cria nada, nós só consumimos”. A memória é uma coisa engraçada.  Não tenho absolutamente nenhuma lembrança do dia em que ele me disse isso, do lugar onde nós estávamos ou do contexto da conversa. Mas a frase ficou e me martelou anos a fio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje assisti pela primeira vez um filme do Costa Gravas. Por ironia do destino, aluguei o filme sem saber que ele era grego, justamente da terra que pode ser o estopim de uma nova crise mundial. "O Corte” fala de um engenheiro especializado na indústria de papel que perde o emprego após quinze anos de dedicação à empresa. Depois de dois anos desempregado, ele simula a existência de uma indústria de papéis para receber o currículo de seus principais concorrentes. E começa a assassinar todos eles. A cena que mais me abalou foi a entrevista que ele faz, mais ou menos no meio da série de mortes. A entrevistadora faz um comentário torto e ele pensa: “Para sua sorte eu não trouxe a arma para a entrevista”. Felizmente nunca quis matar nenhuma entrevistadora, mas tive experiências humilhantes e pensamentos agressivos. O recrutamento de pessoas, para a maioria das empresas, é uma atividade menor, como faxina de banheiros e serviços de “help-desk”. Foi terceirizado. Nesse período eu não fui chamado por nenhuma empresa, mas recebi dezenas de chamados de consultorias de recursos humanos. Cinco meses depois de preencher formulários psicológicos, fazer redações e provas de inglês, percebi que não ia suportar. A única saída era um concurso público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta foi outra experiência engraçada. Fiz vária provas pra treinar antes de tentar a sério a prova do Banco Central, mesmo porque não sabia quando ela ia acontecer. No começo achei que minha memória não funcionava mais direito. Fiquei paranóico achando que as drogas da adolescência e o consumo de cerveja já tinham fritado todos os meus neurônios e eu nunca mais seria capaz de ter o desempenho dos anos dourados do Bandeirantes. Mas o mais curioso era observar a cara dos candidatos nos dias de prova. Fora os que tinham cara evidente de turista, todos os balzaquianos como eu pareciam ter uma faixa na testa: “Fui mal sucedido no setor privado”. Eu brincava de imaginar quem era médico, quem era engenheiro, quem era tarado, quem era gênio incompreendido. Tentava rir da minha própria tragédia e todo tempo, todo tempo mesmo, eu cantava na cabeça a música “Loser” do Beck. Foi a minha amiga Mari Paoli, nos distantes anos 90, quem me mostrou que o refrão era em português (ou em espanhol, que para americano é a mesma coisa). “Sou... um perdedor. I’m a loser, baby. So why don’t you kill me?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YgSPaXgAdzE&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/YgSPaXgAdzE&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Beck gostava mesmo de música brasileira. Os ex-alunos do Bandeirantes que acompanham o Blog podem ver que nosso amigo Alan Dias participa do clipe, tocando sua guitarra no telhado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando ao Jader, que foi a inspiração inicial, a frase dele continua me martelando e espero que continue pra sempre. Tive que trabalhar dez anos em empresas pra entender o que ele quis dizer e talvez a resposta esteja na diferença entre criar e produzir. Eu produzi diversos relatórios, planilhas, cálculos, conferências (o famoso “bate” dos cornos bancários), contabilizações e propus melhorias operacionais. O filtro fino da minha memória, aquele que guarda frases como a do Jader, não deixou passar nada. Não tenho nada pra escrever nesse blog, nenhuma inovação, nenhuma descoberta, nenhuma contribuição. Nada interessante. Nada que me dê tesão de lembrar. O executivo assassino do Costa Gravas diz na terapia de casal que a esposa o obriga a ir: “Eu não sou nada sem o meu trabalho. Nada!”. E eu me pergunto agora o que eu era com o meu trabalho.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais irônico ainda é pensar que o inchaço do setor público, que eu tanto critico, entre tantas outras coisas do governo do “Nosso Guia”, no meio da minha ilusão liberal do estado mínimo, me tirou da aflição, da violência de não ter dinheiro pra pagar as próprias contas, da possibilidade de enlouquecer como o engenheiro da indústria de papéis. Não tenho nenhuma dúvida de que o capitalismo liberal é melhor do que o socialismo, especialmente do que o nosso socialismo “bolivariano-chavista”, para produzir mais e melhor. Só não sei como separar produção de criação. Faz tempo que os americanos, que são muito melhores, como diziam os Sobrinhos do Ataíde, fizeram as duas coisas parecerem a mesma coisa. Até criaram (não produziram) o termo “Indústria Cultural”. Mas não adianta, não é a mesma coisa. O tesão não é o mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-8540222212294756632?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/8540222212294756632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=8540222212294756632' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8540222212294756632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8540222212294756632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/05/criadouro-de-perdedoures.html' title='Criadouro de perdedoures'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-6392648979843930363</id><published>2010-05-03T08:23:00.001-07:00</published><updated>2010-05-03T09:36:50.205-07:00</updated><title type='text'>O evangelho do Sapo que Canta</title><content type='html'>Regozijo-me em informar que participei de uma postagem do Blog do Lovric. Quem quiser ver está no link:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://mondozuado.wordpress.com/2010/04/29/o-evangelho-do-sapo-que-canta/"&gt;http://mondozuado.wordpress.com/2010/04/29/o-evangelho-do-sapo-que-canta/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que piada explicada não é piada, mas vá lá... Pra entender melhor é preciso ver o vídeo "One Froggy Evening" nesta outra postagem. Vocês não vão se arrepender, acreditem. Existem gênios no mundo do desenho animado. Alguns deles fazem mais do que entreter as crianças e nos proporcionar alguns minutos de paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;a href="http://mondozuado.wordpress.com/2010/04/13/a-sindrome-do-sapo-que-canta/"&gt;http://mondozuado.wordpress.com/2010/04/13/a-sindrome-do-sapo-que-canta/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-6392648979843930363?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/6392648979843930363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=6392648979843930363' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/6392648979843930363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/6392648979843930363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/05/o-evangelho-do-sapo-que-canta.html' title='O evangelho do Sapo que Canta'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-6655697175213003716</id><published>2010-04-28T01:47:00.000-07:00</published><updated>2010-04-28T02:01:01.479-07:00</updated><title type='text'>O Corinthians (Pegadinha do Malandro)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/S9f2gPnATjI/AAAAAAAAAKo/ELzgql-AZnI/s1600/SM.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/S9f2gPnATjI/AAAAAAAAAKo/ELzgql-AZnI/s400/SM.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465107706643762738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Foto de Louise Sottomaior, em algum lugar de um passado não tão distante, na Vila Olímpia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso comentar, antes de falar qualquer coisa. Comecei este Blog jurando solenemente descumprir o princípio dezenove do Homem Chavão: “Sempre discorrerás sobre futebol, política ou religião”. O Haiti falou mais alto e acabei expondo minhas chagas espirituais. De política falei também, bem lá no começo. Só faltou ele: a coqueluche das esposas dos meus melhores amigos. Desde os primórdios da Internet, meu amigo George Paskivestucz, cujo sobrenome jamais soletrarei corretamente, foi o rei das descobertas de coisas interessantes na Internet. Engana-se quem supõe ser tarefa fácil. Muitas horas de ócio custaram a este jovem conhecido como Pedrada, Pedrão, Joyce, Vinte, Pincel, entre outras alcunhas menos nobres. De 1995 pra cá, se proliferam as coisas alvissareiras, agigantaram-se as inutilidades. Mas antes de continuar a história da Joyce, digo, do George, preciso fazer uns parênteses interessantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parênteses interessantes =&gt; (A Giana Viscardi, minha amiga de colégio Bandeirantes, para sorte do mundo, decidiu abandonar a faculdade de arquitetura e ir para os EUA estudar música e seguir a carreira de cantora. Anos depois, de volta ao Brasil, houve um show dela no Café Piu-Piu, no Bixiga. Foi a primeira vez que conseguimos reunir várias pessoas formadas em 1993 no mesmo lugar. Nesse dia, em meio às conversas do “pô, a gente precisa se ver”, minha amiga Fabíola sugeriu que criássemos um grupo de emails. Curioso foi, antes da minha resposta afirmativa, o comentário da Cinthia, irmã mais nova da Fabíola: “Como assim? Vocês não têm um grupo de email?”. Cinco segundos depois me caiu a ficha. Quando nós nos formamos não existia Internet. Senti uma costeleta branca brotando na minha têmpora.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, desencanei de falar do Corinthians. Esses parênteses me trouxeram várias idéias melhores. Mas só para não deixar o George perneta lá em cima, eu queria dizer que uma das primeiras coisas legais que eu descobri na Internet, por indicação dele, foi um Blog (muito antes dessa palavra virar moda) chamado “O Homem Chavão”. Quase oito anos depois, continuo achando uma das coisas mais interessantes que já li na vida. Mesmo depois de Machado de Assis, Dostoievski, Clarice Lispector e o raio que o parta. Fiquei meio obcecado com isso. Eles sempre me perseguem quando escrevo crônicas. Eles compilavam frases, pensamentos, roteiros de filme, ditados populares e várias outras coisas de um jeito que me fazia pensar: quem foi o asno que considerou o homo sapiens uma espécie inteligente? Tudo bem, a história de andar com duas pernas e a pinça do polegar até fizeram uma diferença, mas após dez mil anos de história os chavões relativizam até a relatividade. Ainda hei de escrever uma crônica nesse blog sem citar o velho Lessa, mas hoje ainda não resisto. Numa de suas apostilas de inglês, ele registrou uma piada interna da cidade natal da minha mãe, Lages, em Santa Catarina. No início da rua dos meus saudosos avós, há uma estátua do fundador da cidade, o Correia Pinto, de braços abertos, olhando o horizonte. Segundo as más línguas, ele estaria eternamente observando e dizendo: “Is that all for two hundred years?”.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. To Chavonate or not to chavonate, that’s the question. Nada mais chavão do que trocadilhar o Hamlet. O grupo de emails do Bandeirantes há muito tempo gera discussões, na maioria das vezes besteiras absolutas, capazes de fazer a minha existência menos sem sentido. O “link” da Internet com os corredores de tijolo da rua Estela me lembram de um tempo em que eu me apaixonava um vez por mês, não uma vez a cada cinco anos. Esses amigos às vezes nos lembram de chavões importantes. Um deles quem lançou foi o Caio. Logo depois da formatura de 1993, fiquei um tempão sem encontrá-lo, anos até. Um dia numa festa, os dois completamente chapados, eu falei: “Cara, nuépuxpivel isso... azentemóbróder... untepão asximsemxiver...?”. Ele sabiamente respondeu: “Cara, a gente atingiu um patamar em que não faz mais diferença. Um ano, dois, dez, vinte, a gente vai se encontrar e trocar idéia do mesmo jeito”. Tive o prazer de comprovar essa máxima com vários colegas do Bandeirantes. A última vez foi com a Giana, há um mês, num bar da Vila Madalena. Benditos chavões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-6655697175213003716?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/6655697175213003716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=6655697175213003716' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/6655697175213003716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/6655697175213003716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/04/o-corinthians-pegadinha-do-malandro.html' title='O Corinthians (Pegadinha do Malandro)'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/S9f2gPnATjI/AAAAAAAAAKo/ELzgql-AZnI/s72-c/SM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-3183543395696113075</id><published>2010-04-23T23:08:00.001-07:00</published><updated>2010-04-23T23:21:00.623-07:00</updated><title type='text'>Bússola de escritor</title><content type='html'>"(...) Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nêle o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-3183543395696113075?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/3183543395696113075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=3183543395696113075' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3183543395696113075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3183543395696113075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/04/bussola-de-escritor.html' title='Bússola de escritor'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-609380351730610257</id><published>2010-04-16T09:16:00.000-07:00</published><updated>2010-04-27T23:16:39.047-07:00</updated><title type='text'>O racismo e as palavras mágicas</title><content type='html'>“Falou ‘puta que pariu’! Vou contar pro tio Totó!”. Essa frase pitoresca era um dos bordões das histórias que meu pai contava e repetia a toda hora. Como diria o homem-chavão, só damos valor às coisas quando as perdemos. Cada vez que o velho Lessa me repetia uma de suas histórias eu fazia cara de saco cheio, já sei, já sei... Hoje morro de saudade e uso as mesmas para iniciar postagens de Blog. Enfim, o tio Totó era o irmão mais velho de minha avó paterna, a Dona Dinda. Os dois, junto com muitos outros irmãos, foram abandonados pelo pai ainda crianças. Dizem que meu bisavô era chegado no jogo e fugiu com a amante. Sobrou para o Totó ficar adulto antes do tempo e ajudar minha bisavó a sustentar a enorme família. Logo, com toda justiça, ganhou ali um status, uma autoridade. Um belo dia, dois membros da família estavam quebrando o maior pau até que um perdeu a cabeça e lançou: “E quer saber? Você que vá pra puta que o pariu!”. A resposta foi utilizada por toda a vida do meu pai para explicar como uma palavra mágica pode nos fazer esquecer completamente o mérito de uma discussão. Pouco importa quem está certo e quem está errado, só importa quem é que falou “puta que pariu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se trata de ofensas racistas, o poder mágico das palavras no Brasil se eleva à quinta potência e crimes iguais são tratados como crimes diferentes. Foi o que aconteceu ontem num jogo de futebol. De acordo com a reportagem anexa (o que não sei se retrata totalmente a verdade, coisa que jamais saberemos), o zagueiro branco do Palmeiras recebeu uma cabeçada do jogador negro do Atlético Paranaense. O palmeirense respondeu com uma cusparada e xingou o jogador de “macaco”. E o jogador do Atlético, por sua vez, respondeu singelamente dando uma pisada no jogador do Palmeiras, segundos depois dele sofrer uma falta violentíssima e estar no chão se contorcendo de dor. Resultado: 90% do noticiário esportivo de hoje não contou a história inteira, como o vídeo em anexo, mas estampou em letras garrafais: “JOGADOR PALMEIRENSE É RACISTA”. E o jogador do Atlético Paranaense saiu como vítima da  história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jxwY-Ljfe5U&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/jxwY-Ljfe5U&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que me acusem de racista ou me interpretem mal, quero explicar melhor como quero chegar no argumento extremamente oposto. Eu sei muito bem, como qualquer outro branco da minha classe social, o que é viver num país racista. Sei porque estudei vinte anos em escolas particulares e trabalhei outros dez em empresas sem nunca ter um negro ao meu lado. E isso me incomoda profundamente. Justamente por isso, acho uma hipocrisia coletiva tratarmos os crimes de racismo como crimes maiores do que os outros. Isso não passa de uma histeria que vomitamos para fingir que estamos resolvendo o problema. O justo e o óbvio é que os dois jogadores, o racista e o truculento, fossem igualmente punidos, com muito e igual rigor. Quando o presidente Lula manda um projeto de lei ao congresso para aumentar a pena dos políticos corruptos, o homem-chavão sobe aos céus novamente para nos lembrar que não adianta aumentar a pena se a lei não é cumprida. A Constituição de 1988 tornou o crime de racismo imprescritível e inafiançável pra inglês e pra todo o mundo ver que “resolvemos” o problema. Mas pisão e cabeçada pode. Não vale nem meia-hora no chuveiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Macacos me mordam! Que país é esse?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentário encontrado no Blog do Juca Kfouri, na postagem que comentava esta mesma notícia. O nome do usuário era "O BRASIL É UM PAÍS CHEIO DE RACISMO E OUTRAS COSITAS MÁS".  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-609380351730610257?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/609380351730610257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=609380351730610257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/609380351730610257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/609380351730610257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/04/o-racismo-e-as-palavras-magicas.html' title='O racismo e as palavras mágicas'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-8850094669909600203</id><published>2010-04-03T14:32:00.000-07:00</published><updated>2010-04-03T20:38:10.632-07:00</updated><title type='text'>Terapias</title><content type='html'>Um dia desses, almoçando e tomando chopp com amigos, a Tatiana me falou de uma série de televisão. Chama-se “In treatment” e passa na HBO. Minha compulsão televisiva tem espaço até para as séries questionáveis, às vezes perco tempo assistindo “CSI Miami” e “Supernatural”. Mas a HBO faz séries incríveis. Uma delas, imperdível, com apenas sete episódios, é “John Adams”, a história do segundo presidente americano. A idéia de contar a história da independência dos Estados Unidos do ponto de vista de um personagem relegado a um certo segundo plano pela História já é genial. E a interpretação do Paul Giamatti é incrível como de costume. Outra série legal foi “Six feet under”. Outra vez a idéia básica já é boa demais: uma família vivendo no mesmo espaço de uma casa funerária. Num andar o quarta da filha caçula, noutro o salão azulejado onde se drena o sangue dos defuntos. As tentativas inúteis de superar as neuroses do cotidiano temperadas com formol, arranjos de flores sofríveis e catálogos de caixão. “In treatment” é a história de um psicoterapeuta de meia idade lidando com os dramas dos pacientes e os seus próprios ao mesmo tempo, volta e meia eles se misturam e o resultado é muito interessante. Cada episódio é uma sessão completa de terapia. A série tem ainda uma coisa inovadora no gênero, um ciclo de cinco episódios, quatro pacientes e, por fim, a sessão do terapeuta com sua supervisora. À medida em que os ciclos se repetem, é possível perceber a evolução do processo terapêutico e alguns efeitos concretos na rotina de todos.   &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Esta série me fez lembrar das minhas próprias experiências com a terapia. Começou quando eu era uma criança gaguejante. Aliás, eu ainda sou uma criança que gagueja aos trinta e três anos. Despertou-se uma preocupação natural nos meus pais de que algo poderia estar errado. Um dia me vi num consultório com uma mulher acolhedora, devia ter mais de quarenta e cinco anos, cabelos longos e escuros com alguns fios grisalhos. Lembro vagamente do meu medo de criança ao ser levado para um tratamento, como se a minha hesitação para falar fosse um sintoma de algo maior. O consultório ficava num bairro distante e mais arborizado e, dentro do meu mundo de condomínio, o trajeto parecia uma viagem a algum sítio, mesmo que a minha referência de sítio fosse a do Pica-Pau Amarelo na Globo. Essa sensação se quebrou na sala de espera, aquele ambiente de impaciência, revistas velhas, recepcionistas mal remuneradas e um coleguinha paciente me olhando como se dissesse: você acha que tem problema, gaguinho? Olha só pra mim? A sala do consultório tinha tudo para fazer uma criança feliz. Almofadas coloridas, aconchegantes, brinquedos educativos, como o céu dos humanos mortos prematuramente. Minha única lembrança é a cena onde eu e a terapeuta de cabelos compridos estamos sentados de pernas cruzadas jogando mico-preto no baralho. Logo percebi que não tinha a mínima graça jogar mico-preto de dois, afinal a graça do jogo é foder a pessoa ao lado passando a ela o mico, sem que os outros jogadores saibam. Até hoje não sei como, mas de alguma maneira passei a minha mãe a mensagem de que aquilo não estava valendo o que hoje seria uns duzentos reais a hora. Talvez ela e a terapeuta tenham subestimado minha safadeza infantil. Alguns anos mais tarde houve uma tentativa similar com uma fonoaudióloga. Me lembro de ter dito a minha mãe que eu definitivamente preferia continuar gago e usar aquele tempo com qualquer outra coisa. Ela respeitou essa decisão. Essa lembrança é tão forte que eu ainda visualizo o carro dela virando a esquina da Paulista com a Consolação no momento em que eu disse isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha segunda experiência com terapia foi depois de entrar na faculdade. Esse foi um período curioso. Foi como se eu flutuasse pela vida. Como aquelas histórias dos mortos que se libertam do corpo e ficam vagando pela superfície terrestre, meio sem saber o que fazer antes de encontrar o túnel e seguir em direção à luz. Naquele tempo o que importava era passar no vestibular, eu passei e me dei ao luxo de escolher pra onde ir. Com dezessete anos. Acho que passei muito rápido da repressão total para a liberdade total. Essa história dá pano pra manga para uma outra crônica, mas o importante é a transição bizarra, como uma borboleta ao avesso, de bom aluno do Colégio Bandeirantes para alma penada da Faculdade de Administração da USP. Meus colegas de FEA deviam me achar meio retardado, ou drogado, ou coisa parecida. Lá eu tive minha primeira experiência competitiva estudantil frustrada: tirar 0,8 numa prova. Microeconomia. Virei um mito na classe. Na verdade o mestre teve a pachorra de me dar a nota zero vírgula oitocentos e vinte e cinco, tornando a minha existência enquanto piada ainda mais surrealista. Tive vontade de que ele ao menos perguntasse o meu nome. Mas não era mais lugar pra isso, eu estava na faculdade. Bem-vindo ao mundo, esse lugar onde caga-se e anda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos nessa época, comecei a fazer terapia com um velho amigo do meu pai. Ele é especializado numa técnica chamada Psicodrama. Não tive iniciativa ou maturidade pra me aprofundar nisso com ele, apesar dos reiterados convites. Me arrependo, acho que teria sido uma experiência bem interessante. Traz uma sensação de queria ter trinta e três anos quando tinha vinte, aquele roteiro de filme de sessão da tarde. Mesmo assim o bate-papo foi bom o suficiente para me trazer de volta à Terra, diminuir a ansiedade e me fazer decidir a arriscar a sorte no vestibular do curso de Relações Internacionais da PUC de São Paulo (também conhecido na época como “Turismo”, “Comércio Exterior”, “Relações Sociais” ou ainda “Relações Espaciais”, na ironia arrojada do meu amigo Eduardo Bodra). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio a faculdade de Relações Internacionais e com ela uma mistura de felicidade e bizarrices misturadas. Lá eu encontrei um ambiente mais próximo do que eu sonhava, uma faculdade onde as pessoas discutiam as coisas que eu julgava realmente importantes. Ao mesmo tempo, era engraçado como a FEA já tinha me contaminado com um certo pragmatismo. Tenho certeza de que não teria aproveitado tanto a PUC se não tivesse esse vírus, uma busca de objetividade em qualquer lugar, mesmo numa aula de antropologia de primeiro ano. Esquizofrênico, eu buscava o esquerdismo da adolescência e dialogava com o diabinho economista do lado direito do ombro dizendo “acorda, idiota, esse papo de intelectual não leva a nada”. A PUC ia de vento em popa, ótimas notas, aulas interessantes, enquanto a FEA ia a duras penas. Nas aulas de teoria de administração, a PUC me fazia perceber nitidamente a mediocridade intelectual de alguns executivos de sucesso que nos davam aulas na FEA. Uma aula sobre Marx, vomitada num conjunto de transparências de quinta categoria, ministrada pelo vice-presidente de uma das mais respeitadas empresas de consultoria do Brasil e do mundo, me fez ver que alguma coisa estava estranha. Durkheim e Raymond Aron talvez não estivessem muito propensos a contribuir para a obesidade da minha conta bancária.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio desse tempo tão interessante, eu tive meu primeiro sinal inequívoco da coqueluche dos terapeutas: sintomas de depressão. Um dia, horas antes da prova de Ciência Política, peguei o ônibus, desci na Cardoso de Almeida, tirei as cópias ilegais de capítulos de livro legalizadas pela Universidade e fui pra biblioteca estudar. Ali tive uma experiência ao mesmo tempo horrível e fundamental. Do nada, senti um desespero. Uma sensação de medo absurda, forte e sem razão. Aquele diagnóstico que hoje eu sei ser algo parecido com uma síndrome de pânico. Na hora meu impulso foi pegar um ficha da mochila e ligar para o meu pai. Não sei porque desisti. Parei pra pensar num canto e me disse: não é possível, uma hora isso vai passar. Passou. Fiz a prova e ainda tirei uma nota boa. Durante os três anos seguintes pensei muito sobre esse dia, tentando digerir aquilo. Eu tentava provar pra mim mesmo que eu era uma pessoa saudável e que tinha meus problemas como todo mundo e aquilo era muito estranho.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de formado na PUC, lá pelo fim de 1999 e começo do ano 2000, tive muita dificuldade pra conseguir o primeiro emprego. Criei um ódio incurável pelas dinâmicas de grupo e pelas consultoras de recursos humanos. Lá pelo meio do ano, ainda sem conseguir nada, dei uma desanimada meio acima do normal. Acabei voltando a fazer terapia. A psicóloga, por coincidência, era especializada em depressão. Após as primeiras sessões ela já não tinha sombra de dúvida sobre a minha condição, confirmada inclusive por vários sintomas físicos. Por mais de um ano eu segui na terapia sem aceitar sua recomendação para procurar um médico e tomar algum medicamento. Nesse período ela conseguiu identificar, com uma competência incrível, uma série de comportamentos meus que talvez estivessem contribuindo para uma situação depressiva. A mais importante conclusão que nós chegamos juntos foi a de que eu era bonzinho demais. Eu sempre havia tido uma incapacidade patológica de dizer não às pessoas. Aquilo ficou muito enraizado, até hoje. Na época meus primeiros nãos quase me custaram um dos meus melhores amigos. Vários anos depois, meus nãos custaram o meu casamento. O poder e o estrago de se fazer menos concessões. Coincidência ou não (mais um), depois deste ano de terapia consegui meu primeiro emprego, após mais uma horrenda dinâmica de grupo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitar a depressão como uma doença qualquer, como asma ou diabetes, foi uma experiência interessante também. É incrível como esse preconceito, que eu mesmo tinha, ainda é muito forte. A maioria dos poucos amigos mais íntimos para quem eu confidenciei que tomava remédios procurando “administrar” minha depressão me olharam com uma cara meio de cú, meio condescendentes, como se eu tivesse confessado ser cleptomaníaco, ninfomaníaco ou torcedor da Portuguesa. Na minha cabeça, remédios para depressão eram algo que me faria fugir da realidade, ficar chapadão, como um baseado ou umas doses de vodka. O engraçado é que o efeito, pelo menos para mim, foi justamente o oposto: eu me senti mais bem disposto fisicamente e isso me ajudava a encarar os problemas bem concretos da vida com mais disposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma maneira as terapias, como a série “In treatment” ajuda a confirmar, não ajudam ninguém a resolver seus problemas, ajudam a sobreviver a eles. Definitivamente não é pouco. Engraçado pensar nisso, acho que algumas pessoas às vezes procuram uma terapia (e os remédios) em busca de uma cura. Durante minha experiência mais recente, comecei uma terapia depois da morte do papai e da minha separação. Depois de alguns meses percebi que apesar das ótimas conversas com a terapeuta e do alívio momentâneo que as sessões me causavam, eu não estava disposto a me conhecer melhor naquele momento. Não havia cura para as duas questões que me incomodavam, eram duas mortes, coisas que nunca mais voltariam. Preferi aceitar o emprego na AmBev e a mudança pra Jaguariúna, um auto-exílio totalmente consciente, a maneira que eu encontrei de fugir da minha rotina anterior e dar tempo para a ferida cicatrizar. Inventei pra mim mesmo uma terapia através da não-terapia. Meio que deu certo. Mas não tenho certeza se não teria sido melhor um enfrentamento. Bem ou mal, pelo menos me fez ter tranqüilidade suficiente para, hoje, sentar e escrever sobre o assunto. Talvez eu esteja pronto para a terapia outra vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-8850094669909600203?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/8850094669909600203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=8850094669909600203' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8850094669909600203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8850094669909600203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/04/terapias.html' title='Terapias'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-8104760695817811120</id><published>2010-02-22T08:32:00.000-08:00</published><updated>2010-02-22T09:14:37.283-08:00</updated><title type='text'>Comentários</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Infelizmente tive que ativar a moderação de comentários no Blog. Eu queria deixar tudo o mais aberto possível, mas tem um mala colocando propaganda de cassinos em Las Vegas e outras inutilidades toda semana. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Aproveito o ensejo para fazer um pedido. As pessoas que não têm conta no Google e quiserem fazer comentários têm a opção de escrever como "Anônimo". Esta é uma ótima opção para quem não tem paciência para criar conta, "Public IDs" da vida, o que é realmente muito chato. Mas, por favor, ASSINEM os comentários, senão eles ficam REALMENTE anônimos!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-8104760695817811120?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/8104760695817811120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=8104760695817811120' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8104760695817811120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8104760695817811120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/02/comentarios.html' title='Comentários'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-1081139172121114813</id><published>2010-02-18T22:47:00.000-08:00</published><updated>2010-02-20T19:58:34.409-08:00</updated><title type='text'>Memórias do Paraíso</title><content type='html'>Minha infância urbanóide, classe média e predial foi marcada por traumas. Essas memórias estão conversando comigo diariamente. Estou morando de novo com a minha mãe no apartamento onde nasci, cresci e de onde saí por mais de dez anos. O Paraíso não foi sempre esse bairro civilizado de hoje, cheio de empreendimentos das melhores construtoras, apartamentos antigos de três dormitórios e garagem à venda por meio milhão de reais, padarias finas em toda esquina e pet shops a cada três quarteirões. Já sou velho o suficiente para me lembrar do Paraíso &lt;span style="font-style:italic;"&gt;roots&lt;/span&gt;. Um tempo de condomínios de classe média sem portões, portaria, muito menos arames farpados e câmeras de vigilância. Em frente ao Ajaccio, um dos precursores do mau gosto na denominação de edifícios, no começo dos anos oitenta, começa minha memória. Ali havia um cortiço, uma casa pintada de verde ruim onde meu pai estacionava o carro. Lá viviam pobres cujos descendentes provavelmente ocupam bairros que só conhecemos pelos letreiros de ônibus. O Paraíso da minha infância ainda não tinha expulsado completamente a pobreza para além das marginais. Na esquina havia uma venda, a venda do Seu Manoel. Uma casa com a pintura amarronzada e rota, um português de avental azul marinho vendendo de tudo, de arroz em sacas a sabão em pó e, acreditem, era o único lugar do bairro a vender o famigerado Dip-Lique, o pirulito no saquinho, um dos produtos dos anos oitenta que permitiram às crianças da minha geração criar anticorpos suficientes para superar qualquer doença, bioterrorismo ou depressão profunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando papai morreu, umas das primeiras coisas que fiz foi sugerir a minha mãe que vendêssemos ou alugássemos o apartamento, construíssemos uma coisa nova, uma vida diferente em outro lugar, com novas energias e coisa e tal. Mas logo vi que essa era uma necessidade minha, meu ímpeto de esconder algumas memórias, não o dela. Ela negou e eu respeitei. Hoje, morando aqui, mesmo que temporariamente, consigo lidar razoavelmente bem com os fantasmas desse apartamento, além de curtir as inquestionáveis praticidades do bairro: correr no Ibirapuera, cortar o cabelo no barbeiro da minha infância e diminuir meu remorso ambiental deixando o carro na garagem e saindo a pé ou de metrô. Quem me assombra mesmo são os corredores do edifício, os halls de alguns andares, a lembrança dos vizinhos, dos “amigos” de infância, o playground dos horrores e algumas quebradas aqui dos arredores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cenário romântico do bairro sem grades e sem portarias não durou, o caos dos anos oitenta não demorou a chegar no nosso éden pequeno burguês. Havia o caos social interno e o externo. Dentro do condomínio, uma profusão insana de crianças e adolescentes em todos os andares, todos os cinqüenta e seis apartamentos. Quase um micro baby boom. A filharada dos agraciados com o milagre econômico do Delfim. A piscina do prédio era um point de encontro social, não esse marasmo onde eu desço pra dar umas braçadas sem preocupação de expor meu físico de bancário mal-sucedido. O resultado desse caldeirão foi uma coisa que tenho até medo de descrever. Apelidaram um menino com o nome de doença venérea. Os pais das doces crianças que coabitavam o playground eram reiteradamente acusados das piores baixarias. As mães não. As mães eram o limite. Mexeu com a mãe, era porrada, ninguém jamais questionou.  Mas havia exceções. Na ausência de um filho homem pra defender a honra, qualquer divorciada logo  virava viúva Porcina, aquela do Roque Santeiro. Isso sem falar dos barracos entre vizinhos, quase uma rotina semanal. Os zeladores que trabalharam no Ajaccio nesse período mereciam uma medalha de bravura e honra ao mérito.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora não era lá muito diferente. A consciência do fim da ditadura e o que ela representava chegaram mais cedo do que deveriam pra mim por dois motivos. Primeiro o papai se candidatou a vereador pelo PMDB em 1982 e o meu mundo girou em torno dos bordões das diretas, do abaixo a ditadura, do Maluf ladrão e do Montoro é o Deus Ex Machina. Segundo, e essa é bem mais legal, o Figueiredo veio tratar da coluna na clínica de um japonês que ficava quase em frente ao nosso prédio. As peruas da rua faziam fila pra pedir autógrafo, mas o país continuou rodando como se nada tivesse acontecido. Aquilo me passou uma sensação de bibelô, um tiozinho ali só pra cumprir tabela. Pensando em retrospecto, faz todo sentido. Com o fim do regime militar veio a democracia e, finalmente, a desordem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Paraíso dos anos oitenta e noventa teve seus momentos Cidade de Deus, favela da Rocinha, Jardim Miriam e Capão, mano. Tinha gangues no bairro. Tinha a gangue “da Major”, a gangue do “Sarandis” e tinha até um marginal todo poderoso, o Tchaca. Tudo isso era verdade, mas eu continuava relativamente tranqüilo na minha existência enclausurada, até então vitimado apenas pelo terror psicológico da mixórdia condominial. Mas um dia sofri o ataque. Estava no primeiro ano do ensino médio do Colégio Bandeirantes quando resolvi fazer uma festa de aniversário de quinze anos no salão do edifício Ajaccio. Tudo corria bem, tinha DJ, nem sei se tinha cerveja (olha que lindo, acho que eu era realmente um menino inocente), todos os amigos e todas as gatinhas convidadas. Só me lembro que aos dez minutos do primeiro tempo chegou uma menina da minha classe com uma amiga e, após algum tempo, convidei a amiga para conhecer a piscina nos fundos do prédio. Beijinhos depois, voltando de mãozinhas dadas com a moça para o salão, todo pimpão, me deparo com pânico em SP. As gangues do Paraíso postadas com porretes e canos diante do respeitável edifício prontas para invadir a festa. E invadiram. Derrubaram o portão, deram porrada em quem conseguiram, caos total. Dois dos sobreviventes acabaram no meu quarto, vomitando pra todo lado, no tempo em que ainda usávamos carpete.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;Hoje está tudo um marasmo. Raramente encontro alguém no elevador. Quando acontece, é tudo formal. Mesmo com os vizinhos, pais das crianças com quem cresci, Olá, Boa tarde, Tudo bem?, Que chuva, não? Todas as tardes, quando desço pra correr no parque, não tem gente no playground. Nem os filhos dos japoneses sempre discretos que só desciam quando não tinha mais ninguém. Vira e mexe tem um idoso com a enfermeira tomando sol, uma babá com o bebê. Um desrespeito com os meus fantasmas. Eu queria descer e ver uma criançada jogando bola, brigando, subindo na grade, jogando lixo na casa do vizinho, xingando o pai do outro, se preparando melhor para a vida, se traumatizando. Aqui no Paraíso, acho que não acontece mais. Resta saber se o Capão Redondo de hoje será o Paraíso de amanhã. E se o Capão Redondo empurrará os Capãoredondenses para mais longe. Até que não haja mais terra. Até que os pobres sejam jogados ao mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-1081139172121114813?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/1081139172121114813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=1081139172121114813' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/1081139172121114813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/1081139172121114813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/02/memorias-do-paraiso.html' title='Memórias do Paraíso'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-8659845334005424552</id><published>2010-01-27T21:28:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T06:12:06.797-08:00</updated><title type='text'>Geografia espiritual</title><content type='html'>Então, o Haiti. Acho que o terremoto mexeu com todo mundo, só não sei de que maneira. Pensei nisso durante o dia surrealista que tive na última terça-feira. Depois de um feriado sensacional na praia com amigos queridos do colégio que não via há meses ou anos, voltei revigorado pra São Paulo. Terça de manhã acordei para mais uma entrevista de emprego em uma consultoria de RH que não ia dar em nada, “same old shit”, eu pensei. Mas essa deu. Saí de lá sem nenhuma coisa formalizada mas com a certeza de que seria contratado. Exatamente do mesmo jeito que saí das quinhentas entrevistas que fiz nos últimos dez meses com a absoluta certeza de que não seria. Essa é uma das vantagens do tempo, de estar mais gordo e mais careca. O Ronaldo pode estar mais gordo, mas sabe exatamente quando vai marcar o gol três segundos antes de qualquer um. Ele tem a minha idade. Enfim, apesar desta boa notícia, engoli um Big Mac e parti para outra entrevista de emprego que não ia dar em nada, desta vez no Morumbi. Me perdi, me xinguei por não ter dinheiro pra comprar um GPS e, de quebra, fui parado por uma blitz da PM que me aplicou uma singela multa de 550 reais por falta de inspeção veicular ambiental. Logo em seguida começou mais uma pusta chuva. Pra onde quer que eu tentasse fugir, a CBN alertava um alagamento. Perdi a entrevista, mas nem liguei, o sensor fenômeno já havia me alertado que não ia dar em nada. Só agradeci a Deus por chegar em casa vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E falando em Deus, é dele (ou dela) mesmo que eu queria falar. E do Haiti também. O disco “Tropicália 2” pode ter sido uma das piores coisas que Caetano Veloso e Gilberto Gil fizeram em suas carreiras. Mas numa coisa eles tinham razão. A música principal do disco diz “O Haiti é aqui. O Haiti não é aqui”. Não sei se foi exatamente isso que eles quiseram dizer mas, de fato, o Haiti não é aqui. Afinal, temos “investment grade”, pré-sal, banco central independente e somos futuros credores do FMI. Ao mesmo tempo, quando tenho medo de morrer pelo simples fato de estar com o carro parado do lado do rio Pinheiros, acho que o Haiti é aqui sim senhor. Essa coisa toda me fez pensar (com a ajuda de meu companheiro filosófico e bloguístico Eric Lovric, que também escreveu sobre o tema, conferir link ao lado): até que ponto estamos sob intervenção divina e até que ponto estamos pagando caro por nossas próprias cagadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, comecemos pela intervenção divina. O terremoto do Haiti gera um pensamento quase automático. Dentre tantos lugares no mundo pra acontecer um terremoto, dá-lhe Haiti. Dentre tantos crápulas no mundo que não fariam a menor falta, perdemos a Zilda Arns. Os ateus ficam mais convictos. Aí eu lembro de uma conversa com outro parceiro de filosofia de botequim, meu tio Raul Lessa. Estávamos conversando sobre religião e ele me contou de um livro que tinha lido (não sei o nome nem o autor). O argumento principal era que Deus e o Universo, com sua característica caótica e randômica,  não podem ser a mesma coisa. “Deus não fica lá no céu”, ele dizia, “com uma cesta de cânceres pensando: vamos ver, hoje temos três de pâncreas. Esse aqui vai pro Seu Almeida lá de Birigui. Esse vai pro Sir Edward Willians de Liverpool e esse aqui vai pra aquele chinês safado que está merecendo faz tempo!”. Tampouco me convence aquela história de que Deus escreve certo por linhas tortas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou filho de um pastor presbiteriano que tinha uma fé impressionante. Sou testemunha (mas não de Jeová) da transformação que a religião pode produzir. Cansei de ver meu pai, em situações dificílimas, orando, olhando para um quadrinho que dizia “The Lord Will Provide”, virar para o lado e dormir tranqüilo. Também vi a paz que a religião trazia para a vida dele e a mesma paz que ele transmitia para várias pessoas que o conheciam e com ele conversavam. Mas eu nunca consegui aceitar, como ele dizia, que o cristianismo era a única resposta. Jamais concordei com o segundo plano em que ele colocava as outras religiões. Uma coisa que realmente impactou a minha religiosidade foi um livro do Rubem Alves que li chamado “O que é religião?”. Ele explica que o ser humano é o único ser vivo que tem consciência da própria existência e, por isso, o único que precisa buscar um sentido para ela. Uma eterna vítima da frustração e da neurose. O único que, às vezes,  se suicida. Acho que concordo com a visão de que Deus é uma eterna busca de resposta, uma busca impossível mas necessária. Deus aparece nos momentos raros e inexplicáveis de autêntica felicidade que vivemos em meio aos terremotos do Haiti e às enchentes da marginal Pinheiros. Não consiguia encontrar a religiosidade do meu pai quando ele defendia a supremacia irrefutável do cristianismo e a mediocridade dos budistas ou dos macumbeiros. Mas mantenho minha fé em dia quando lembro da maneira simples e sincera com que ele gostava de mim. Quando estávamos jantando no Sujinho às duas da manhã e ele me dizia: “Agora chega de conversa fiada. Quero saber de você. Me conta qualquer coisa de você”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora chega a vez das nossas próprias cagadas. Ainda que dê trabalho lidar com o caos do Universo, acho que o estrago que fazemos é razoavelmente maior. Estamos todos buscando um sentido para nossas vidas, só faltou combinar com o síndico. O planetinha parece dar sinais de cansaço. Enquanto a turma da COP15 fica discutindo como se tivesse opção. Como se o ladrão apontasse o 38 na nossa cabeça e a gente dissesse: “Pô, mas deixa deizinho pro busão!”. O terremoto do Haiti e a Dona Zilda talvez sejam obra do acaso, mas a enchente da marginal Pinheiros, pra mim, não é. E Janeiro “atípico” é conversa pra boi dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-8659845334005424552?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/8659845334005424552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=8659845334005424552' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8659845334005424552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8659845334005424552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/01/geografia-espiritual.html' title='Geografia espiritual'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-903949985828090755</id><published>2010-01-05T00:36:00.000-08:00</published><updated>2010-04-03T14:31:50.147-07:00</updated><title type='text'>CQC, CQD</title><content type='html'>A TV aberta é surpreendente. Para quem sonha ser escritor, confesso que vejo televisão demais. São duas as experiências mais recentes e marcantes. A primeira aconteceu quando mudei para o interior em 2006. Morei três meses num hotel. Um suplício equivalente, dentro das minhas neuroses, a assistir “Lula, o filho do Brasil” na companhia de Hugo Chávez. Eu me sentiria sufocado no Hilton de Dubai. Odeio hotéis. Imagine o hotel Galeria de Jaguariúna, com direito a orquestra de traseiras de carro regurgitando três músicas sertanejas diferentes ao mesmo tempo. Sérgio Paranhos Fleury não conceberia tortura pior (uma piadinha sem graça e politicamente incorreta, só pra aquecer o que está por vir). O jeito foi me virar com a TV aberta naquelas noites aflitas. A única coisa suportável era o programa do príncipe Roni Von na Gazeta. Ele era educado. Entrevistava educadamente pessoas que faziam alguma coisa: cantavam, tocavam, escreviam, cozinhavam, organizavam, pesquisavam. Uma realização sem precedentes naquele mundinho, quase emocionante.  Mas nesta época ainda não havia surgido a coqueluche da TV aberta. Minha segunda e atual experiência é assistir o genial CQC de Marcelo Tas, um dos mais criativos profissionais do jornalismo brasileiro, Top 10 nos livros mais vendidos, Twitter Top Five, elogiado por toda parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/nRY2ZsmTecs&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/nRY2ZsmTecs&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O CQC demonstra o talento do novo jornalismo brasileiro cobrindo (em duplo sentido) Carla Perez e os mendigos do Centrão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de uma amiga dos meus pais dizer uma frase, essas cagações de regra que ouvimos durante a vida que viram adubo e geram frutos. Eu era bem criança, estava de butuca, nunca mais me esqueci. Ela disse: “Me considero uma pessoa moderna e sem preconceitos. Acho que todo mundo tem o direito de ser o que quiser, menos ridículo”. Apesar de pequeno, aquela frase teve um impacto interessante, foi impossível não guardar num arquivo X. Claro que a definição de ridículo é bastante subjetiva. Mas ainda assim a frase faz muito sentido. Ela queria dizer que aceitava qualquer convicção religiosa, sexual, alimentar, comportamental, transcendental e apenas solicitava que não lhe ofendessem a inteligência. Algo como negar o óbvio. Ver uma mesa azul bem na frente e dizer, ao vivo e em público: “Não, essa mesa é amarela”. Um Maluf dizendo “essa assinatura não é minha”. Ou o Marcelo Tas, ao vivo no programa do Dan Stulbach na CBN, dizendo que o CQC não imita o Pânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2NhvnXsCkJ8&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/2NhvnXsCkJ8&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Didi, Mussum e Tião Macalé poderiam demonstrar a Marcelo Tas e aos demais sábios do CQC a diferença entre o bom e velho humor politicamente incorreto e a humilhação pública de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Minhas elucubrações sobre essa pérola da cultura brasileira estão numa postagem anterior deste Blog (Link o lado- “Deficiência Mental” – 08/2009). O Pânico introduziu nas terras tupiniquins o humor fascista, baseado na humilhação pública da elite para divertir a plebe e presenteá-la com a doce ilusão de que está indo à forra. A nova ditadura da mídia pós-ditadura que não dá ao indivíduo o direito de querer ser entrevistado, o direito de não achar graça no repórter agressivo dono de uma equipe de estagiários de 800 reais chafurdando a internet em busca de temas para perguntas capciosas. O CQC, infelizmente, usa esse instrumento com bastante freqüência. (Exemplos de YouTube não poderiam faltar nessa postagem. Passei algumas horas pesquisando. Esse massacre de seis minutos na Carla Perez não poderia ser mais ilustrativo). E já que estamos imbuídos do chatinho, do bastião da moralidade, não custa cutucar mais um detalhe. Aquela frase que o Juca Kfouri insiste em relembrar em todos os seus programas: “Olha como tem jornalista canastrão fazendo propaganda na televisão”. Será que o intrépido repórter Rafinha Bastos, o imparcial, defensor dos mais elementares direitos públicos, visitaria a fábrica de um dos seus patrocinadores (podemos limitar aos que fazem propaganda dentro do programa) se ele resolvesse poluir indevidamente o córrego de uma indefesa cidadezinha do interior? E ainda tem a cara de pau de criticar o Luciano Huck por colocar propaganda no Twitter? Como diriam meus amigos, ridículo sou eu de samba-canção na varanda. Isso é algo novo, indefinível.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que vejo esses programas me pergunto: por que o humor politicamente incorreto é tão legal e por que esses programas me ofendem? Talvez exista uma diferença fundamental em rir da condição humana, a tragédia genérica que vira comédia ao simples virar da moeda de cara para coroa, com a violação de privacidade. Entre saber que todos os humanos, até os cristãos, são pecadores e transmitir em rede nacional a conversa com o padre na intimidade do confessionário. Alguma coisa estranha está faltando, alguma forma de respeito ou de limite.  A diferença entre mostrar a verdade, tentar conscientizar por meio do humor ou da ironia, e apedrejar a prostituta quando muito, mais muito obviamente, ninguém por ali tem condição de atirar a primeira pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando na improvável hipótese de alguém ligado a esse programa ler este texto um dia, eu lembraria uma resposta antiga do Chico Anísio (aliás, mais um agraciado pelo humor inteligente do CQC, dada sua lentidão para algumas respostas - o novo jornalismo exige respostas rápidas e astutas, sob pena de mais ridicularização). Um dia lhe perguntaram sobre as imitações de Gil e Caetano, unanimidades nacionais, feitas no seu programa. Ele não se preocupava? Eles não vão se sentir ofendidos? A genial resposta foi explicar que só imitava as pessoas interessantes. Que graça teria criticar uma pessoa desinteressante? Um dos melhores amigos que eu fiz na minha passagem pelo interior (e pela vida), o Mineiro, um dia ficou puto de tanto que a gente imitava o jeito dele falar. Aí eu lembrei o Chico Anísio e falei: Minas, a gente só imita as pessoas legais. Você imagina alguém imitando o Reginaldo da Contabilidade? Pois é, eu diria isso pro Marcelo Tas se pudesse, numa mesa de bar, talvez depois do quinto chopp, como quem não quer nada. Não cansarei de lhe descer a lenha. Você poderia fazer muito melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-903949985828090755?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/903949985828090755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=903949985828090755' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/903949985828090755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/903949985828090755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2010/01/cqc-cqd.html' title='CQC, CQD'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-1946718996235217647</id><published>2009-12-28T13:35:00.000-08:00</published><updated>2009-12-30T10:05:27.860-08:00</updated><title type='text'>A Gilete</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vento solar e estrelas do mar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A terra azul da cor de seu vestido &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vento solar e estrelas do mar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Você ainda quer morar comigo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Lô Borges – Um girassol da cor do seu cabelo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia era digno de se convocar um plebiscito para transferir Juiz de Fora de Minas Gerais para o Rio de Janeiro: abafado, úmido e carente de maresia. Anderson, em homenagem, zanzou o tempo todo pela casa de bermudinha e havaiana. Admirou a varanda de zero cinqüenta por um e meio com orgulho, antecipou a presença do apart-grill do catorze zero meia e suspirou mais fundo, admirando os próprios peitorais. O piso de pedras, bege com detalhes floridos na paleta de marrom, promoção da Casa do Pedrão em dez vezes sem juros, entoava um agradável eco de chinelos e reverberava as guitarras das melhores bandas da região. Tudo meu brother! A vista tinha um ar meio carioca, ladeiras de paralelepípedos entremeadas de mato, meninas pra lá e pra cá. Pela esquerda, um pedaço da avenida suficiente para enxergar o luminoso do delivery de torresmo e o açaí da praça onde ele terminara o curso de pós graduação em marketing e finanças. A sala era decorada com quadros que herdou dos tios: um pôster envidraçado do Rocky I (o único que prestava), o quadro maciço do chimpanzé vestido de astronauta e o famoso desenho das caricaturas da MPB, tudo em gentil harmonia com a TV CCE e o gato da Net aberto para todos os campeonatos do PFC. Na cozinha recusou o pingüim da vó, ficou em dúvida com os panos de prato bordados e com rendinha, aceitou o velho microondas e a geladeira de puxador retrátil. Era velha, amarelada, propensa a fungos, mas gelava cerveja no ponto e matava as saudades do velho Nésio. Seu quarto estava arrumadinho, a cama de viúva casara certinho com o jogo de lençóis dos Herculóides. O criado mudo tinha um vão especial para a coleção de quadrinhos do Groo, o errante. Mas o xodó dele era mesmo o banheiro. Limpinho, desinfetado com cuidado pela Dona Fátima, cheirando a lavanda roxa, dava pra imaginar as valquírias do comercial trazendo seu acervo da Gatinhas Brazil numa bandeja prateada para o momento íntimo da cagada vespertina. Na bancada ao espelho, arrumou a coleção de perfumes e deu destaque especial ao pólo preto. Dentro do Box, jaziam impávidas no suporte plástico as últimas aquisições, até então inéditas: xampu e condicionador para cabelos secos e um reluzente barbeador de cinco lâminas, virgem, ainda no lacre, ansiando um momento todo especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às três e meia o Daniel ligou para dar uma enquadrada. Que história é essa de jantarzinho íntimo pros amigos? Falou com ele meio de lado no celular, soava muito alto e já tinha tomado umas. Vem logo e não cria caso. Lembrou do Flavinho, que era mais tolerante. Você está curtindo? O importante é você estar curtindo. Aquele jeito mineiro do brejo de falar a frase calma, o biquinho, a cabeça virando de lado, ponderando. Deu mais confiança. Quis ir em frente. O Flavinho era foda, companheiro. Estava quase na hora da mina chegar, precisava demonstrar confiança. Decisão era uma coisa importante, tinha um passo a dar, para frente. Um desafio. Uma vida mais madura, de pós-graduado, de quem tinha apartamento próprio, mesmo financiado. Depois se lembrou do Daniel de novo, das baladas, das farras no sítio, das viagens pro Rio, começou a se arrepender, viu a variabilidade que os Herculóides poderiam comportar, a mistura de aromas dantescos que tomariam conta daquele quarto canalha depois de um fim de semana bem levado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento não vingou. Tocou a campainha. Tocou pela primeira vez a sua campainha. Sou eu quem paga a conta de luz dessa campainha. Era a mina, chegando antes da hora. Oi, lindo, não agüentei esperar até anoitecer, sabe a Teca, prima do Betão?, então, ela estava passando aqui na praça pra comprar aquela bolsa que eu te falei que era ridícula e caríssima e que era imitação da que a minha irmã viu em Nova Iorque, então, ela foi lá e comprou, óbvio, ela se acha, coitada. Anderson ouviu ouvindo, focado no farol quase aceso do vestidinho azul da sua candidata a namorada oficial. O toque-toque do neo-tamanco o fez abaixar o som. Começou a tocar Beautiful Day do U2 e ele mudou de idéia, aumentou de novo. Resolveu apelar pra estrear logo aquela coisa toda. Estava com saudades, gatinha, vem cá me dar um beijinho na varanda, vem?  Ela foi. Ela, vez em quando, ensaiava comentar alguma coisa, voltar pra bolsa ou pras amigas, alheia ao espírito. Ele apelava às mordidinhas no pescoço e aos impropérios ao ouvido. Me conta essa história lá no quarto, safada! Ai, Anderson, vem que eu te conto. Vem, vem, me conta tudo do preço dessa bolsa! Mais uma vitória dos Herculóides, esse heróis da infância, sempre presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de toda a incandescência, Anderson foi tomado por um sentimentalismo pós-coito. Imbuiu-se daquelas horas em que todas as putarias da vida parecem vazias. Colocou um CD que ele escondia dos amigos, um dos copiados do acervo do pai: Rod Stewart ao vivo e Unplugged. Dançou “Have I told you lately that I Love you” com a mina, do começo ao fim, no meio da sala marrom, agarradinho, ele de cueca, ela de calcinha e camiseta. Pensou em casamento, numa filinha, numa casa maior em Belo Horizonte. Ou no Rio. A vida diferente, um pai de terno indo ao trabalho, uma figura respeitável nas ladeiras, cumprimentando as meninas com simples afagos nos cabelos, apenas gestos. Uma referência, um diferente na família. Ao voltar estava jogado no sofá vendo imagens correntes do gato e a mina dava o veredicto: não tem nada aqui, ainda bem que eu trouxe as coisas no carro! Toalha de mesa, talheres e aqui do lado tem os ingredientes que eu preciso. Vou lá e já volto.  Toalha de mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite chegou rápido. Iniciou-se um ritual de recepção: Flavinho, Daniel, ele e a mina. A gente está tão feliz de receber vocês aqui... Flavinho, mais simpático, fazia companhia pra mina enquanto ela terminava de mexer o estrogonofe e secava as mãos no avental. Sabia que é o prato preferido dele? Daniel aproveitou a brecha e chamou o Anderson pra pôr os pés no chão, ele tinha enlouquecido, tinha ficado com a mina há duas semanas, mal conhecia e ela estava lá com “a gente está feliz”. Que mané “a gente está feliz”? Anderson sorriu tranqüilo, deixa rolar, meu brother, fica tranqüilo, pega mais uma cerveja. O amigo sentou de novo, ficou tomando mais uma sem conseguir se concentrar na pancadaria da TV. Estava aflito com a combinação do chimpanzé sorridente e da toalha de mesa verde-água com detalhes geométricos laranja e amarelo. Mas a mina era rápida e captou os sinais. Tratou dele com mais atenção do que a dispensada ao namorado. Serviu com cuidado o arroz, arrumadinho, depois ajeitou o montinho de batata palha e encaixou o estrogonofe no vão, na medida certa. Deixava a cervejas sempre geladas, tomava cuidado pra não interromper os papos de homem. Perguntou se o Daniel ainda esta namorando. Ainda? A mina sorriu dengosa, você não tem jeito mesmo, né? Desfechou com um golpe de mestre, pavê de chocolate, receita secreta da vó da mina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ânimos descansados, o ambiente respirou. Flavinho fumava um Carlton na varanda e divertia os amigos contando as histórias da ex-namorada que ameaçou processá-lo por danos morais. Daniel, mais relaxado, deu seqüência com a descrição detalhada da estratégia que usaria pra catar a filha do dono da academia. Essa sim era mulher pra casar. Tec Tec Tec. Discutiram por uns dois minutos se mantinham a Net no PFC ou mudavam pro canal de domador de cobras do Discovery. Tec Tec Tec. Ficaram mesmo com o domador, abaixaram o som pra discutir melhor se ficariam por lá mesmo ou se iam pra balada. Daniel queria ir ao Cultural Bar e o Flavinho não queria mexer com isso não. Tec Tec Tec Tec Tec. Anderson foi pegar mais cerveja e o Daniel parou pra prestar atenção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que caralho de barulho é esse?&lt;br /&gt;- Sei lá...&lt;br /&gt;- Cadê a mina?&lt;br /&gt;- Não sei, ué, estava aqui, foi pra cozinha e depois não vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mina estava tomando banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anderson... Ela não tinha tomado banho antes do jantar?&lt;br /&gt;- Tinha.&lt;br /&gt;- E o que é esse Tec Tec Tec?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após uma esquisita meia-hora, ela de preto, batom e bolsa despediu-se rapidamente de todos explicando que ia correr pra marcar presença no jantar de aniversário do padrasto, senão a mãe vai ficar no pé mais de uma semana. Enquanto os amigos já não tinham mais saco pra buscar interpretações, Anderson só pensava no seu altar, seu xodó azulejado. Lá, um pote vazio de creme desdenhava o poder do Pólo. A revista primeira da pilha estava cheia de respingos, bem na capa da Susi Barraqueira. O cheiro de lavanda roxa esvaíra-se. Havia agora uma enjoativa mistura de xampu de babosa com uma colônia adocicada de dezesseis e noventa. E a gilete, maculada, agonizava no chão do Box, misturada aos cabelos compridos acumulados no ralo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim de tarde seguinte, tocou o celular, era o Daniel. Só se fala de uma coisa aqui no bar: parece que o Betão está rico. Ganhou na raspadinha premiada. Anderson desligou, viu um pouco de TV, fez um sanduíche, abriu uma cerveja. Depois de um tempo dobrou cuidadosamente a toalha de mesa verde água. Ao lado colocou os restos de estrogonofe, arroz e batata palha em três recipientes plásticos separados e vedados. Foi à varanda, curtiu o pôr-do-sol, trocou olhares com as meninas da ladeira. Tudo inútil. Uma coisa não saía da sua cabeça. Sacanagem... Zoou a minha gilete.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-1946718996235217647?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/1946718996235217647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=1946718996235217647' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/1946718996235217647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/1946718996235217647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/12/gilete.html' title='A Gilete'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-2999982590223707056</id><published>2009-12-08T20:04:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T10:52:13.106-08:00</updated><title type='text'>O relojoeiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;" ’If you knew Time as well as I do,’ said the Hatter,‘you wouldn’t talk about wasting&lt;/span&gt; it&lt;span style="font-style: italic;"&gt;. It’s &lt;/span&gt;him&lt;span style="font-style: italic;"&gt;.’&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;’I don’t know what you mean,’ said Alice.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;’Of course you don’t!’ the Hatter said, tossing his head contemptuously. ‘I dare say you never even spoke to Time!’&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;’Perhaps not,’ Alice cautiously replied: ‘but I know I have to beat time when I learn music.’&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;’Ah! that accounts for it,’ said the Hatter. ‘He won’t stand beating. Now, if you only kept on good terms with him, he’d do almost anything you liked with the clock."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lewis Carroll - Alice's adventures in Wonderland&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;11:37, hora em branco matinal, lembrança do Natal que se aproxima, ressaca imaginária do tender e das passas no arroz. A graça do dia 25, para ele, era inexistir. Era uma herança. O tempo do pai era um relógio sem paradas artificiais e regalos, provocação infantil de adulto para criança obrigada a crescer, ver a realidade econômica do país e da vida e da sua bicicleta, do seu atari. Aquele tempo era um Maílson da Nóbrega anão. Agora hoje, 12:43, uma coisa apenas o faria desejar festas: uma boneca russa infinita, vermelha e dourada, cheia de afrescos, uma capaz de olhá-lo e dizer: você pode me abrir hoje até seu aniversário, o dia da criança, o dia do solitário, a festa de fim de ano do ano que vem, nenhum ponteiro há de interromper nosso ciclo, nossa conversa e intimidade. Seu presente aos outros seria um ritual de magia negra espalhando bruxinhas idênticas pelos cantos da sala e do jardim, assim estragariam também as páscoas do porvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14:02, viu no espelho sua cicatriz na testa, companheira quase tão velha quanto seus primeiros minutos. No dia da bicicleta, o velho não disse nada, balbuciou alguma desculpa qualquer, meteu-o no carro, lanterna quebrada, fedendo a jornal. Um bairro chegara e ele não sabia onde era. Agora, 14:14, ele nunca mais saberá. Como sempre, nada fazia sentido, por que tão longe? Por que arrumar um lugar esquisito? Qualquer um arruma carro e hoje em dia... No fim esqueceu. Carrilhão sem paradas, sem razões, gira e gira e gira e demora. Demora pra perceber o mundo, pra se importar com os outros. Discutiram coisa de carros o pai e o tiozão sujo de graxa. Este arrumou, no que devia ser 15:37 daquele dia, uma improvável bicicleta cross do fundo da oficina, semi-nova mas honesta. Veio junto na conta, um presente de causas naturais. 16:09 do dia seguinte, uma cicatriz de causas igualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje mais tarde, talvez 16:28, ele, logo ele, unanimidade da família, fantasiou a cicatriz resolvendo abrir no meio da hora de servir o tender, jorrando pus irônico da mesma cor do molho de ervas. Estava chocando um cuco drogado. Queria quebrar a casca e mostrar a impontualidade do velho, a falta de importância que o filho jamais conseguiu fazer o mundo merecer. 17:04, odiava as festas por caírem no verão, suava uma gota segundo. Decidiu apelar ao amuleto, a última alquimia de pulso paralisada desde o dia do velório. Uma peça de valor médio-baixo de mercado, uma pulseira de couro escuro, brilhante, cheia de um gasto justo, um envoltório metálico meio prateado pelo gasto do dourado. 17:27, ele subia a velha ladeira do bairro, toda decorada de condomínios orgulhosos de mini lâmpadas chinesas, e ele as adorava: itens primordiais do déficit comercial e espiritual brasileiro. Lá em cima, a rua do colégio, entre uma lan-house e uma franquia de perfumes, sobrevivia um relojoeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17:39, ele observou os relógios de cozinha, à esquerda. O homem previsível o atendeu sem sorrir, meio calvo, meio branco da vida. Vamos verificar se a bateria funciona. Se estivesse ali, o pai diria a frase de sempre, e ele se impacientaria e diria eu sei que você se mataria em uma semana nesse ofício, é tão nobre ser as coisas que nós somos, e lembrou que o papo de ser aquilo o enchia do mesmo vazio de agora, 17:43. Funcionou? Funcionou. Mas a satisfação de ver a engrenagem girando pedia mais. O senhor poderia restaurar as falhas no metal? Sim, mas não vale a pena investir. Ele não vai durar muito. Cogitou insistir. Mas não, preferiu continuar desnatado, um Pascoal sem ilha, um pai de dia dos pais sem filhos, uma mãe sem Casas Bahia. O relógio fica e um dia vai parar. De causas naturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-2999982590223707056?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/2999982590223707056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=2999982590223707056' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2999982590223707056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2999982590223707056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/12/o-relojoeiro.html' title='O relojoeiro'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-3847483830718186524</id><published>2009-12-03T07:18:00.000-08:00</published><updated>2009-12-03T07:20:09.725-08:00</updated><title type='text'>2010</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/SxfXH0XYjOI/AAAAAAAAAIw/xq_CJoPKL1Q/s1600-h/Newyearw.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 372px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/SxfXH0XYjOI/AAAAAAAAAIw/xq_CJoPKL1Q/s400/Newyearw.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411030006624718050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-3847483830718186524?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/3847483830718186524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=3847483830718186524' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3847483830718186524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3847483830718186524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/12/2010.html' title='2010'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/SxfXH0XYjOI/AAAAAAAAAIw/xq_CJoPKL1Q/s72-c/Newyearw.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-8627140716471698924</id><published>2009-11-26T19:57:00.000-08:00</published><updated>2009-11-26T20:38:10.423-08:00</updated><title type='text'>Sonho de uma noite de verão</title><content type='html'>O ventilador batia forte, as energias da cama iam e voltavam, frio demais sem os lençóis, calor esquisito com. Já sonhara as coisas que odiava, circo, mendigo, surra do colega da sexta série, coisas desconexas e sem luxúria, muçulmanos e ligas metálicas, tudo menos um prazerzinho. O sono não fluía bem e, depois de uma passeada qualquer por um prédio abandonado com santas barrocas, sentou num tronco lilás e ouviu o cutucar chato de uma coisa familiar. Anota aí! Anota logo, vai! Agora! Anota o quê? O número, vai: quatro, sete, meia,... O cidadão, quase bispo, sugeriu que cantassem uma trovinha com os números. Quatro lá, sete sol, meia ré e coisa e tal. O que sucedeu, uma pedra até onze da manhã e o acordar penitente daquela hora, não é nada, mas nada é alguma coisa depois de uma coisa dessas. Pastores ainda pregavam na televisão ligada, o café acabara, o dia nublou, a cueca rasgava e o número, longe da santidade da memória, ficou rabiscado numa conta a pagar prestes a cair da escrivaninha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Número começado com quatro, sete, meia aterrorizava a classe média, um apelo a Virgem Maria, é coisa de periferia ou de presídio. Um código secreto capaz de fazer sua mãe reverenciar o bina e esquecer São Jorge. Uma sequência cabalística porém insuficiente para tirar um tédio tardio do seu curso natural. Até que revistas descritivas da realidade terrestre, copos com meio suco e cinzeiros pedindo socorro saíssem do caminho, dois dias foram. Para sair do mesmo, brincou de fazer trote da infância apartamentícia, quantas pizzas não devolveu o pobre Seu Soares do terceiro andar. Se mera enganação ou fio de esperança convicto na existência paralela, só uma vidente saberia. Superou a preguiça do telefone sem fio da sala e discou vagaroso: quatro, sete, meia... Alô? É... alô. Pois não? Me perdoe a indelicadeza, não costumo fazer isso, você poderia me dizer de onde falam? Olha, parece que aqui é do sonho do seu Marcelo. Pausa cruel. Lá era do sonho dele. E quem está falando? Aqui é o gato maltês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante do felino era o timbre de Voz do Brasil, intimidador e dono da verdade, nem parecia viver num estado laico. Saberia me informar se o senhor Marcelo se encontra? Olha, pra ser sincero eu estou um pouco perdido com essa coisa de encontrar comida no ambiente etéreo, isso é novo pra mim, apesar de maltês. Afinal, peixe é peixe e cio é sonho divino em qualquer lugar. O senhor é simpático, vou tentar o Flash dois. Lá Sol Ré Sol Lá Mi Mi... Lá Sol Ré... As unhas marselhesas já se corroíam. De castigo e de tesão. Alô? Boa tarde, eu gostaria de falar com o senhor Marcelo. Ele no momento se encontra ocupado com as virgens de Alá, senhor. Você poderia informar que é o Marcelo, ele mesmo, quem gostaria de falar? Neste caso estarei verificando, senhor. Lá Sol Ré Sol Lá Mi Mi... Lá...rápio Sol...stício Ré...mido lá lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito! Esse é o meu garoto! Esse é o cara! Mamá, garotas! Mamá na linha! A ligação era perfeita, o burburinho dava pra sentir na pele. A origem do universo seria o cumprimento que se faz a si mesmo. Tudo bem por aí? Aqui está tudo na maior santidade, estou vestido de rabino, trancinha e tudo, sunguinha Calvin Klein, funk carioca bombando, arquitetuta gótica, sol ensolarado, mas eu quero pausar tudo! Pausa tudo! Quero ouvir você, Mamá! Me fala de você, Mamá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alheio ao fuzuê, quis apenas a pergunta fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu só queria te perguntar por que sempre que eu começo a transar no sonho o sonho termina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre. O máximo que eu consegui foram as primeiras bombadinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Puxa vida... Mas sempre foi assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre. Desde o tempo da Xuxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caramba... Pô, a Xuxa... É importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, mas eu só sonhava com ela no tempo da Manchete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sério? Na Globo não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não... Aquele cara vestido de joaninha, o disco voador e aquele anão meio que me tiravam o tesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas nem as paquitas compensavam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é, não... Eu tinha uma encanação que era muita loira e eu não ia dar conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa. Isso é trauma profundo. Infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nosso Pai deve ter explicado alguma coisa profunda nessa época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que sim. Ele te explicou, nos detalhes, o que era polução noturna?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum... Explicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom. Está tudo bem com você aí, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, por aqui está beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então é isso aí. Nos falamos, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nos falamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Abraço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-8627140716471698924?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/8627140716471698924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=8627140716471698924' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8627140716471698924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8627140716471698924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/11/sonho-de-uma-noite-de-verao.html' title='Sonho de uma noite de verão'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-755235520793989599</id><published>2009-11-15T20:19:00.000-08:00</published><updated>2009-11-16T10:41:31.036-08:00</updated><title type='text'>O exame</title><content type='html'>Agulha. A própria palavra perfura. Ele queria era evitar o constrangimento de sempre, isso era tudo. Aquele ridículo do afrescalhado. Na verdade era assim, convenhamos e venhamos não ser uma coisa de macho muito forte, ora, na frente da enfermeira já toda preparada e passando a sensação de que ele era só mais um na rotina toda. Então um braço deitava ali, rendido, pra direita e sempre o fazia lembrar a palavra “drill”, aqueles verbos onomatopaicos do inglês que ele tanto gostava. Menos este. Este era coisa de filme de ficção científica que sempre tem uma “drill” pra sugar a Terra ou qualquer outro planeta. O outro braço (aqui está o presente secreto) pateticamente se dobrava em “V” na sua frente. Tinha que encostar bem no rosto, pois cada perna do “V” serviria para cobrir totalmente a superfície de cada olho, uma covardia muda dividida em dois membros. Curioso é que o artifício em questão, por toda sua geometria intrínseca, permitiu ao vitimado ter livre o seu nariz, logo abaixo do gordinho do cotovelo. Ah, essa liberdade! Através dela o cheirinho inequívoco de éter dos estabelecimentos hospitalares dá o seu alô. Alô picardias adolescentes, o sexo que ele jamais praticou como gostaria mas quase sempre se fez promíscuo, outra palavra interessante que talvez fizesse de seu sangue uma possível evidência criminal.  Reforçou-se a pressão do “V”. Sucessão natural é pensar sobre o pensamento da enfermeira e sempre são insensíveis e vividas as tiradoras de sangue (até o uniforme não era tão branco - Ou ele está vendo coisas). Seu “V” deve despertar nas enfermeiras sadismos recônditos. A prova veio no aperto da borrachinha, aquela marrom estranha. Ela tomou o braço de sufocamento, o nó foi exagerado. De novo. A rotina dos quadrados do piso de borracha. O próprio avistar dos quadrados é sinal de que o “V” vai cedendo, como se respondesse a um lampejo de dignidade. Já ereto, sem virar o rosto à direita, concentra-se no seu ódio às divisórias plásticas. Constata que a visão periférica lhe concedeu detalhes da vida do cubículo, teria evitado se pudesse. Viu o óbvio com força: a fragilidade do seu corpo. Agulha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-755235520793989599?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/755235520793989599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=755235520793989599' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/755235520793989599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/755235520793989599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/11/o-exame.html' title='O exame'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-1283952134236888671</id><published>2009-11-06T19:40:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T19:43:17.481-08:00</updated><title type='text'>O descobridor de Potosí</title><content type='html'>Havia entre os ibéricos, desde medievais eras, verdadeira adoração pelos brasões. Assim o demonstra o orgulho sóbrio com que a família espanhola Garcez Vásquez exibiu sua cor em bandeiras no porto de Lisboa em 12 de novembro de 1518. Partia naquele dia um de seus mais ilustres fidalgos, D. Diego Garcez Vásquez, capitão da expedição exploratória a serviço do monarca português D. João III, o Piedoso. Ao caminhar em direção a nau Santa Madalena, o manto de D. Diego adquiriu espantoso brilho, fundindo-se à cor preponderante de seu brasão em algo sólido e único. Levantadas as velas, sua embarcação e as demais da frota fundiram-se ao mar e céu, o próprio sol escureceu antes da noite e o capitão desapareceu na uniformidade, muito antes de atingir o horizonte. Nesta toada conduziram-se, como num vôo, até as águas cristalinas dos rios do sul da América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atracaram na baía de Santa Catarina, inteira tomada por matas e gramíneas. Mal se podia ver a areia. A expedição, além de seus homens, contava com índios carijós trajados em folhas, fibras e cordas de cipó. Livre de seu manto incompatível aos ares tropicais, D. Diego conduzia o grupo com desenvoltura impressionante, como se prescindisse de qualquer orientação dos nativos. Os homens atribuíam sua estranha nova coloração às febres tropicais. Em muitos momentos, embrenhados na mata, viam o capitão desaparecer. Mais adiante, a curta distância, distinguiam-no finalmente em meio às rãs, jacarés, cobras e folhagens. O brasão, sempre carregado tal um cajado pelo explorador, também se transformava, misturado naturalmente ao ambiente fechado e hostil.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após dois meses chegaram ao deserto. Mais da metade dos europeus perecera. D. Diego e seus homens cobriram-se de tinturas à base de pau-brasil confeccionadas pelos carijós. A proteção era necessária para resistir à exposição constante ao sol e a ausência de sombras. Sobreviveram graças à caça de animais rasteiros, assando suas carnes expostas e afiando os dentes como selvagens. A pouca madeira que encontravam pelo caminho era cuidadosamente guardada para que suportassem a temperatura da noite em volta do fogo. Após uma sangrenta batalha com índios rivais dos carijós, o corpo de D. Diego e seu brasão eram, novamente, uma só pele, esgarçada pela selvageria, indistinguível da cor dos nativos e da areia sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta agrura e morte não foram em vão. O explorador fez de sua missão uma resposta às súplicas dos monarcas ibéricos. Descansou pela primeira vez seu semblante ao avistar a montanha prateada de Potosí. Foi tal seu deslumbramento que não notou a beleza da vila indígena, toda coberta de gelo e neve, as construções de pedra, os lobos e coelhos domesticados descansando à porta das casas. Conforme se aproximava da montanha, D. Diego empalidecia e seus olhos claros descoloriam. Caminhou afundando na neve até desaparecer aos olhos dos dois carijós que ainda o acompanhavam. Deitou finalmente sobre o mar de prata e não pode mais se mexer. Expôs seus dentes todos, num sorriso febril. Permitiu que sua pele absorvesse toda a força fria da montanha. Aos poucos seu corpo, e o brasão dos Garcez Vásquez, transformaram-se numa mistura sólida de gelo e carvão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta forma D. Diego retornou ao velho continente em 1556, levado por navegadores desconhecidos. A corte do rei espanhol Felipe II o recebeu a princípio com estranhamento. Contudo, logo deram início às homenagens e honrarias. Repousou, enfim, num suntuoso jazigo, descolorido, no cemitério de Madrid.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-1283952134236888671?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/1283952134236888671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=1283952134236888671' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/1283952134236888671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/1283952134236888671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/11/o-descobridor-de-potosi.html' title='O descobridor de Potosí'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-1299645548186961781</id><published>2009-10-28T12:54:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T13:03:20.391-07:00</updated><title type='text'>Antropologia de caminhão</title><content type='html'>Cuiabá estava em polvorosa. Repórteres de todos os respeitáveis meios de comunicação apinhavam-se à porta do pequeno sobrado verde, geminado a um azul e a um descascado. Dona Alzira saiu enfim, abraçada às tradicionais papagaias de pirata da família. Emocionada, balbuciou agradecimentos a Nossa Senhora, Santo Antônio, Jesus Cristo, Deus e à Polícia Federal. Há dois meses desaparecido, seu esposo, Alcides da Silva, caminhoneiro profissional há mais de trinta anos, fora encontrado como efeito colateral da Operação Pajé Ubirajara, estratégia secreta de nossa força nacional em busca de traficantes de ouro e aliciadores de menores no sul do Mato Grosso. O velho Alcides, em aparente overdose de ayahuasca, chamou a atenção dos policiais à paisana ao desfilar, seminu, em tangas de crochê e ornamentos penosos, pela praça central de Campo Novo de Parecis, gritando a pleno pulmões que era a encarnação de Peró Naruê Xantim. A despeito disso, os munícipes já o conheciam pela alcunha de “Cidão Caramuru”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditando-se em bocas de Matilde parecisenses, parece que a história se passou como segue.  Alcides já deixara Cuiabá bastante aborrecido com seu supervisor, um trainee esnobe que se divertia enviando a velha guarda da firma aos destinos menos nobres. Sua incumbência era buscar a soja produzida em Sapezal, nos quilômetros finais da rodovia MT-235, mais conhecida entre ele e seus companheiros como a porra da rodovia do índio. Já antecipando o quão difícil seria escapar dos atoleiros, o experiente caminhoneiro encheu sua cabine de mandingas anti-pluviais. Ainda assim rodou e rodou entoando rezas com a figurinha de Nossa Senhora dobradinha e presa ao anel do dedo mindinho. Ao se aproximar da terrível travessia florestal, surpreendeu-se com um monumental tapete asfáltico, ainda perfumado de nova tinta amarela. Como se a santa lhe dissesse que não era sonho, avistou a placa: “Pedágio dos índios – 3 KM”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda entorpecido, Alcides não resistiu a uma piadinha na cabine número três, boa tarde, aceita miçanga? A bonita nativa pareci não entendeu, não sorriu, falou são dez reais senhor e estendeu-lhe um recibo e um folheto: “VISITE A PARADA AMIGA PARECI”. Alheio aos riscos de adentrar o caminhão naquela excêntrica vicinal, Alcides rodou, passou pelo Capivara Grill, barraquinhas de artesanato, pelo Alligator’s Burguers, pelas casinhas de protótipos de pajé ofertando ervas e curas, mas foi parar mesmo no Iracema’s – Honey Lips Virgins, graças ao neon vermelho e azul recém-inaugurado. Ali conheceu Suzana, linda mestiça de índios com missionários neozelandeses, apaixonou-se, prometeu tirá-la da vida, ignorou Dona Alzira que a estas horas já dormia tranqüila lá em Cuiabá. E logo no estacionamento do motel Xanxerê Xanchadas lhe depenaram todo o caminhão, não perdoaram nem a foto de Dona Alzira, ainda jovem, colada ao cd riscado do rei Roberto que ele pendurava no retrovisor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio à confusão, foi apresentado a um tipo meio esquisito com shorts adidas que se dizia cunhado de Suzana.  Ponderou-lhe que a delegacia mais próxima ficava só em Sapezal e sugeriu que tomassem uma cachacinha pra esfriar a cabeça. Este meliante encontra-se neste momento detido por suspeita de envolvimento no ilícito, mas o que importa é que Alcides tomou sete doses de ayahuasca convencido de que era pinga com ervas da região. O paradeiro e as desventuras de Alcides nos dois meses que passou na selva, lamentavelmente, são difíceis de reconstituir, considerando as restrições imposta pelo Ibama e pela Funai para a devida proteção dos códigos culturais parecis. Alcides se encontra agora discursando em rede nacional de televisão, ao vivo de Cuiabá, carinhosamente abraçado com Dona Alzira e seus filhos. Parece solene e elogia as iniciativas do atual governo com vistas ao progresso do país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-1299645548186961781?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/1299645548186961781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=1299645548186961781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/1299645548186961781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/1299645548186961781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/10/antropologia-de-caminhao.html' title='Antropologia de caminhão'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-2610845508177157288</id><published>2009-10-24T21:36:00.000-07:00</published><updated>2009-10-24T21:38:20.913-07:00</updated><title type='text'>Ponto de interrogação</title><content type='html'>E aqui estou, levando este nobre currículo pra entrevista. Ele não acreditou, aposto, quando falei que já trabalhei onde trabalhei. O cara é até gente fina, mas pensa que taxista é periferia. A periferia é que está em nós, maluco. Deixa passar dois anos, ele vai ver onde leva esse currículo. Cansei de fazer ponto com playboy frustrado do Jardins. Neguinho foi lá, passou na faculdade, meia-boca, papai fez churrasco, passou quatro anos puxando fumo, enchendo a cara, teco-teco na farinha e tchaca tchaca na butchaca, chamando loirinha de Galisteu. Só que tem o seguinte: acabou a faculdade, vai disputar vaga com o japonês. E quando o japonês abduz a planilha, faz as paradas, seu chefe não vai nem lembrar o seu crachá. E aí você vai ver que esse taxi está estacionado mais perto da sua casa do que você imagina.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas diz aí, dá pra tirar um cascalho razoável nesse ponto, ou nem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha lá, falei. Não é por acaso que os meus grisalhos são o terror da Cidade Ademar. Eu tenho nas veias o conhecimento. O fluxo das idéias, sapiência de quem dá a idéia. A molecada me chama de mestre dos magos. Se fosse no Rio, todos os camaradinhas me respeitam. Não dou cinco minutos pra gravatinha sacar um assunto de futebol. Neguinho pensa que taxista só sabe falar de futebol.  Só falta ser corintiano. Se bem que não. Puta que pariu, pá-pum, é corintiano. Loirinho assim, quando é corintiano, acha que a periferia toda só tem gambá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pô, diz aí, não dou seis meses pra levarem o Dentinho pro Barcelona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou nem lançar que o meu pai era faxineiro do Cícero Pompeu e lá em casa é todo mundo tricolor. Mesmo porque não é verdade. Mas vou até mudar de assunto, se ele começar com pagação de Ronaldo eu vou meter bandeira dois. Quero ver ele falar de trabalho, vamos ver se eu não conheço esses sistemas aí que você usa, SAP, Microsiga. É, está impressionado, não falei? Gostando das bolinhas aí atrás do banco? Vai se acostumando. A não ser que você seja menos cabaço do que eu e não vá engravidar uma vadia. Se bem que, sinceramente, você tem jeito de quem não pega ninguém há uns oito meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já veio nessa balada aqui? Pô, cara, têm várias minas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá, vamos lá, estamos chegando, Vila Olímpia, a Wall Street da classe média paulistana. Só que sem a Melanie Griffith. Cheio de maninho do Morumbi vindo aqui trabalhar doze horas por dia pra ganhar dois conto por mês. A periferia aqui ganha mais, filho, vai vendo. Quatro meia oito, é aqui. Vai mano, vai. Boa sorte. E o pior é que é boa sorte mesmo, senão é mais um pra me urubuzar o ponto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-2610845508177157288?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/2610845508177157288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=2610845508177157288' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2610845508177157288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2610845508177157288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/10/ponto-de-interrogacao.html' title='Ponto de interrogação'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-2565083898045939168</id><published>2009-10-18T18:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T21:05:59.492-07:00</updated><title type='text'>25th Hour</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/StvEm_WiWxI/AAAAAAAAAIM/2EhnCpcRVSI/s1600-h/25th+Hour.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 282px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/StvEm_WiWxI/AAAAAAAAAIM/2EhnCpcRVSI/s400/25th+Hour.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394121152826333970" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ver filmes é um dos meus passatempos prediletos, tão frequente e gostoso quanto a cervejinha, o playstation, os livros, o violão e outros menos nobres. Mas quando me perguntam "qual foi o último filme bom que você viu?" eu sempre hesito, me dá um branco total. Aí eu penso, porra, eu vejo uns cinco filmes por semana. Será que o álcool já lesou tanto assim minha memória? Infelizmente, comparando o meu desempenho nas provas de vestibular com o atual, nas provas de concursos, a resposta é sim. Mas não é esse o problema com os filmes. É difícil ver um filme bom, porque só é digno desse título aquele que te dá um chute no peito. Aquilo que te faz, sem perceber, ficar cinco minutos olhando as letrinhas sem ler absolutamente nada, muito menos prestar atenção na música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenção SPOILER abaixo – a expressão da moda na internet pra eufemismar a frase: "O mala vai contar o fim do filme".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, aconteceu hoje. Claro que eu esperava coisa boa, Spike Lee, Edward Norton, Phillip Seymor Hoffman, porcaria não ia vir. Levei o chute, olhei as letrinhas e tal. Depois fiquei matutando o porquê. O roteiro, ou melhor, a história resumida do filme não tem nada de mais. Um traficante de droga é pego pela polícia em casa com um tijolão de grana e outro de maconha. O filme é o último dia dele antes de se entregar na cadeia. O mafioso russo pra quem ele trabalhava oferece uma festa de despedida. O pai está cheio de remorso. Os dois amigos de infância vão à festa. Lá ele descobre que quem dedou não foi a namorada gostosa, como ele desconfiava, foi o auxiliar do sub-chefão. Ela o amava de verdade. O pai  leva o cara pra cadeia. E acabou. Então, como pode ser tão bom? Pois é, não tem como fazer um spoiler disso. O Spike Lee conta de uma maneira que, no fim do filme, eu fiquei cinco minutos com a sensação de que eu estava no carro a caminho da prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso parece muito com a minha pequena epifania recente. Prazer em escrever eu sempre tive, mas descobrir que, pra escrever ficção, você não precisa escrever sobre nada é um alívio indescritível. Pode ser óbvio, mas se o óbvio não fosse difícil de descobrir não existiriam livros de auto-ajuda, nem psicólogos, sei lá. É mil vezes mais fácil escrever a partir das palavras do que buscar as palavras a partir da história. Fica bom? Tem "valor literário"? Não faço idéia. Mas o resultado é surpreendente. E o chute é certeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-2565083898045939168?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/2565083898045939168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=2565083898045939168' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2565083898045939168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2565083898045939168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/10/25th-hour.html' title='25th Hour'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/StvEm_WiWxI/AAAAAAAAAIM/2EhnCpcRVSI/s72-c/25th+Hour.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-3099604229899905315</id><published>2009-10-15T13:04:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T21:06:20.339-07:00</updated><title type='text'>Folheando</title><content type='html'>A Argentina na Copa está, nossa torcida a pesar. Posso que esta foi a primeira notícia do dia dizer. Meu cérebro de manhã, meu cérebro precisa, ele precisa de um café forte pra pegar no tranco. Não tem jeito, se não for do meu saber no pó, no vidro e na pazinha, a quantidade exata. E na minha máquina. Ah, boa notícia, o governo a desasucrinar, vai restituir o imposto, o meu, o seu, o nosso suor e a renda, tudo junto, eu pelo menos espero. Enquanto não acordo aquele despertar do colega que, sempre chegando mais cedo e mais disposto, alegrista e conferencista, você odeia, meu conselho sugestivo é falar comigo só daqui a meia hora. Depois do jornal.  Junto com a tinta que emporcalha os dedos, atrapalhando o biscoitismo, as mesmices, o lucro recorde dos bancos animando o mercado, me incomoda. O prefeito, por seu turno, cumpre sua antipalavra de campanha, parcela (sem juros!) o aumento do imposto predial, territorial, urbano e decreta: no que se refere ao primeiro caderno, nada mais a declarar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do torneio eliminatório dos cadernos, veículos empatou com imóveis, assegurando a vaga do esportes. Maradona esbraveja, Dunga resmunga, minha mulher caga e anda, eu bocejo de novo, pego mais café. O cronista, imbuído do poder eu já sabia, rebate os respostismos a raquetadas, sempre paragrafando em pouco brilho. Honduras, em estado de sítio, dá motivo de gritismo aos gansos, ovelhas, bovinos e pulgões, está na Copa. As notinhas canto de página do ciclismo, do tênis e da ginástica, apêndices do anúncio página toda, a promoção (sem juros!) de toda sorte de cromossomidade celular, alertam: há um possível campeão mundial, mas parece que ele não gosta de sair na foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mulher saiu pra fazer isso que está reportado na matéria de capa do empregos, que eu passo, por estar desconexo da minha realidade agoral e, mais por uma obrigação, vou ao dinheiro. “Arrecadação do imposto sindical dispara”. Chorei. “Uma linha de crédito a mais, uma preocupação a menos”, claro que sim, diga isso pra minha digníssima, a vossa advogadeza que acaba de sair. O que, o imposto foi criado nos anos 40 por Vargas? Aí sim, adoro o bom velhinho, eu gostaria de ter vivido na época dele, ou talvez o que eu goste mesmo não vai mais ser publicado, as histórias, do meu avô, o gauchão. A bolsa sobe 2,4%, com o dólar a 1,70, eu poderia ir a Nova Iorque se o resgate não tivesse, se a minha vale já não fosse tão ordinária. Mas pra mim o que mais vale é o panda, esse bicho adoro e sempre penso nele quando o PIB da China não para de crescer e me dá vontade de comer broto de bambu no ching ling.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estar de pijama, por já passar do onze o ponteiro maior, por não ter uma fazeção digna qualquer em vista, não me sinto com tempo, tampouco à altura de lidar com a ilustrada. Meu dia a dia está mais pra co, pra quem não sabe bem o que ti, nada pra dar e nada pra di, está difícil explicar, não é fácil estar assim a esta altura do ano. Aqui sim, dá pra entender, melhor, juiz solta preso, mãe joga filha fora, latinhas e calabresa em oferta, tensões adolescentíssimas em provas, concursos, até em casas de detenção. O famoso pimenta no dos outros, parece nos redimir, é refresco. Folheando mais, até o final, profissionais oferecem-se. Janine vinte a, serv. compl. atend.a dom. Minha mulher gostar assim, gostar, não vai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-3099604229899905315?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/3099604229899905315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=3099604229899905315' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3099604229899905315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3099604229899905315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/10/folheando.html' title='Folheando'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-7322252776431111928</id><published>2009-10-09T06:38:00.001-07:00</published><updated>2009-10-13T09:16:51.290-07:00</updated><title type='text'>O chatinho no Rio 2016</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/Ss895c0hQxI/AAAAAAAAAH0/qQVUSkgEmGo/s1600-h/Rio+2016.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 228px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/Ss895c0hQxI/AAAAAAAAAH0/qQVUSkgEmGo/s400/Rio+2016.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390595336184087314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu amigo Eric Lovric, em mais um frutífero capítulo de nossa joint venture bloguística, saiu dizendo que o Brasil gosta de queimar etapas, imagine! (http://mondozuado.wordpress.com) Aí eu fiz o comentário abaixo sobre nosso querido evento assim a nível de mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é.          Queimar etapas? Pô, puta injustiça. Pelo menos com o JK. Ele só quis  fazer cinqüenta anos em cinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu começaria meu comentário com uma justa homenagem ao Juca Kfouri.  Um dos poucos jornalistas esportivos do Brasil capazes de assumir sua  oposição aos jogos olímpicos. Ser contra 2016 é uma coisa assim  meio quem não gosta de samba bom sujeito não é. É ser aquele cara que pede  pizza de atum na festa de aniversário do amigo na pizzaria. Garçom: pizza de atum e um suco de melão, por gentileza? É ser o chatinho, que fica  criticando tudo em nome da ética. Ai, ele  se acha o bastião da  moralidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio 2016 também é a consagração de uma outra especialidade dourada  do Brasil, diria o chatinho. A patriotada. Esta palavra ainda não está no  dicionário, mas ele tem fé que o Houaiss ainda vai ser render. Poderia ser  definido mais ou menos assim: “subs. Fem. – exacerbação irracional, exagerada, acima de tudo ridícula, do orgulho de pertencer a uma nação; pataquada tupiniquim;”. Alguém sabia o que era classe laser ou quadra de  saibro até um cidadão ganhar uma medalha de ouro ou um campeonato mundial?  Então, fazer festa pra esportes acessíveis a 0,0000415% da população é  patriotada. Outro aspecto importante da patriotada é a criação de gritos de  guerra que dão vontade de dar um tiro de espingarda no cérebro. “EEEEEEEEUUUUUUUUUU SOU BRAAAAA SIIIIIIIII…”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/Ss9YOutO81I/AAAAAAAAAIE/OErVwGTFeVs/s1600-h/capa_610.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 225px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/Ss9YOutO81I/AAAAAAAAAIE/OErVwGTFeVs/s400/capa_610.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390624289064940370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, uma pessoa fez falta lá na comemoração de Copenhague, diria o  chatinho. Aquele tal de Bernardinho. Aquele que pertence a uma turma que é  responsável por mais de 20 anos de hegemonia do Brasil no vôlei mundial.  Alguém poderia lembrar de perguntar pra ele, mas afinal como é que funciona  esse negócio de política esportiva? Acho tão engraçado, nunca ouvi falar do nome do presidente da confederação brasileira de vôlei. Talvez seja porque  ele trabalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá bom, chega de amargura, vai. Garçom, traz mais três originais. O  pessoal da mesa de bar está prestes a colocar o chatinho na parede. Fala aí:  aposto que na Copa e na Olimpíada você vai tomar todas, vestir a amarelinha,  tirar fotos com as loiras holandesas na rua. Lógico que vai. E eu vou junto.  Ninguém é de ferro e o chatinho e eu SOOOOOMOSSS BRAAAAA SSSIIIIIII LEEEEE&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-7322252776431111928?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/7322252776431111928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=7322252776431111928' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/7322252776431111928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/7322252776431111928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/10/meu-amigo-eric-lovric-em-mais-uma.html' title='O chatinho no Rio 2016'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/Ss895c0hQxI/AAAAAAAAAH0/qQVUSkgEmGo/s72-c/Rio+2016.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-7146399493615357322</id><published>2009-10-01T12:28:00.000-07:00</published><updated>2009-10-01T12:31:34.280-07:00</updated><title type='text'>O trabalho universitário</title><content type='html'>Arismar, finalmente em Brasília! Estava animado o Arismar. Desde Juiz de Fora até a capital. Dizem que o ar é seco e a mãe, bem, a mãe só quer cuidar do pequerrucho, que não se esqueça da foto na esplanada, bem tirada, lembre-se ficar contra a luz. Agora é chegar ao Senado, não vai ter problema. Ele já entrou na internet, fez o registro, enviou a módica requisição em três vias assinada pelo professor doutor em economia e direito da universidade federal de Minas Gerais, prezados, venho por meio desta e tal, solicitar presença do aluno Arismar das Neves na comissão de ética, audiência número xis da data. Estava com tudo preparado, o mini-gravador, o bloquinho, três canetas calibre prevenir é melhor que remediar. Em pauta o julgamento de mérito interposto pelo nanico partido neo-socialista, acusatório de improbidade administrativa, peculato e nepotismo do digníssimo parlamentar senador Eurígenes Luna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar é seco mesmo, a caminhada pelos corredores do congresso incluiu uma tonturinha parecida com aquele dia em que se sentiu levemente alterado nas ruas carnavalescas de Ouro Preto. Chegou até a bater um pequeno papo, um tanto etéreo, com as curvas do Niemeyer, os longos tapetes abacate escuro e a série verticalizada de vidros. Percorreu um longo trecho de portas, corredores e portarias em pouco tempo, sempre acompanhado do segurança com radinho de ondas curtas e alinhado terno. Chegou finalmente. Abriu com cuidado a porta de mogno escuro e plaquinha prateada “comissão de ética”. Pé ante pé, no espaço exíguo entre os jornalistas, acomodou-se num cantinho. Reconheceu de cara o senador de cabelos compridos. Deve-se reconhecer, vossa excelência há de concordar, que nos termos do regimento desta casa... Arismar anotando tudo e suando frio no ar condicionado. A contratação de pessoas de íntima relação... - e então reparou que o relógio de parede às vezes mudava de cor – é inadmissível, postura aviltante e acintosa!  O ar ficou rarefeito de vez, pobre Arismar, já não entendia mais nada. Decidiu sair um bocadinho, tomar um gole d’água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu e viu lá longe uma placa no teto, talvez indicasse o sanitário. Não indicava, mas seguiu assim mesmo um longo corredor acarpetado. Abriu uma porta pesada de ferro, mais um caminho à esquerda, deu num longo corredor com várias portas, dos dois lados. Uma delas dizia “diretoria do senado”, Arismar não quis incomodar. As outras não tinham identificação. Escolheu uma e bateu, com licença, nada de resposta. Lá dentro apenas um assessor. Parecia jovem, dormia no sofá. Deu meia volta, mas a porta saiu em outro lugar. Eita Arismar! Bem que a mãe avisou pra se alimentar melhor, levar umas bolachinhas... Agora uma vasta sala de reunião com imponentes quadros, parecia Portinari, e mais uma coleção de vidros verticais à esquerda. Olhou a paisagem, pensou em pedir ajuda, acenar, mas estava alto e só havia mais tapetes, de concreto branco e grama bem verde. Debaixo de um suposto Portinari havia um recorte na parede, como uma porta secreta. Arismar empurrou e saiu num corredor miúdo com cofres embutidos em ambos os lados. No final, uma luz branca piscando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que alívio! Agora sim, reconheceu o lugar, via sempre na televisão. O painel, a imponente fileira dos membros da Mesa, os cadeirões de couro azul frente a frente às plaquinhas com nomes familiares. Ali já havia dois seguranças de radinho, um de cada lado. Dois ou três parlamentares discutiam alguma coisa em frente ao microfone central. Outros aqui e ali sentados analisavam papéis. Era uma plena terça-feira, onze e vinte e sete. O ar ainda mais seco e frio quase podia ser ouvido, tal o silêncio. Arismar experimentou um cadeirão. Senador Ismael Trigueiro de Almeida – PRJ – Amapá. Abriu o bloco de notas, alinhou suas canetas acima e à direita. Respirou fundo. Pensou na mãe, que investira tanto! Estava pronto para escrever um excelente trabalho. O professor doutor vai ficar muito satisfeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-7146399493615357322?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/7146399493615357322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=7146399493615357322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/7146399493615357322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/7146399493615357322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/10/o-trabalho-universitario.html' title='O trabalho universitário'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-2000681724889418351</id><published>2009-09-28T11:15:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T11:49:15.954-07:00</updated><title type='text'>O mágico dos ratos</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;O&lt;/span&gt; menino enfim entendeu o que todos gritavam ao observar atentamente o movimento dos lábios da mãe. A cidade está infestada de ratos! Sentiu a vibração forte no chão e achou o irmão na sala, frenético com a vassoura, olhar desesperado, pancada atrás de pancada. Tentou ajudar, mas a boca do irmão mexia rápida, enérgica, e ele o empurrou apontando a porta da cozinha onde a mãe chorava de pé em cima da mesa. As panelas pareciam passear sozinhas no chão, ele seguia os movimentos e acumulava panelas nas mãos depois de arremessar os ratos longe, a mãe inutilmente tentava fazê-lo parar e pedir que subisse ali. Parou na porta de casa por alguns instantes. Nunca vira tanta gente correndo ao mesmo tempo, os braços pra cima, as bocas tão abertas. O movimento asqueroso dos bichos pela rua não o assustava, parecia mais um enorme desenho &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;mágico&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Levou&lt;/span&gt; algum tempo para chegar à praça. A cidade está infestada de ratos! – agora já reconhecia a frase na boca das outras mulheres de olhos esbugalhados. O sino se movimentava rápido demais na torre da igreja e ele sabia que não era meio-dia.  Ali viu pela primeira vez o rei de perto. Estava ao lado da máquina de lâmina que dava uma pancada forte. A vasta barba do rei não o deixava entender nada, mas o olhar confiante dizia alguma coisa. Correu na direção em que o governante apontava sem parar. Avistou de longe o homem magro de chapéu engraçado com a vareta na boca. Em passos tranqüilos o seguia o tapete de &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;ratos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;E&lt;/span&gt; agora? – ele pensou. O que vai acontecer com os ratos? Quando os últimos da fila já sumiam no horizonte seu irmão apareceu com ar bravo mas aliviado, dizendo coisas. Tomou-o pela mão com firmeza e seguiram de volta pra casa. No caminho as pessoas pulavam juntas ao mesmo tempo e rodavam, como nas festas de final de ano e nos dias de feira. A mãe juntava os restos da cozinha e sorriu ao vê-los chegar.  Aos poucos foi voltando a velha tranqüilidade e o menino sentou no chão cabisbaixo. Vamos à igreja! – disse a mãe ao irmão. Quem disse que a cidade está infestada de ratos? Vamos já agradecer. O menino seguiu atrás, devagar, logo&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt; depois&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;O&lt;/span&gt; final de tarde estava agradável, acompanhado de um lindo pôr-do-sol. A mãe, como de costume, deixou que os filhos brincassem na escadaria da igreja. O irmão logo se integrou a uma roda de crianças, aparentemente uma delas mexia os lábios com força e outra saia correndo em volta tentando pegar. O menino  se distraiu com a longa fila de formigas que levavam pedaços de folhas pra dentro de um buraco da escada. Com um pequeno galho, ajudou as pequenas em seu trabalho. Quando virou o olhar, minutos depois, todas as crianças haviam sumido. Só conseguiu ver lá longe o menino de muletas caminhando afoito na mesma direção em que seguiu o tapete de ratos. Ainda caminhou meio sem rumo pela pequena praça. Pensou em entrar e avisar a mãe, mas logo desistiu. Não era nada novo, apenas o irmão que foi brincar na mata e dele se &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;esqueceu&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-2000681724889418351?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/2000681724889418351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=2000681724889418351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2000681724889418351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2000681724889418351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/09/o-magico-dos-ratos.html' title='O mágico dos ratos'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-3456950345132674677</id><published>2009-09-17T22:29:00.000-07:00</published><updated>2009-09-17T22:46:21.494-07:00</updated><title type='text'>Glutão Gourmet</title><content type='html'>Lá vamos nós, mais um dia. Deus me perdoe, não agüento mais nada nesse lugar, me enjoa tudo: esse letreiro sujo, o nome de mau gosto, essas mesinhas tentando imitar lanchonete chique. Esse uniforme em mim já está ridículo, eu preciso me enxergar... Cheio de cliente me reparando, devem achar que sou uma velha assanhada, credo! E esse povo que não chega? “Empregado é raça”, já dizia o velho Gumercindo. Bonitinho... Quando eu falava “Mas eu sou sua empregada, Seu Gumercindo!”, ele respondia seco “Você é exceção, Gardênia, jóia rara”. Não reclama, mulher, poderia ser pior, você teria aposentado garçonete, não fosse o testamento surpresa do patrão. Gente... Quando eu lembro a cara dos filhos dele, o mais velho me fuzilava do outro lado da mesa, até me arrepia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Gardênia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, seu Gomes. Como sempre o primeiro freguês do dia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O dia começa melhor com a culinária refinada da minha graciosa garçonete, gentil com toda gente, ágil pra gerir gastronomia, já ganhou mais um cliente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Credo, seu Gomes! Deu pra poeta agora, depois de velho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Velho, eu? Temos quase a mesma idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma lá, eu sou da segunda grande guerra, o senhor é do tempo do onça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas continua linda, como nos anos setenta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos deixar de bobagem, seu Gomes? O que vai ser hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O de sempre: salpicão de salsicha suína, suco de açaí sem açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O de sempre... Está uma mesmice hoje. Vou até ligar o rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Minha cabeça rodando, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;rodava mais que os casais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O teu perfume gardênia, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e não me perguntes mais...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Ai, seu Gomes... Não é lindo o João Bosco? Esse bolero parece que foi feito pra mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi feito pra nós, Gardênia, pra nós. É brincadeira. Você não reparou direito. Ele não está falando com nenhuma Gardênia. “Gardênia” é um adjetivo, é o tipo do perfume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih... seu Gomes, e eu com isso? Estou precisando de aula de português agora, por acaso? O senhor me dá licença, viu? Tem cliente chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;**********&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Oi amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gisele! Ai, que bom...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que bom o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que você veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Linda. O que foi? Conta tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei bem. Isso aqui, sabe? Olha em volta. Cansei dessa coisa chinfrim. Tudo velho nesse restaurante. As cadeiras e mesas desbotadas, essas cores cafonas. Esses clientes com cara de periferia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué, mas nós estamos onde? Em Miami?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei. Mas eu quero mais, quero uma vida com algum glamour!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Glamour?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, olha esse cardápio por exemplo. Amarelo berrante. “Glutão Gourmet: gaspachos, galetos e guloseimas”.  Eu mereço? Não dá pra mudar, o bairro inteiro tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É chique. Meu professor do cursinho falou que isso chama aliteração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, mas você também com aula de português?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada, esquece. Bobagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas amiga, se você cansou se manda. Sua mãe não te deixou o sítio lá em Guaxupé?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, esse ponto está valendo uma fortuna, ainda mais agora que abriu o Shopping...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu vou querer o que em Guaxupé, Gisele? Era o que me faltava. Além de breguice, tédio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; - Ai, é ele! O Gustavo está chegando!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está chegando o que, Dona Gardênia?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada menino, vai ali atender o cliente, olha lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite. Vim jantar e reencontrar minha empresária preferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai Gustavo... Você sumiu. Nunca mais veio me ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gustavo? Eita, Gardênia, depois que minha velha morreu, olha que faz tempo, você é a única que me chama pelo nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não é bandido pra usar aquele apelido horroroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gangrena, minha gata. Meu nome é Gangrena, sempre foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imagine. Um nome tão lindo, Gustavo Garcia, esses cabelos grisalhos, essa jaqueta de galã. Vem cá, me deixa segurar esse rosto que eu adoro. Mira bem no fundo dos meus olhos de glaucoma. Gus-ta-vo. Já vou buscar seu Gim Tônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é uma graça, Gardênia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você tem? Seu rosto está gelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te falei que sou bandido. Só sei ser Gangrena, não adianta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai! Aplicou golpe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gigante, Gardênia, digno de gente grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora... Não sei. Só sei que não me agüento. Não tenho mais idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foge comigo pra Guaxupé? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só você pra gostar de mim, Gardênia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;Amanhã é domingo. Vou à Gazeta de Guarulhos, garantir meu agouro com letras garrafais, Glutão Gourmet: é pegar ou largar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-3456950345132674677?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/3456950345132674677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=3456950345132674677' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3456950345132674677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3456950345132674677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/09/glutao-gourmet.html' title='Glutão Gourmet'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-679821103624566773</id><published>2009-09-11T17:10:00.000-07:00</published><updated>2009-09-11T17:13:22.655-07:00</updated><title type='text'>Nova geração</title><content type='html'>Bom dia! Passo tantas vezes por este canto da casa, só agora notei que pouco conversamos. Surpreendo-me com suas cores, sua elegância. Um produto notável da natureza, sem dúvida! Mesmo no escuro, vez por outra, posso vê-lo passear com brilho e alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço as palavras. Sou um velho, valorizo mais as gentilezas. Quem dera ser um passo na evolução das espécies, objeto de estudo dos cientistas. Sou antes uma criação de laboratório, filhote dos japoneses, um produto de prateleira nas lojas de bichinhos. Minha fama é acender sem pilhas, fosforescente, todos gostam aí fora, eu sei bem. Mas aqui dentro, os verdadeiros nadadores passam longe de medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, quem precisa de amigos com tanto talento e beleza? Como pode ser velha uma novidade tão extraodinária?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simples... As gerações que me sucedem piscam e mudam de cor. Em breve serei esquecido. Mas me permita parar de aborrecê-lo com tantas lamúrias. Conta de você! Também notei algo: seus pêlos. Nunca vi coisa assim, até parecem os cabelos da dona da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Eu confesso minha vaidade, já que você notou. Também tive a ajuda de cientistas, mas sem todo esse ressentimento! Foi um empurrãozinho apenas. Tornaram-me anti-alérgico, imune às pulgas e cinqüenta e sete vírgula oito por cento menos proliferador de germes. Assim posso viver nessa casa, não causo mal nem à dona nem às crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo. Muito interessan... PUM! PUM! CRASH! O que foi isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei! Deixe ver. Não, não pode ser! Pensei que fosse mentira da internet! São elas, as vespas gigantes, quase dois metros cada uma, estão tentando invadir a casa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que isso não daria certo. Essas aí nasceram no laboratório vizinho ao meu. Ainda bem que vespa não entra na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se anime demais companheiro, não se anime. No dia em que eu não estiver mais aqui, o gato da vizinha, de pele plástica e duas cabeças, vai adorar te conhecer!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-679821103624566773?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/679821103624566773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=679821103624566773' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/679821103624566773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/679821103624566773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/09/nova-geracao.html' title='Nova geração'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-6824450466862653160</id><published>2009-09-08T11:02:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T05:39:36.868-07:00</updated><title type='text'>Steve Jobs, o diletante</title><content type='html'>Publiquei aqui algumas tentativas de escrita ficcional. Comecei uma oficina de “Escrita Criativa” na Casa do Saber. A primeira aula, semana passada, me impressionou bem. A professora colocou temas e contos muito legais para discussão e o nível da galera é excelente também. Confesso que não esperava tantos contos bem melhores que o meu no grupo de emails desta semana. Meu conto, aliás, não agradou muito. Mas não se preocupem: publicá-lo-ei assim mesmo (postagem abaixo). Assim contrario duas recomendações de uma vez. Imaginem o que a professora diria sobre o uso de mesóclises.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, preciso mencionar meu bate papo com o Raul Lessa (meu tio) essa semana. Alta madrugada, fui à casa dele buscar uma câmera de computador emprestada. Um caçador de cabeças de Belo Horizonte queria me entrevistar pelo Skype... Após nosso tradicional bate-papo, meu tio colocou um vídeo do Steve Jobs (presidente e criador da Apple) discursando numa formatura de Stanford. O recado terminou com o não lá muito original “follow your heart”. Mas a maneira como chegou lá é bem mais interessante. Depois de desistir da faculdade por não considerá-la um bom investimento do dinheiro suado de seus pais adotivos (um doce para quem observar 3 fatos surpreendentes nessa frase...), Jobs se matriculou em alguns cursos que considerou interessantes. Um deles foi um curso de caligrafia. E este conhecimento foi fundamental para a criação dos layouts de computadores tão bonitos como vemos hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, a sábia lembrança do Raul fez sumir meu remorso por gastar uma grana tão alta quando estou desempregado. Se o Steve Jobs se rendeu a diletantismos eu também tenho o direito, convenhamos. E se ele andou dois quilômetros pra ir e dois pra voltar, durante um ano, em busca de um almoço grátis no templo dos Hare Krishnas, eu não vou morrer se passar mais um tempo almoçando e dormindo na casa da minha mãe (que certamente cozinha bem melhor). Estou numa pindaíba federal. Só que eu acordo e a minha única preocupação é dinheiro. Fora isso, uma paz quase inédita de quem finalmente está sendo honesto consigo mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-6824450466862653160?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/6824450466862653160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=6824450466862653160' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/6824450466862653160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/6824450466862653160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/09/steve-jobso-diletante.html' title='Steve Jobs, o diletante'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-8931462219390522252</id><published>2009-09-08T09:48:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T10:54:27.000-07:00</updated><title type='text'>João-bobo no céu</title><content type='html'>O professor aconselhou evitar os primeiros vinte segundos, eu sei. Queria ter medo de altura, esperar o tal frio na barriga. Vou enfrentar meu ridículo, fingir com cara de sonsa a aflição de estar aqui em cima. Já ouço as palminhas e algum conselho ridículo para melhorar na próxima. Depois provavelmente vamos de novo, a mesma fila, na próxima semana pequena variação, o vestiário terrível. Quero ter agonia agora, no banho ela vem atrasada, as respostas das banalidades de meninas e o êxtase coletivo acabam com meu dia. Bem poderia ter a cabeça de ferro, pular de ponta bem reto, quebrar o fundo da piscina e sair apoteótica na garagem, rir dos carros todos inundando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns passos pra frente, para adiar a impaciência do público, podem ser úteis. Adoro esse vai e vem da ponta da taboa. Um joão-bobo parece tanto comigo!  Escancararia sorrisos sem a pintura por fora? Talvez com braços, pelo menos, se comunicasse melhor. Dois sinais de dedo médio dariam conta, fazer agora causaria uma comoção tão divertida. Uma pena, uma das poucas vontades maiores é passar batida, andar em paz no caminho pra casa. Meu quarto esta hora paira como eu gosto, os livros, papéis, coisas inúteis no chão, o computador ligado nas pessoas certas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta pouco. Abro os braços, olhos bem fechados, curtindo as manchas brancas de luz aparecendo, sempre fazia quando era criança.  Saio voando pelo quintal, nos braços do pai, depois de um primo maior, cheiro a grama enquanto vozes dispersas de mulheres lançam alguma reprimenda. Num sonho recente, misturei isso com uma festa colorida na piscina, eu já saia linda, de roupa de nova, jóias nunca vistas, pessoas legais em rodas dispersas, sem pressa, só conversando. Mais vozes, lá debaixo – vai logo! – depois algum xingamento incompreensível, misturado com outros. Saco... Acabo cansando e pulo. A queda triste e sem graça dos fabricados em plástico de segunda categoria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-8931462219390522252?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/8931462219390522252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=8931462219390522252' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8931462219390522252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8931462219390522252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/09/joao-bobo-no-ceu.html' title='João-bobo no céu'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-4990371231490725563</id><published>2009-09-01T19:15:00.001-07:00</published><updated>2009-09-08T09:48:41.879-07:00</updated><title type='text'>Conto incompleto de amor</title><content type='html'>Se um daqueles velhos amigos, quase um padrinho de casamento, dissesse que viu, ele não acreditaria. Ainda que jurasse com mãos e braços juntos, humilhado com exagero. Coisas do amor, só com cartão teatral de autenticidade, adquirido no formulário da papelaria dos que sofrem ao vivo, carimbado oficialmente pela burocracia da neurose e do ciúme. Se o relato do amigo, já quase suposto amigo, continuasse, olharia com desdém e diria: vai pra longe, vai fazer outra vítima feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-4990371231490725563?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/4990371231490725563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=4990371231490725563' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/4990371231490725563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/4990371231490725563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/09/conto-incompleto-de-amor.html' title='Conto incompleto de amor'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-8916835200806662748</id><published>2009-08-28T01:22:00.000-07:00</published><updated>2009-09-17T22:29:14.884-07:00</updated><title type='text'>Oi 2 U Lou – Feliz Aniversário</title><content type='html'>Eu não gosto de fazer aniversário. Herdei uma coisa maldita do meu pai de não gostar de datas cheias de sorrisos, dias dos pais nas Casas Bahia, almoço das mães no domingo como desculpa pra encher a cara de cachaça na casa da vó quando o que realmente importa é o jogo do Corinthians depois da primeira parte do Faustão. Mas hoje vale, pra uma amiga muito especial. Ela via passarinhos estranhos pousando na janela do décimo andar e ouvia conversas de outro mundo. Um dia me assustei com comentários futebolísticos que só o velho Lessa seria capaz de fazer. Virei pro lado desconfiado, olhei aquele rosto lindo e debochado dela e falei “Pai?”. Desse momento em diante impus limite à Louise. Se fosse um seriado americano eu diria: “You’re freaking me out!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos atrás,  tudo que restava era um excelente apartamento de cem metros quadrados, região nobre da cidade, mobiliado pela metade despedaçada de quem não teve o pique, como a mãe  da música do Chico, de arrumar o quarto do filho que já morreu. Mas eis que um dia, enchendo a cara num boteco da Rafael de Barros com os amigos do Bandeirantes, em frente à banca de jornal em que batia ponto com o velho depois de um jantar no Ponto Chic, encontrei a Lou falando que queria voltar pra São Paulo. Bom, tem dois quartos livres lá, se você quiser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem que eu percebesse muito bem, e provavelmente eu nem tivesse interesse em perceber muito bem, havia todo um movimento. Uma energia correndo loucamente pela casa, implantando pimenteiras estranhas na janela, sal grosso na soleira pra espantar maus exus, almofadas com desenhos alternativos no sofá, cadeiras de cores estranhas na cozinha. Minha cama uma hora estava invertida no meu quarto. Se ainda estivesse casado, provavelmente teria ímpetos de individualidade e independência. Mas ali, naquela hora, pra responder “E aí? O que você achou?”, quem teria força pra dizer outra coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns momentos o tempo é o melhor amigo, mas é bom ter alguém pra fazer o tempo passar mais rápido. Especialmente se alguém te expulsa da cama e te proíbe de ficar lamentando a vida. Melhor ainda se vira e mexe aparece um pão caseiro integral ou uma pizza de guacamole na cozinha, ou talvez quarenta pessoas pra uma balada caseira naquele dia em que você está sem o menor saco de ver ninguém. Melhor mais ainda se quem faz isso não tem medo de arriscar, experimentar, escrever, falar e sentir as coisas todas, apesar de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo não gostando de aniversários. Mas pra você eu abro fácil uma exceção. Parabéns Lou!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-8916835200806662748?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/8916835200806662748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=8916835200806662748' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8916835200806662748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8916835200806662748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/08/oi-2-u-lou-feliz-aniversario.html' title='Oi 2 U Lou – Feliz Aniversário'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-2700744350880056848</id><published>2009-08-23T20:48:00.000-07:00</published><updated>2009-08-23T20:51:06.479-07:00</updated><title type='text'>87 escândalos em 2009</title><content type='html'>Passei as últimas duas horas lendo a página do “monitor de escândalos” do UOL, organizado pelo Fernando Rodrigues. Até o dia 10 de Agosto desse ano circularam na imprensa oitenta e sete escândalos no Congresso Nacional. Durante as mesmas horas pensei em como manifestar minha comoção sobre esse assunto sem parecer “chavonesco”. Não é fácil, convenhamos.  Quando começo a escrever sobre isso me vem à mente aqueles comentários do Jabor no Jornal da Globo, essas “cartas de intelectuais ao Lula e ao PT” que vira e mexe aparecem nos emails dos amigos, nossa mãe do céu, me dá um tédio desesperado. O primeiro problema é que eu detesto ouvir lição de moral. O segundo é que toda vez que eu leio ou ouço essas manifestações me dá vontade de responder na lata: “Tá legal meu querido, mas o que você sugere que nós façamos a respeito?”. E já emendava com a negativa de qualquer convite para panelaço, não vou amarrar bandeira preta na janela em 7 de Setembro e muito menos vou me juntar aos cento e cinqüenta (impressionante marca, diga-se de passagem) manifestantes que atrapalharam o trânsito da avenida Paulista nesse fim de semana pedir a queda do presidente Sarney.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa falta de senso prático me lembrou uma história com o meu tio Rogério. Ele é uma das pessoas mais práticas que eu conheço. Chega a ser engraçado que a praticidade vai até os momentos de lazer. Lembro com carinho da minha infância e pré-adolescência quando ele vinha me buscar na sexta-feira à tarde pra passar o fim de semana com meus primos em Campos do Jordão. No sábado seguinte, às seis da manhã ele nos acordava energicamente: “Marcos, Iatã, vamos lá, vamos sair cedo pra aproveitar o dia!”. Eu que sempre odiei e odeio acordar cedo, na hora ficava meio puto, mas no final do dia dava a mão à palmatória. “Viu como o dia rendeu?”. “É verdade, tio, rendeu!”. Mas pra que estou contando isso? Ah, pra falar de política. Num outro dia, muito mais recente, eu estava na casa dele, durante uma reunião de Natal da família. Certa hora estávamos falando sobre política, certamente algo parecido com os atuais 87 escândalos, e eu não sei por que cargas d’água perguntei a ele: “Tio, você nunca pensou em se candidatar a um cargo político?”.  A resposta dele na lata: “Deus me livre! Que horror!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu hei de convir que é compreensível. Quando penso no Dr. Rogério Lessa, grande advogado brasileiro, do alto de seu senso prático aguçadíssimo, sentado num daqueles cadeirões de couro azul do Senado Federal, ouvindo por quarenta minutos o senador Erastógenes Pires do PRONA de Rondônia discursar em prol da importância da instituição de um feriado em homenagem aos povos da floresta, ou curtindo a interpretação emocionante de uma música de Bob Dylan do senador Eduardo Suplicy (o único, aliás, que consegue me irritar mais do que os senadores corruptos), fico certo de que ele enlouqueceria em uma semana. Brincadeiras à parte, acho que não cheguei a dizer isso a ele na hora, mas desse dia em diante, fiquei com a idéia fixa na cabeça de que era uma pena. Digo isso porque ele seria um excelente senador. E, assim como ele, o Brasil está cheio de advogados, médicos, engenheiros, arquitetos, professores, padeiros, lixeiros, cozinheiros honestos, experientes e competentes. Acho que todos nós trabalhamos com pessoas assim todos os dias. Será que é muita ingenuidade da minha parte achar que nós pensamos pouco demais em virar políticos um dia?     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa verdadeira ojeriza que temos da carreira política talvez nos impeça de ver as coisas como elas são. Um dos argumentos mais comuns das “cartas de intelectuais ao Lula e ao PT” é que “petista não trabalha” e “o que foi que o Lula fez todos esses anos antes de virar presidente?”. Eu fico pasmado com quem escreve isso. Se for possível abstrair por um segundo, esquecer que é o PT, e pensar num partido político genérico: qual é o problema de passar anos trabalhando para um partido político com o objetivo de se tornar presidente da república? Qual é o problema de ser um político profissional? O Mário Covas uma vez disse isso num debate, com todas as letras, nunca me esqueci: “Eu não entendo essa história da imprensa ficar criticando o sujeito porque ele é político profissional. Pois eu não sou mais engenheiro, eu sou político profissional. E com muito orgulho!”. Eu acho que os petistas trabalham demais, de sol a sol. Por isso o título desse texto é o que é. Quem não está trabalhando sou eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou convencido, como diria nosso querido presidente, de que não vai adiantar “votar melhor” nas próximas eleições, ou ouvir o Faustão dizer que urna não pinico enquanto coço a pança de chope. Nas últimas eleições eu votei na legenda do PSDB, na falta de qualquer opção melhor, porque todos os candidatos que me sugeriram não passaram no teste do Google. A última pessoa em quem votei com algum gosto foi a Soninha. Nem acho que ela seja a pessoa mais preparada do mundo para a política. Mas foi um alívio votar em alguém que minimamente me representa. Uma pessoa jovem, arejada, com idéias novas, independentemente de eu concordar ou não, pra destoar daquele bando de múmias decrépitas que é a Câmara Municipal de São Paulo. Meio óbvio ululante: não vamos ter gente legal pra votar se a gente legal não se candidatar um dia. Mais óbvio ainda: vou deixar minha panela em casa pra não amassar e não perder o teflon. Vou é pensar seriamente em criar outro Blog um dia pra dizer: “oi galera, sou candidato a vereador”. E disparar emails, twitters e facebooks da vida por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-2700744350880056848?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/2700744350880056848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=2700744350880056848' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2700744350880056848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/2700744350880056848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/08/87-escandalos-em-2009.html' title='87 escândalos em 2009'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-7532834539711546032</id><published>2009-08-04T10:03:00.001-07:00</published><updated>2009-08-04T10:32:20.696-07:00</updated><title type='text'>Deficiência Mental</title><content type='html'>Às vezes alguns amigos reclamam por eu não escrever no Blog com mais freqüência. Minha desculpa é sempre a mesma: pô, falta inspiração. Hoje felizmente aconteceu o contrário.  Meu grande amigo Fabio Calderon me ligou “pra contar uma história que você vai querer comentar no Blog”. Dito e feito, então vamos lá. Subia ele, no tradicional caminho do estacionamento para o escritório, a ladeira íngreme que liga o último quarteirão da Peixoto Gomide com a Paulista.  Na metade do trajeto encontrou um homem numa cadeira de rodas com cara cansada. Perguntou se poderia ajudar e começou a bater papo. Escuta, mas ninguém ajudou você até agora? Sabe o que acontece, respondeu o cara, eu parei de pedir ajuda. As pessoas não param porque pensam que é pegadinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Genial. Acredito que em pouco tempo esse rapaz poderá solucionar o seu problema utilizando a técnica da “pegadinha reversa” (Olha só, essa eu acabei de inventar. Acho que vou patentear e depois cobrar royalties da Rede TV e da Record): ele pode ficar lá parado, fingindo estar muito mais cansado do que realmente está. Algum tempo depois vai aparecer uma aspirante a Big Brother e pensar: Olha! Uma pegadinha! É a minha grande chance! Depois que ela o empurrar até a Paulista ele diz: ”Rá! Pegadinha do Malandro! Eu sou paraplégico mesmo!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A utilização de pegadinhas na Televisão foi inventada pelos americanos, porque eles são muito melhores (como diriam os saudosos Sobrinhos do Ataíde), foi imitada pelo Silvio Santos, que nunca escondeu de ninguém que copiava os programas americanos e hoje, finalmente, está tão consolidada em nosso inconsciente coletivo que paramos de ajudar deficientes físicos na Paulista. Mas eu ouso dizer, já ensaiando uma sociologia de botequim básica, que a pegadinha instituiu uma importante técnica para ganhar ibope nos meios de comunicação de massa: a humilhação pública de pessoas. A produção em grande escala do espírito de porco que temos de rir de quem tropeça na escada. O delicioso retorno ao estado amoral dos coleguinhas de primário que não são capazes de colocar como contrapeso na balança a dor do outro em oposição ao seu prazer de rir. O famoso “eu perco o amigo, mas não perco a piada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente o espírito humano está em constante busca de superação, precisamos sempre dar novos sentidos às nossas vidas. E eis que surgiu um gênio propondo a superação da técnica supracitada. Pra que perdermos tempo humilhando esses pobres coitados na rua? Eles já se humilham naturalmente nas suas existências patéticas! Vamos humilhar os famosos! Muito mais legal! Impossível não concordar. Eis que surge o nosso querido “Pânico”, o programa que nos presenteou com a possibilidade de ver humilhados aqueles que mais admiramos, na fachada, e invejamos, quando colocamos a cabeça no travesseiro antes de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem sacanagem, acho um saco tudo o que é politicamente correto. Não acho que quando o Didi fazia “Camufra!” e balançava o pezinho, ou quando o Costinha contava a piada da bichinha pobre com a rica, estivessem fazendo humor homofóbico, por exemplo. Talvez até estivessem, mas a comédia é o outro lado da moeda da tragédia e qualquer piada está sacaneando de alguma maneira com alguém. Bom, mas qual é a diferença entre sacanear e humilhar? Não faço a menor idéia. Mas sei uma diferença entre o humor legal e o humor do Pânico: a sutileza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já que estamos no botequim eu vou além: o que mais me incomoda no humor dos caras, que são incontestavelmente criativos e inteligentes, aliás, é que ele meio fascista. Sério, não estou exagerando. A situação de se-fugir-o- bicho-pega-se-ficar-o-bicho-come em que eles colocam as pessoas. Você não tem a opção de participar ou não do programa. Eles vão atrás e vão te humilhar. Não tem como não ser. A grande maioria dos famosos entrevistados por eles se deixa humilhar um pouquinho, dá um sorriso amarelo, uma risada forçada e vai embora, pra evitar o pior.  Os Vitor Fasanos da vida que resolvem reagir e dar porrada, fazem um papelão dez vezes maior. E ainda são chamados de violentos descontrolados pela Contigo depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe limite pra nosso espírito de porco.  O maior hit do Michael Jackson não foi o Thriller, foi o processo por pedofilia. A única coisa que vimos mais do que os dois golaços do Ronaldo na final da Copa de 2002 foi a foto do travesti carioca. E nosso amigo na cadeira de rodas vai ficando com os braços cada vez mais fortes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-7532834539711546032?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/7532834539711546032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=7532834539711546032' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/7532834539711546032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/7532834539711546032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/08/deficiencia-mental.html' title='Deficiência Mental'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-8881108645568170608</id><published>2009-07-31T21:56:00.001-07:00</published><updated>2009-11-16T11:28:09.658-08:00</updated><title type='text'>Última noite</title><content type='html'>Passava das três e ele não dormia, tremendo debaixo dos cinco cobertores de lã. Não havia modernidades de aquecimento no casarão. O piso de velhas madeiras nobres só perdia em aflição para as pedras vermelhas no chão da cozinha. Todas as coisinhas da casa falavam sozinhas da vida simples do casal. A escada já não subia, desde a bronca do doutor. Mas guardava segredos, a cachaça na portinha de baixo, a querosene pra melhorar o diabetes, o livrinho de telefone todo roto pra ficar de olho na família. Teve vontade, logo reprimida pelo cansaço, de arrancar os paus que seguravam o tapete ao longo dos degraus como fazia na infância sem tomar bronca nenhuma. Ah, eu já criei cinco, por mim ele faz o que quiser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesa redonda da sala de jantar reclamava da falta da geléia de morango do quintal, das broas de milho, do biscoito caseiro de mel, de todas as receitas secretas, ninguém se lembrou de anotar. As cadeiras não tinham mais graça, sem a supervisão constante do aventalzinho, a direção disciplinada de todas as atividades gastronômicas. Lembrou das tantas vezes que almoçou às onze e meia da manhã, depois de acordar com uma ressaca monstruosa. O que é que fica fazendo por aí até essa hora da noite? Sentiu de novo o sabor do bife com arroz e feijão preto com lingüiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O frio era tão forte que deu vontade de atravessar a rua, virar naquela mesma primeira à direita de sempre e passar a noite fazendo companhia ao corpo, às flores como sempre horríveis, ao órgão modesto onde entoavam os hinos protestantes. Nos cultos, a casa se perfumava da vaidade exigida pela regência do coral, com batom vermelho, casacos velhos e elegantes. Gostava de assistir da última fila, perto da parede, despercebido, escondendo a ignorância das letras e melodias, e esperar pra dar o braço na pequena caminhada de volta, na rua de paralelepípedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente foi ao andar de cima, cheirar o quarto da varanda onde ouvira as histórias dos ancestrais alemães, saídas das fotos em branco e preto e das caixinhas de jóia na velha penteadeira. A porta, se aberta, daria a visão panorâmica da rua, da estátua do fundador e do casarão vizinho, aquele do quintal mágico das crianças, que no tempo do bisavô ia até lá em baixo, na beira do rio. No mesmo corredor, do outro lado, o banheiro guardava uma imagem do primo dez anos mais velho, peladão, sendo ensaboado como se fosse uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu passando pelos quadros que nunca mudaram de lugar, invejou o conforto e a paz de uma vida simples, quis ler um livro na frente da lareira como fazia nas férias, até ser interrompido pelo aventalzinho ou pelo perfume. Passou a aflição de dormir ali naquela noite, da suposta morbidez de usar a mesma cama, aquela grande nunca usada pelas visitas. Acabou dormindo na quentura dos cobertores ainda carregados de carinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-8881108645568170608?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/8881108645568170608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=8881108645568170608' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8881108645568170608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/8881108645568170608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/07/ulima-noite-conto.html' title='Última noite'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-4289635891647695604</id><published>2009-06-21T08:38:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T08:43:28.532-07:00</updated><title type='text'>Dos arquivos do Ministério Público</title><content type='html'>“ Prezado Senhor Procurador do Ministério Público do Trabalho, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Escrevo para protestar veementemente. Onde já se viu processar o canal do Silvio Santos só porque a menina chorou no programa? O senhor tem a função de cuidar do trabalho, está difícil pra gente hoje em dia! Já é uma batalha a gente criar os filhos que são normais. Imagine uma situação como a minha, com três crianças de talento para a carreira artística. Vou contar um pouco só pra dar exemplo pro senhor. O meu mais novo, imagine, o Luís Alberto (Betinho Star é o nome artístico, sugestão lá da supervisora artística da agência) já fez até figuração no comercial do Mac Donald’s. Ficou sentadinho lá na mesa mais de hora, precisava ver que graça. Teve até problema de coluna. Ele é o mais bonitinho, aqui entre nós. O Felipe, o do meio, já não é tão bonito, mas tem talento pra dupla sertaneja. A gente sente quando cria esses meninos. E a mais velha, isso eu conto pro senhor ver que a gente não pode desistir, procurador, não é bonitinha, mas vai trabalhar nos comerciais de creche do governo, propaganda política, dá até pra sonhar alto, fazer propaganda do Unicef, imagine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/oseXXZCyQdI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/oseXXZCyQdI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Procurador, a gente nessa vida precisa olhar a história das grandes pessoas antes de começar um processo desses! Eu mesma quase fui cantora da banda do Roberto Carlos. Me barraram por conta da prima da cunhada dele, que é lá de Cachoeiro de Itapemirim. Política... isso o senhor conhece melhor do que eu. Os grandes artistas, como o Michael Jackson, começaram crianças. Os passinhos que eles davam os grupos imitam até hoje, pode reparar. É a gente que é mãe que sabe o trabalho que dá. O pessoal diz que o pai dele batia, é verdade. Mas naquela época era diferente. Se eu contasse o que o meu pai me batia... O dele pelo menos ensinava a cantar. Hoje a gente cria os meninos com liberdade, mas pensa que tem sossego? A professora lá da escola reclama da lição de casa, mas, procurador, sabe como andam as filas lá na agência? O book do Betinho me custou uma fortuna. E o CD do Felipe ainda saiu ruim porque botaram uma criança lá com ele que não sabia fazer direito. Isso é coisa de mãe relapsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/snihdG1rE0Y&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/snihdG1rE0Y&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas o pessoal faz campanha, do mesmo jeito do senhor. Parece que as pessoas não querem o sucesso da gente. Imagine que a dona lá da vídeo locadora, de tanto me ouvir falar das crianças, porque coisa boa a gente tem que falar pra todo mundo mesmo, me falou que queria recomendar um filme, pra eu pensar no assunto. Eu cheguei achando que era coisa boa, de criança fazendo sucesso, show lotado, gente gritando, chorando e pedindo autógrafo, aqueles seguranças lindos protegendo! Chegou lá, procurador, uma história esquisita de um menino que o pai queria que fosse pianista e pressionou o menino até ficar louco. Imagine a petulância! Agora só pego na outra esquina! Eu sei o que é isso. A gente começa a chegar perto do sucesso, as pessoas se incomodam.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/lTkBu75w8xg&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/lTkBu75w8xg&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Procurador, eu peço a gentileza, não faça esse processo com o canal lá do Silvio Santos. A gente que é mãe sabe que as crianças precisam de oportunidade de emprego, e o Silvio valoriza as crianças, e paga bem! Eu tenho certeza, o senhor ainda vai se emocionar e lembrar a minha carta. Vai ver o Betinho na novela, comprar um CD do Lipe cantando sertanejo pra ouvir no seu churrasco de domingo. No dia em que aparecer a mais velha então, no comercial do Unicef? Duvido que o senhor não faz uma doação.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Obrigado pela atenção. &lt;br /&gt; Suelen Cristina. "&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-4289635891647695604?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/4289635891647695604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=4289635891647695604' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/4289635891647695604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/4289635891647695604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/06/dos-arquivos-do-ministerio-publico.html' title='Dos arquivos do Ministério Público'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-6751046240130830643</id><published>2009-05-31T21:07:00.001-07:00</published><updated>2009-05-31T21:09:47.245-07:00</updated><title type='text'>Série: conversando com Sr. Lovric (Parte I, de muitas),</title><content type='html'>Ele escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://mondozuado.blogspot.com/2009/05/apocalipse-bacon-ou-de-gripes-e-porcos.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu pitaquei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Prezado Sr. Lovric:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três comentários:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um. Gostei da história da maioria esmagadora “escolher a vida”. Lembra um livro despretensioso chamado “O que é religião”, do Rubem Alves. É um livro bem didático, acho que foi feito pros bancos escolares mesmo. Ele lembra que o ser humano é o único ser vivo que se suicida. Isso conversa com seus primeiros parágrafos, aquele pequeno detalhe enfadonho da vida... Ela precisa fazer sentido! Daí ele pega o gancho e tenta explicar o que é religião. A melhor tentativa que conheço até o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois. A música que toca no final do trailer do “Invasion of Body Snatchers” de 1978 chama-se “Amazing Grace”. Foi composta por um tal John Newton, traficante de escravos inglês que durante uma pusta tempestade em alto mar começou a se dar conta que não era muito cristão aquele negócio de levar negros no porão do navio e vender pros americanos. Segundo fontes não fidedignas (vulgo Wikipédia), ele percebeu que só Deus poderia salvá-lo e entendeu a futilidade da vida. Não deve ter sido muito diferente com Donald e seus amigos. Essa música apareceu na minha vida três vezes na última semana: minha mãe do nada começou a escutar um CD com essa música. Tocou ontem num casamento onde eu estava. E agora no seu trailer. Será intervenção divina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, mas não menos importante: LEGAL a Mathilda. Agregou valor a minha cultura inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande abraço e... sem querer dar uma de Gilson, vamos marcar aquele Chopps.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iatã."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-6751046240130830643?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/6751046240130830643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=6751046240130830643' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/6751046240130830643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/6751046240130830643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/05/serie-conversando-com-sr-lovric-parte-i.html' title='Série: conversando com Sr. Lovric (Parte I, de muitas),'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-6076966159625964466</id><published>2009-05-02T01:40:00.000-07:00</published><updated>2009-05-07T21:11:35.780-07:00</updated><title type='text'>Memórias políticas (e paternas)</title><content type='html'>Na minha casa a discussão sobre política sempre aconteceu. Eu tive a sorte de ter um pai absolutamente maluco, em vários sentidos. Uma das suas principais maluquices era acreditar que poderia mudar o mundo através das suas convicções. Meu pai foi a única pessoa que conheci que colocou em prática as idéias de Henry David Thoreau , o famoso anarquista americano, autor de “A Desobediência Civil”. Quando papai morreu, nos deparamos com dois veículos automotores sem licenciamento por no mínimo cinco anos, um imóvel sem pagamento de IPTU por 10 anos e uma empresa sem o menor rastro de atividade contábil, legal ou qualquer coisa que se aproximasse do conceito de burocracia sabe-se lá Deus por quanto tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos antes de ficar doente de vez, meu pai foi parado por uma viatura da Polícia Militar, debaixo do viaduto da 13 de Maio, quase esquina com a rua Augusta. Ele certamente estava a caminho de um jantar noturno-madrugador nos restaurantes do Centrão, depois de dar suas aulinhas de inglês até meia-noite. Ele dirigia (sem habilitação e com óculos inadequados) um  Monza grafite, com os dois espelhos laterais despedaçados, no mínimo dois faróis quebrados e sem documentação nenhuma. Quando desceu do carro, o policial viu aquela figura magrinha, já meio corcunda, barba branca, segurando uma pastinha velha. Ficou meio extasiado por alguns segundos. Até que finalmente falou: “Meu senhor... vai pra casa tranquilo...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu argumento, em simples palavras, era mais ou menos o seguinte: “Sabe o que eu ganho em troca por pagar tantos impostos? Nada. E sabe o que aconteceu comigo depois que eu passei a ignorar minhas obrigações como governo? Acertou! Nada!”. De fato, não deixa de ser interessante notar que a incompetência abissal da justiça brasileira pode ser usada em nosso favor. Eu tenho quase certeza de que se o papai tivesse vivido mais trinta anos, teria ficado quarenta anos sem pagar o IPTU da sua casa e absolutamente nada teria acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, estas histórias folclóricas do papai tornam-se bem menos engraçadas quando resvalam no dia a dia da minha mãe, no da minha irmã e no meu, que bem ou mal pagamos a conta até hoje. Mas, sinceramente, eu não guardo nenhuma mágoa, por dois motivos. Primeiro, como bem diz meu tio Raul, problema é o que você não resolve com dinheiro. Segundo, o que me fez escrever isso tudo até agora não é a suposta irresponsabilidade do meu pai, mas o fato de que ele teve a coragem que eu não tenho, e que vejo que ninguém tem, de viver a política. A vontade de genuinamente agir e se manifestar, de maneira correta ou não, irresponsável ou não, pra mudar essa porra do caralho que a gente vive, de ter que agüentar deputado mandar a mulher de avião pra Miami a nossas custas e tantas, tantas, tantas coisas mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que a principal marca que essa característica dele deixou foi sempre associar os momentos da minha vida com os acontecimentos políticos do Brasil, como se uma coisa tivesse influência na outra, ou como se cada emoção barata da minha vidinha fosse um apêndice dos grandes movimentos da sociedade brasileira. Dá pra começar nas primeiras memórias da infância... Nem as crianças se enganavam. Dava pra perceber que o país era muito safardana. Cada vez que a gente ia compra chiclete na venda (eu não sou tão velho, mas no meu tempo ainda tinha “venda”, e era do “Seu Manoel”) a nota era diferente. Uma hora era o duque de Caxias naquela nota rosa, outra hora, pra comprar o “Dip-Lique”, era o “Barão”. Depois pra comprar sorvete já tinha que pedir a “Princesa Isabel”. O Hugo Chávez perto do Figueiredo é amador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lembro que nessa época o Figueiredo, aquele milico que nos governou no final da ditadura, veio fazer tratamento pra dor nas costas na clínica de um japonês que ficava em frente ao nosso prédio, o “Nishimura”. Nada mais previsível, já que o velho decrépito, ao invés de governar o país, ficava montando cavalo de raça e tomando uísque dezoito anos o dia inteiro.  O “Nishimura”, aliás, virou mais um dos empreendimentos imobiliários que me torturaram na adolescência (vide postagem anterior). O Figueiredo virou a sensação do condomínio Ajaccio e da rua toda. Ninguém lembrava mais da hiperinflação, do caos institucional, do FMI ou da crise do petróleo. O negócio era ficar lá fazendo plantão pra ver o presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época, no entanto, papai ainda estava melhor financeiramente. A fase aguda do “Henry Thoreau” veio mais pra frente. Em 1982 ele se candidatou a vereador pelo PMDB. Era uma época em que ainda havia um maniqueísmo quase hollywoodiano na política nacional. Meu pai era “do bem”, lutando ao lado dos cavaleiros da esperança - Montoro, Almino Afonso, Mario Covas, Fernando Henrique – contra as forças do mal – Esqueleto, Darth Vader, digo... Paulo Maluf, Delfim Neto, Aureliano Chaves, Erasmo Dias e tantos outros. Acham que eu estou de sacanagem? Eu me lembro (que lástima não ter nenhum desses guardados) de um folhetinho de campanha do meu pai pra vereador, com uma charge do Henfil desenhando o Maluf, o Delfim e o Reinaldo de Barros com cara de mau, esfregando as mãos, e um balãozinho que dizia: “Eles estão acabando com o Brasil!”. Papai teve quase 12.000 votos e não foi eleito vereador naquele ano. Lembro do dia em que ele me levou no Pacaembú, pra ver o Corinthians. O jogo foi sem graça, mas no final o locutor anunciou o público: onze mil e não sei quantas pessoas. Ele parou e me disse: “Filho, você consegue imaginar que todas essas pessoas votaram em mim?”. Foi engraçado, conseguir ter uma dimensão visual do que aquilo representava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/SgOrLH3QGHI/AAAAAAAAAGo/BKmCwLGD2Fg/s1600-h/Roberto+Vereador0001.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 292px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/SgOrLH3QGHI/AAAAAAAAAGo/BKmCwLGD2Fg/s400/Roberto+Vereador0001.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333294591314499698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O velho Lessa tenta a sorte como vereador nas eleições de 1982. Uma de suas propostas era "Eleição de prefeito pelo voto direto". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Outro caso emblemático de luta do bem contra o mal eram os debates na TV Bandeirantes entre Mário Covas e Paulo Maluf. Acho que poucos políticos brasileiros ficaram associados à uma imagem tão forte de integridade quanto Covas, o mesmo valendo no extremo oposto para Maluf. Desafetos desde o tempo da faculdade de engenharia da USP, era fácil perceber o ódio visceral entre os dois. Me lembro de um debate em que o Covas trocou a camisa no intervalo, de tanto suar. Eu incorporei demais esse horror pelo Maluf na eleição para governador de 1998. Estava tão transtornado que o papai deixou a Folha de São Paulo do dia em que Covas passou Maluf pela primeira vez nas pesquisas do segundo turno debaixo da minha porta. Junto deixou um bilhete: "Filho querido: vencemos!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jlSWrO1Risk&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/jlSWrO1Risk&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Covas e Maluf no debate de 1998. Quanto mais forte o maniqueísmo, menos se discutem propostas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Esse maniqueísmo perdurou por muitos anos, vinte anos na verdade, até o dia em que a máscara de bastião da moralidade do PT foi enterrada pra nunca mais voltar. A minha maneira de pensar a política se tornou bastante ingênua por conta desse maniqueísmo. Acho meio patético hoje em dia me lembrar de como eu me achava superior às pessoas que não votavam como eu. Uma idéia típica de estudante de Ciências Sociais da PUC que se acha intelectual por ter lido meia dúzia de livros de intelectuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal associação que eu fiz da vida política brasileira com a minha vida pessoal foi em 2002. Eu nunca tinha tido uma namorada por mais de três meses até então. E eu nunca imaginara que um dia as “forças do bem” fossem chegar ao poder no Brasil. Naquele novembro de 2002 eu estava em casa assistindo a primeira vitória do Lula nas eleições presidenciais. Fiz campanha pra ele desde 1989. Quando tinha 13 anos, no elevador do edifício Ajaccio, era hostilizado pela molecada que apoiava o Collor na quadra de futebol. Sai fora filho de comunista! A gente vai botar “mindingo” pra morar na sua casa, lá no 122! Em 1998 vi o Lula do meu lado pela única vez. Estava fumando um cigarro numa das saídas laterais do TUCA, o teatro da PUC-SP, sem imaginar que era por lá que o Lula ia entrar pra fazer o discurso. Tentei falar com ele, mas o grupo passou batido. Entrei de novo e no final do discurso eu lembro de ter me emocionado, convicto de que aquele era o discurso da esperança de um país melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002, no dia em que o Lula finalmente ganhou, eu estava na minha casa, que não era mais a casa dos meus pais. Estava grudado na TV, vendo todas as notícias, esperando o discurso do Lula na Avenida Paulista. Num dos intervalos comerciais, fui ao meu quarto ver o que a minha namorada estava fazendo. Ela estava dormindo na minha cama, linda, serena, eu nunca tinha sentido uma paixão e uma felicidade tão grande antes. Quando voltei pra sala, o Lulão estava discursando. Eu chorei bastante, um choro feliz de desabafo, de ver acontecer coisas esperadas por tanto tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o fim da história, até hoje, quem vai ler esse Blog sabe. Só espero que o fantasma do papai apareça de novo, muitas vezes, colocando o livrinho do Henry Thoreau de volta na minha cabeceira. Como ele fez hoje...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-6076966159625964466?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/6076966159625964466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=6076966159625964466' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/6076966159625964466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/6076966159625964466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/05/memorias-politicas-e-paternas.html' title='Memórias políticas (e paternas)'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6gDLrn9K4tw/SgOrLH3QGHI/AAAAAAAAAGo/BKmCwLGD2Fg/s72-c/Roberto+Vereador0001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-541907466175937678</id><published>2009-04-08T20:14:00.001-07:00</published><updated>2009-04-08T21:38:34.844-07:00</updated><title type='text'>Barulhos e neuroses de um paulistano</title><content type='html'>Algum tempo atrás, parando para ler o blog do Sr. Lovric (link ao lado), me deparei com essa animação genial do Popeye. Lembro que quando era criança, o Popeye era meu desenho animado favorito. Minha mãe conta que quando eu estava no "jardim" (Sei lá como chama isso hoje... Os educadores da classe média de São Paulo evoluíram bastante nos últimos vinte anos. Talvez o nome atual seja "Centro de integração sócio-ambiental-cultural-democrático da infância") eu dizia para todos os coleguinhas que eu era o Popeye. E, como se não fosse falácia suficiente, dizia que quando eu comia espinafre minha força se tornava descomunal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jbxtBDWjWxs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/jbxtBDWjWxs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema foi que um belo dia um coleguinha, provavelmente bem intencionado, (acredito muito que o espírito de porco só aflora na adolescência - antes disso a crueldade do ser humano criança é meramente o exercício da sinceridade) pediu pra mãe dele colocar na lancheira uma trouxinha de espinafre cozido. "É pro meu amigo lá da escola. Ele diz que é o Popeye e vai ficar forte depois de comer o espinafre!". Desgraçado esse moleque. Botou-me na maior saia justa. Eu era neurótico desde criança. Não comia nada além de arroz, feijão, bife e batata frita. NADA. Comi minha primeira pizza quando tinha, no mínimo, uns quatorze anos. Legume e salada? Uns vinte e três, chutando baixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sei que, segundo reportou a professora do "jardim" à minha mãe, na hora em que o fedelho sacou o espinafre da lancheira, todo engordurado num guardanapo azul claro (eu na verdade não me lembro os detalhes, devia ter uns quatro ou cinco anos, mas tenho "flashes" desta cena na minha memória), no meio de uma rodinha em que estavam presentes no mínimo um terço da classe, eu fiquei branco... Parei, respirei fundo, saquei a minha lancheira, peguei meia dúzia de bolachas MARIA (aquelas que vendiam num pacote amarelo da Tostines nos anos 80) e falei: "Eu não preciso. Estas bolachas que minha mãe me deu já contêm espinafre!". Pois é... Tivera eu a mesma cara de pau na vida amorosa e corporativa, não estaria aqui desempregado e encalhado como hoje. Um saco esse cara que inventou essa história de ética...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, mas eu não estava planejando escrever sobre Popeye e espinafre nessa postagem. Eu queria falar sobre barulho. Aliás, quem vir o vídeo, note no começo que o pai do Popeye diz a ele que está de ressaca. Super educativo pras crianças! O Popeye começa a quebrar tudo na vizinhança, afinal seu pobre pai precisava descansar. É uma pena que isso não acontece na vida real. Essa animação me marcou muito porque eu sinto que a minha vida na rua Afonso de Freiras, no Paraíso, foi um eterno desenho do Popeye. Eu não me lembro de nenhum período, desde a minha tenra infância, em que não tivesse nenhuma obra em construção no nosso quarteirão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra no quarteirão é uma delícia. Primeiro começa o bate-estaca. É praticamente um terremoto induzido. Um objeto fálico de 20 metros de metal "bombando" (perdoem a referência pornográfica proposital) a superfície terrestre. Passado esse primeiro momento, começa a tortura dos ruídos esparsos e absolutamente sem sentido. Por exemplo: sempre tem um peão, com uma marreta de meio metro na mão, batendo numa viga de metal gigantesca, com toda força. Eu sempre me perguntei, num dos milhares de tardes em que tentava tirar um cochilo à tarde depois da escola, já apelando à intervenção divina: "Senhor... eu sei que não sou engenheiro. Mas porque esse cidadão está esmurrando a viga com essa marreta? Eu estou aprendendo operações com números complexos na aula de álgebra e estou entendendo alguma coisa. Por que não consigo entender isso?"     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lembro que as interrupções do meu sono vespertino despertavam em mim instintos assassinos. Eu estudei num dos colégios "fortes" de São Paulo, o Bandeirantes. Nós costumávamos varar a noite estudando na semana de provas e depois dormir depois do almoço. Super saudável, diga-se de passagem. (Gostaria de ter vivido a fase do "Centro de integração sócio-ambiental-cultural-democrático da infância", como vivem meus sobrinhos hoje). Toda vez que eu acordava com um barulho insuportável de obra, eu sonhava com aquela cena do "Rambo II", em que o Stalonne saca um arco e flecha com ponta de bomba supersônica, mira no vietcongue e ele BUM! - Simplesmente sumia da superfície terrestre. Felizmente, o máximo que eu concretizei, em dias de muita revolta, foi uma série de disparos de papéis higiênicos molhados nos vendedores de pamonhas de piracicaba que passavam na Afonso de Freitas, nos mesmíssimos horários das tentativas frustradas de dormir à tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincadeiras à parte, eu acho meio melancólico o fato de ter me tornado uma pessoa pior, em certo sentido, não devido ao barulho em si, mas pela absoluta impotência que todo paulistano tem pra lutar contra o barulho insano em que a gente vive. Uma revolta acumulada vai tomando conta da gente, a ponto de despertar atitudes escrotas, que eu mesmo executei muitas. Prefiro não me aprofundar no tema pra não cair na Sociologia de botequim. Prefiro falar da minha experiência existencial com o barulho. Nos últimos dois anos e meio morei no interior de São Paulo, em Jaguariúna. As pessoas, os amigos de São Paulo na verdade, me perguntavam sempre: “Nossa, mas você está gostando? O que tem pra fazer lá?”. E eu respondia: “Nada. Mas tem silêncio. Dá pra ouvir os grilos de noite”. Quando eu voltava pra São Paulo, não buzinava mais no trânsito, não fechava todo mundo e não xingava os velhinhos de chapéu que me faziam esperar mais um farol vermelho. Sei lá, foi bom saber que o problema não era meu instinto assassino inato, ou algo do gênero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso. Por hoje...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iatã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-541907466175937678?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/541907466175937678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=541907466175937678' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/541907466175937678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/541907466175937678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/04/barulhos-e-neuroses-de-um-paulistano.html' title='Barulhos e neuroses de um paulistano'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-3734262558653832301</id><published>2009-03-20T20:28:00.000-07:00</published><updated>2009-03-20T21:44:52.308-07:00</updated><title type='text'>Jack Bauer é democrata ou republicano?</title><content type='html'>Pô, o Obama resolveu fechar a prisão de Guatánamo. As pessoas são exageradas... Só porque o Bush resolveu ignorar 50 anos de tratados internacionais de direitos humanos e a própria Constituição americana e dar uma torturadinha naquele pessoal mais moreno e narigudo, o cidadão mal assume o poder e já manda desativar a coisa toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que isso me faz pensar que a série 24 horas é um pouco esquizofrênica. Pelo menos do ponto de vista político. Fico pirado tentando pensar no efeito que a série tem no pensamento político das pessoas. Se na balança, ela fica no pratinho dos Democratas ou dos Republicanos. Começa pelo seguinte: a série é produzida pela FOX, um canal de TV que, até onde eu sei, é francamente republicano. Por outro lado, é fácil notar ao longo da série que todos os presidentes gente-fina, que ajudam o Jack a salvar os EUA das catarses, são democratas. A série, aliás, foi genial em antecipar a ascensão de um negro à presidência dos EUA (ou deu muita sorte). O único republicano, o agonizante presidente Logan da quinta temporada, era um fedepê vendido aos conspiradores. Até o ator Gregory Itzin tem cara de bocó, pra reforçar o republicanismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, este é outro ponto positivo pra série. Realmente todo presidente republicano tem um ar meio mongol. Se eu pensar nos que me vem de pronto à memória: Nixon, Reagan, Bush pai e Bush filho, não se salva um. Não é à toa que o Woody Allen, num dos meus filmes preferidos, “Everyone Says I Love You”, conta a história do filho de uma típica família democrata de Manhattan que se torna ultra-republicano. No final descobre-se que o problema era apenas falta de oxigenação adequada no cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, mas voltando ao Jack. O grande problema é que nosso super-agente amiguinho dos presidentes democratas martela nas nossas mentes o supra-sumo do republicanismo: nos fazer aceitar que a tortura é um instrumento válido de combate ao terrorismo. A série é recheada do começo ao fim das famosas “impossible situations”. Lá nas primeiras temporadas me lembro do pessoal apontando o fuzil na cabeça do menininho de cinco anos pra convencer o pai terrorista a dar a letra da bomba que vai matar não sei quantos mil em Los Angeles. E aí, vale? E Guantánamo vale? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, aos esquerdistas que acham que a série é mais um instrumento da FOX para nos lobotomizar, eu ainda não me convenci. Voltando ao esquizofrenismo. Nesta última temporada (a sétima, ainda em andamento) Jack aparece sendo sabatinado por um senador, claramente democrata, sobre seus métodos de tortura. Está prestes pegar uma bela cana quando, lógico, aparece mais uma ameaça terrorista e daí pra frente todo mundo sabe. O conflito “metodológico” continua o tempo todo. Quem não tortura, não arrisca a vida do civil inocente, não resolve. O Jack resolve. O preço da eficiência, por outro lado, também é mostrado incessantemente através da desumanização do personagem. Cada vez mais paranóico, mais insensível, mais incapaz de se relacionar afetivamente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma diferença importante do mundo 24 pro mundo real é que no 24 as ameaças terroristas pelo menos são de verdade. Como assim? É só lembrar das armas de destruição  em massa do velho Saddam. Ou as menos óbvias, como dizem os nossos amigos lá do Zeitgeist (&lt;a href="http://thezeitgeistmovement.com/"&gt;http://thezeitgeistmovement.com/&lt;/a&gt;). Os caras dizem também que aquele mano Jesus Cristo lá é mó farsa. Mas isso fica outro dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-3734262558653832301?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/3734262558653832301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=3734262558653832301' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3734262558653832301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3734262558653832301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/03/jack-bauer-e-democrata-ou-republicano.html' title='Jack Bauer é democrata ou republicano?'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19187378.post-3585451977181995773</id><published>2009-03-20T19:56:00.000-07:00</published><updated>2011-01-22T16:06:29.607-08:00</updated><title type='text'>Mudança de proposta</title><content type='html'>Este blog a partir de hoje tem nova proposta. É que eu tenho um grande amigo, o Sr. Lovric. Um cara que acha que vale a pena perder tempo lendo as coisas que eu escrevo. Ele diz: "Não pensa. Vai e escreve". Bom, vai saber, tem todo tipo de louco nesse mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No blog dele (link ao lado) tem mistura de Asterix, Thundercats e campanha presidencial do Silvio Santos (sim, você que nasceu depois de 1989 - mas... foi antes de Um-Nove-Oito Nove ou foi depois de Um-Nove-Oito Nove? - pode acreditar), tudo na mesma postagem. O pior é que faz sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o que importa é que ele me convenceu. Ou melhor, ele me convenceu a me convencer de que vale a pena. A partir de hoje aquelas postagens do tipo "Níver da Drica" e "Encontro dos camaradas no botequim da Dona Zefa", que dominavam a primeira versão do meu blog, ficarão para outra oportunidade. Ou para o Orkut, lugar que os merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os assuntos? Bom, pra falar besteira não precisa muito de assunto. Mas é legal usar as coisas que a gente gosta pra fazer gancho. O Sr. Lovric faz isso e eu vou imitar. Descaradamente. Ele usa a paixão por animação pra fazer o gancho dos assuntos. Eu vou usar as minhas. Eu gosto de videogame, de política, de finanças, de séries americanas, de tocar violão, de tomar cerveja e de ler livros. Deve dar pra alguma coisa. A ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19187378-3585451977181995773?l=travessiadoiata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/feeds/3585451977181995773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19187378&amp;postID=3585451977181995773' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3585451977181995773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19187378/posts/default/3585451977181995773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiadoiata.blogspot.com/2009/03/mudanca-de-proposta.html' title='Mudança de proposta'/><author><name>Iatã Themudo Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15876076029099215819</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-W-6exvb8WIw/TkUNcZ86ZCI/AAAAAAAAAMs/_cUYF28Bl2g/s220/DSC_0073%2B%25282%2529.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
